sexta-feira, 11 de julho de 2025

 Chegou o dia em que elas me dominaram. Mais que dois CID's, ansiedade e depressão, de mãos dadas, tomando conta de meus dias, de meus instantes,  de minha vida como se não fosse a vida que trouxesse os gatilhos necessários, especialmente da primeira. É como viver estando sob uma pele vibrante, agoniada, nada relaxada, agitada ao máximo, mesmo quando nada acontece. Um susto no sistema nervoso e tudo desmorona de vez, você precisa de um plano de backup pra recarregar e se autorregular. E se eu não souber como faz? Vai aprendendo na marra. E se eu achar que isso é o fim do mundo? Se não houverem soluções no momento? Vai ver que a vida continua mesmo assim, apenas precisa seguir. O mundo continua e você pode até conseguir uns dias, mas não terá permissão para passar a vida inteira deitada rolando e sentindo os infernos interiores. Você vai se perguntar como é que pode tanta gente estar vivendo normalmente e você paralisada nessa. Sem ninguém ter ideia. Sem uma trégua.

Estou cansada. E triste. E ansiosa. Excesso de passado e de futuro no presente dá nisso. Mas é como uma espécie de fuga para um presente não satisfatório. Que peso essa coisa que desce até o dedo do pé e começa na cabeça. Um banho gelado seria menos impacto do que essa coisa que toma conta dos membros, do tronco, da cabeça, e começa tudo por ela. Tudo. Meu sonho de vida se tornou ter saúde mental e uma cabeça boa. O resto seria o de menos. Incrível, né?

sábado, 10 de maio de 2025

Eu ainda sou bem moça pra tanta tristeza?


E na rede social de feed infinito encontro homenagens aos vivos e conversas com os mortos. Essas conversas nada mais são do que monólogos. Eu só acredito no saudosismo e na não aceitação dos vivos, dos que ficaram. Não acredito nas respostas dos mortos.

Me assusta pensar na finitude cada vez mais, e não ter esperança de continuidade. Mas a possibilidade do eterno também tem o poder de me perturbar. Como parar de ser sensível às coisas intrínsecas da vida? 

"Deixemos de coisa, cuidemos da vida..."

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Comecei num ato singelo de revisitar boas memórias relacionadas a datas comemorativas e terminei no abismo que se tornou a realidade de minha família e da minha maior saudade. É como se cada vez que eu pensasse nela, na gente, em nossas memórias, ainda que boas, percebesse de um modo diferente como ela estava em tudo. Nas motivações, nos sonhos, nos cumprimentos de tabela, nos esforços diários, nos compromissos de família, nas reuniões, nas comemorações. No passado inteiro. No presente enlutado. Só não no futuro.

Eu continuo percebendo que a minha felicidade tem pontes frágeis, e isso me incomoda tanto, a ponto de evitar escrever e pensar. O externo continua tendo papel fundamental, sua validação, sua entrega, seu carinho, tudo se sobressai a como me sinto e me perco aqui dentro, mais uma vez. Não aguento mais vagar perdida em mim, sem ter certeza de onde me encaixo e me percebo. Sem ter certeza do que seria melhor e saudável. Eu saber o que não quero já é grande coisa, eles dizem, mas pra mim não é o suficiente. Não ser o suficiente me quebra, me enfraquece, porque o pouco que sei e o muito que não sei, é a única coisa que tenho agora.

domingo, 13 de abril de 2025

Mais um domingo, mais um dia

Eu vejo gente se adequando o tempo todo, ao que o corpo pede, ao que a saúde pede, ao que precisa fazer pra continuar aqui, indo, continuando, vivendo, continuando, seguindo, continuando... Abro as redes sociais e é nutricionista, fisioterapeuta, personal trainer, coach, vários profissionais mencionados e ajudando as pessoas a continuarem. Porque continuar vale a pena, eles dizem. Todo mundo tem essa dádiva, esse presente em mãos, que é viver, e precisar cuidar de um jeito que nos permita continuar pelo máximo de tempo que conseguirmos. Precisamos continuar. Precisamos nos adaptar. Quem não se adapta, não sobrevive, eles dizem.

Mas, e se...

E se eu não estiver disposta a lutar tanto assim pela minha sobrevivência? E se a minha vida tiver virado algo do qual não consigo me orgulhar ou enxergar novos caminhos, desta vez felizes, e se eu perdi a fé de que algum dia serei feliz, satisfeita, realizada... não desprezando as coisas boas que as pessoas me proporcionam, mas, e se eu não conseguir enxergar motivos para continuar, apesar de tudo? Se o peso e a infelicidade me consumirem ao ponto de nublar os sentimentos bons, como vem acontecendo de forma cada vez mais frequente, e eu deixar esse mar me engolir? Como naquele sonho que eu tive semana passada, e se eu só me deixar afundar em direção ao fundo dessa piscina sem fim, vendo a iluminação fraca do sol desaparecer e meus membros pararem de reagir...

 Dizem que não há outra chance, que esse seria um caminho sem volta, portanto, uma opção menos inteligente, essa de desistir da única coisa que tenho, pois só tenho quando existo e só existo uma vez. Será que quando penso em desistir é pra ver se consigo uma segunda chance? Ou realmente desprezo tanto assim a existência e tudo nela envolvido?

Se tem uma coisa que não desprezo no existir são as dores, as faltas, as lágrimas, e tudo aquilo que me faz sentir viva, mas de uma maneira ruim. Viver só experimentando o bom é algo impossível, estou ciente. Mas por que experienciar o ruim é algo que tem o poder de me consumir e me tirar a vontade de viver, a ponto de eu questionar meios discretos e menos preocupantes de desaparecer dessa coisa onde estão todos tão focados em preservar para continuar?

Se eu desaparecesse sutilmente seria pior do que subitamente? E se eu já estou sumindo, mas ninguém está percebendo? Talvez eu seja realmente muito boa em manter performances. Talvez eu devesse investir numa carreira de atriz... Seria irônico descobrir que eu quero viver através desse caminho. Hoje em dia todos parecem acreditar que estou bem, e que quero continuar como todo mundo, claro que dentro de minhas possibilidades e limitações. Digo brincando que a vida presta ou não presta, quando no fundo tudo que eu mais queria nesse mundo era sentir na pele, nos ossos, no corpo, em tudo físico que eu puder, um gostinho de "quero continuar sim, até onde puder, da melhor forma que puder".

Mas em vez disso, eu já acordo com raiva... Talvez não sempre com raiva, mas... Talvez desapontada? Por ainda estar aqui. Me sinto mal quando penso em coisas como minha mãe, por exemplo. Queria que ela estivesse aqui. Desejo talvez egoísta, mas, quando penso que uma pessoa que amava a existência foi embora tão cedo, pro que esperava, pro que esperávamos... Só não parece certo. Preferia ter sido eu a combater a doença e tudo que veio depois disso. Preferia ter sido eu a perder uma batalha e me entregar. Mas talvez isso tivesse tirado ela desse eixo de gostar da existência, afinal, pais não foram feitos e programados para perderem filhos. Então, que cruel, foi mesmo melhor assim? Não, ela deveria estar aqui. Por muito mais anos, pelo menos. Ela morreu sem me ensinar a gostar de viver. Não era sua obrigação, mas eu me culpo por não ter me colocado acima de toda a agonia e afobação que nossa relação teve pra conhecê-la melhor.

Estou desapontada porque não sei viver, só existir não está funcionando. Esperança e fé são coisas que, desconfio, se já tive foi há muito tempo, quando talvez eu não sabia nem ler direito, muito menos escrever pra me expressar.

Sigo sendo há bastante tempo uma ranzinza que engana, uma ranzinza que faz com que todos gostem de suas piadas, seu senso de humor baseado em autodepreciação e amargura, podem vir que o stand-up é gratuito e sempre tem. Pensei em deixar cartas, pouco a pouco para as pessoas com quem me importo, para poder tranquiliza-las de que elas não tem culpa de nada, afinal, há desertos que realmente nós só temos como atravessar sozinhos. E eu me cansei cedo demais na minha seara particular. Tudo bem, já vi acontecer com outras pessoas, não tem nada a ver com ser ou não atento ou próximo o suficiente, as pessoas às vezes só desistem, nem todo mundo vê a famosa luz no fim do túnel, por mais que pessoas estejam dispostas a mostrar. É como tentar fazer um míope enxergar sem óculos, só pela força de vontade. Só que esse é um universo onde óculos não existem, então sua visão só vai ficando pior pior, e milagres também não existem, apesar de eles dizerem que sim, que é possível. Você não se fechou para a experiência divina, você sabe que não. Você só se acha inadequada o suficiente, como na maior parte das coisas em sua vida, o que pode soar um pouco triste e desesperador, mas a vida é o que é, não tem que focar em coisas abstratas como fuga - você já tentou, por anos, e nunca deu certo. Você odeia pessoas privilegiadas por isso, lembra? Elas herdaram os privilégios que lutam pra manter e atribuem ao divino suas bençãos. Eu queria que todos se explodissem, mas sei que não estarei aqui pra ver nada disso acontecer.

Enfim, eu comecei a escrever as cartas e ainda por pessoas improváveis, acredito. Pessoas para quem não tenho dado atenção ultimamente, ou assim eu acho. Eu gostaria de sumir do planeta deixando a certeza de que elas não tem culpa de nada - não tenho como ter essas garantias mas olha aí a beleza da não existência: não haver preocupações.

Sinto que quando o "nada" parar de me assustar eu vou tomar um grande passo em relação aos planos mencionados nem mais tão nas entrelinhas, e talvez mergulhe de vez naquela piscina que sonhei.

quinta-feira, 13 de março de 2025

20 de Agosto de 2023, sobre um show e memórias eternizadas

Passando por momentos de ressignificado emocional, talvez? Não escrevo esperando pelo milagre da convicção, quero apenas registrar as últimas coisas.

Como o sonho que tive na madrugada da data que seria o aniversário da minha mãe. Um sonho no qual ela estava viva e eu pedia colo. Como se fosse meu eu criança ansiando pela mãe, como nunca fiz antes. Ontem no show de Legião Urbana pensei nesse momento de meu subconsciente, ao cantar aqueles versos já tão batidos "quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui, com vocês?" No sonho eu literalmente pedi para dormir com a minha mãe. Eu, que até os 10 anos dormia com ela e minha irmã na mesma cama.

Eu acordei para trabalhar nesse 17 de agosto me sentindo tão... Incompleta. As lacunas em mim eram o vazio da saudade. O sonho me trouxe uma mãe realista, suas feições quase palpáveis. Cheguei a me acordar antes do despertador tocar, ainda estava escuro, e fechei os olhos com medo de coisas irreais à espreita em meu quarto. As coisas das quais tinha medo, no sonho, após ver um filme de terror. E por isso pedi colo, por medo.

Meu primeiro contato com Legião Urbana foram as fitas da minha mãe. Um dia eu estava com ela no centro do Recife, ainda bem pequena, ela parou um homem que estava vendendo "tapes", provavelmente piratas. Lembro que ela comprou algumas de Legião e, posteriormente, a chegada do microsystem em casa e do CD "Mais do Mesmo" foi o passo final de meu ritual de iniciação à banda. Ontem foi um show nostálgico e incrível.

Apesar de as músicas me tocarem pela identificação pessoal com os versos, foi impossível não direcionar alguns deles para ela, a "dona do mês de agosto" em meu subconsciente.

"Tenho andado distraído, impaciente e indeciso"

"Palavras são erros, e os erros são seus

Não quero lembrar que eu erro também..."

"Sempre precisei de um pouco de atenção

Acho que não sei quem sou

Só sei do que não gosto..."

"Todos os dias antes de dormir

Lembro e esqueço como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder..."

"Tudo é dor

E toda dor vem do desejo de não sentir dor..."

Nessas partes eu tive quase que uma catarse, mas era tudo sobre mim. Apenas eu e minhas confusões. Mas então veio a já mencionada "Pais e Filhos", cujo título já é uma forma de forçar a barra por si só. Até que foi leve. Só lembrei do meu sonho. Antes disso eu já havia sido estraçalhada por "Vento no Litoral" e "Por Enquanto".

"Dos nossos planos é que tenho mais saudades

Quando olhávamos juntos, na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui, dentro de mim?"

E quando tentei respirar, foi como levantar de um mergulho e ser atingida por uma onda:

"Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo o tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua e se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer é cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano era ficarmos bem?"

E depois de me afogar bem aqui e sentir a visão embaçar pelos olhos marejados, houve o misto de sentimentos em "Por Enquanto", ainda que bem mais leve que antes. Mas não deixou de ser catártico. Se fosse o arranjo da versão de Cássia Eller talvez eu tivesse me afogado em mais memórias e lembranças. Mas, ainda assim... que merda é o luto, né? Que merda é a morte, né? Nada de "novo", nada "fantástico" ou extraordinário, que... merda. Que merda viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo. O próprio cantor da música morreu jovem. Que merda.

Queria encerrar esse texto de forma bonita, mas não vou conseguir. Ainda estou revoltada por não poder compartilhar com minha mãe a experiência do show. E não quero saber do "espiritual", foda-se, eu queria o carnal. Como não consigo deixar de lado meu azedume, vou pegar emprestadas as palavras de Renato Russo mesmo.

"Nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim, tão diferente

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar

Que tudo era pra sempre

Sem saber que o 'pra sempre' sempre acaba?

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou

Quando penso em alguém

Só penso em você..."

Te amo, mãe. Obrigada por tanto, mesmo agora. Um dia vou ficar bem.

domingo, 9 de março de 2025

Que difícil viver, às vezes.
As vezes morrer parece realmente uma opção boa... Atraente

Porque o peso de viver sem paz é demais pra carregar, você só quer desligar um pouco. Pode chamar de fraca, de covarde, de ingrata, do que for. Mas ninguém está sob minha pele.  Ninguém sabe as dores que eu sinto nem o desespero que bate quando eu sinto que não estou conseguindo. 

Talvez seja só uma questão de desequilíbrio - seria o que eu diria para qualquer pessoa, para ela continuar. 

"Busque o equilíbrio, de substâncias, de prioridades, de qualquer coisa, tente buscar o equilíbrio" 

Estou muito cansada pra seguir meus próprios conselhos, eu só queria era desistir de tudo mesmo, infelizmente. E infelizmente a opção mais atrativa é a mais dramática.

Ouso dizer que só não a coloco em prática de verdade porque eu penso nos outros que seriam afetados por isso. Ainda que os outros não tenham ideia do peso que carrego, e do quão difícil é somente levantar e seguir em frente na maior parte dos dias. 

Abrir os olhos já me coloca num lugar de cobrança, eu preciso fazer algo porque estou viva. Eu preciso viver porque eu estou, eu sou, eu nasci, dizem que quem nasceu já venceu a morte, e eu gostaria muito de abraçar esse discurso da dádiva que é a vida, o presente.

Por favor se forem me julgar, me julguem sem me deixar perceber. Infelizmente minha intuição funciona muito bem pra coisas ruins. Meu sistema nervoso está sempre em alerta, se eu não estiver sob efeitos de drogas (aceitas e/ou rejeitadas socialmente) eu estou sempre em alerta. O que significa que uma tarefa simples como interagir em público me deixa à beira do precipício só pela obrigação de interagir e lidar com meus demônios envolvidos na atividade. 

Socorro...

Depois que você morre, as pessoas sairão em busca de sinais. Bem, sempre haverão modos de culpar a negligência de alguns. A falta de cuidado, de atenção. Meu ponto é sempre: há como alguém evitar um outro alguém seguir por um caminho que ele já decidiu veementemente seguir? Há? Eu duvido. Talvez haja o milagre de você dar motivos para ele seguir o caminho oposto, mas geralmente ele já considerou tudo o que você já vai colocar como argumento. E boa sorte com isso a nós.