segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O ar é gelado, eu sinto os meus lábios querendo rachar... Mas as lágrimas são quentes. Lágrimas que jurei não derramar por esses tão esperados dias, eu não aprendo a lição mesmo. Essas coisas a gente não escolhe sabe? Principalmente se somos pessoas tão desordenadas por dentro. Viver assim é como caminhar a beira de um precipício. A gente só vai, e pede a Deus equilíbrio e livramento. Pede que Ele nos proteja sempre daquele mesmo mal. Já te passou pela mente não andar mais por esse caminho? Não. Porque você não conhece outra forma de viver. 

Os barulhos da madrugada, antes acolhedores, passam a te assustar. Só não te assustam mais que o teu próprio pensamento. Que o teu próprio corpo. A mente está quase que desconectada, você sente que precisa sair de seu corpo para ir buscá-la. Me pergunto quem nunca se sentiu assim. Me pergunto se vocês respeitam tanto a morte quanto eu?

Prefiro não pensar no por que eu resolvi trazê-la a tona. A verdade é que ela nunca vai embora, não de verdade. Ela faz parte dessa colcha de retalhos cheia de buracos, ela é quem vai receber esse presente do fim do caminho.

Será que se eu chorar mais, consigo congelar as lágrimas? Meu peito dói. Me vem a cena de um filme a cabeça, de final trágico, como de praxe. Eu quero muito sair dessas espirais malditas, mas não sei como. Eu sinto que podia começar a verbalizar meus desejos funestos para que eu pudesse enfim ter o fim que mereço. Eu preciso mesmo estar bem para amanhã, e não consigo. Estou caindo caindo caindo caindo.... Quando menos poderia. Estou estragando tudo, de novo.