Eu só queria me livrar desse
sentimento de ser espectadora de minha própria vida. Alguém na platéia muito
preocupado com a opinião do público sobre um espetáculo que foi feito para
agradá-lo. No lugar de minhas ações e
minhas falas, estão somente protótipos de mim, repletos de expectativas
alheias, pouquíssimo material é autêntico. Às vezes me sinto tão presa nesse
espetáculo que a vontade é a de explodir o teatro e danem-se as conseqüências.
Parece ser mais fácil que ter a coragem de levantar a bunda da cadeira e pisar
no palco de vez. Sem fala decorada, sem ensaio. Somente eu e minha
espontaneidade desafiando os críticos de plantão. Me entenda ou caia fora. Me
transcreva, me estude, se interesse por mim ou então vá perambular em outro
teatro, opiniões vazias de pessoas cheias de ódio não me interessam. Opiniões
preconceituosas de pessoas vazias muito menos. E assim eu seria dona do meu
próprio espetáculo, dançaria, cantaria, erraria o compasso, cairia, levantaria,
choraria, tentaria de novo, acertaria, riria, viveria num ciclo eterno de atuar
e aprender. Se eu fosse uma pessoa normal. Se eu fosse uma pessoa feliz.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
segunda-feira, 3 de abril de 2017
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