quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nostalgia .

E às vezes dá saudade até do velho cabelo. Que esvoaçava no correr de uma antiga rotina. 
As borboletas eram mais constantes e menos violentas.



Hoje elas viraram gastrite.
Mas gosto mais do cabelo atual... Embora ele mal esvoace. 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A boneca .




Ela sempre esteve lá. No meio de tantas cores e modernidades, no meio de tantas habilidades alheias, que eu nunca a tinha reparado antes. A boneca aparentava ser de porcelana, mas quando caiu, nem a pintura rachou. Lembro mais das inúmeras vezes em que alguém ia mexer numa boneca de pilha e sem querer batia nela. Então eu a apanhava de todo jeito e a colocava de volta em seu lugar.

Às vezes eu ficava tão perdido entre as cores, músicas e belezas das outras que eu nem reparava que ela já estava no chão novamente. E, se não fosse o dono da loja... Coitada da bonequinha. Ainda estivesse lá, a depender de mim.

Eu precisei limpar a estante onde ela ficava e tive que tirá-la com cuidado de seu lugar de praxe, com minhas próprias mãos... E somente segurando-a delicadamente pude perceber que todas as quedas a afetavam, afinal. Por dentro. Balancei com cuidado e ouvi um barulho engraçado de caquinhos de vidro se chocando. Ela era bem frágil, interiormente, sequer desconfiava. Não tinha como abri-la e consertá-la. Corria o risco de quebrá-la de vez. Mas, mesmo assim, eu me dispus a cuidar dela, de alguma forma.

Todos os dias eu a limpava e a colocava num lugar de destaque, para que todos pudessem vê-la e não a derrubassem mais. Engraçado, ela passou a chamar muito mais a minha atenção. A loja era cheia de novidades, que sempre me encantavam, mas ela tinha algo que nenhuma daquelas bonecas de plástico, movidas a pilha e repletas de sons tinha. Era clássica, alva, discreta em seus traços marcantes, um trabalho muito bom, devo admitir. Parecia até ser artigo de outra década. E aqueles olhos que expressavam toda a sua quietude e meiguice. Dependendo do ângulo, também passava uma expressão divertida em sua face, contrastando com as vestes de cetim muito bem trabalhadas. Ela passou a ser a minha favorita desde então. E olhe que eu conhecia muitas, muitas delas. É que ela me passava algo especial, que eu não sabia bem o que era (até hoje não sei), algo que aquelas bonecas modernas da vitrine, todas iguais, não passavam.

Percebi que, mesmo no lugar onde eu a havia colocado, numa prateleira só dela e bem no centro da loja, ela não chamava atenção. As pessoas até a percebiam mais, mas passavam direto. Não reparavam em seu encanto. O que me levava a questionar ainda mais sobre o que elas queriam... Por que elas só apreciavam aquelas bonecas tagarelas todas tão parecidas? Francamente, também não me importava a reposta. O que importava era que eu poderia observá-la todos os dias, de meu canto, sempre cuidando para que ela não fosse derrubada por alguém.

Um dia me perguntei sobre a hipótese de alguém percebê-la verdadeiramente e levá-la. Então a coloquei numa prancha antiga, que ficava no fundo da loja, temeroso de que um outro alguém tivesse a mesma opinião que eu a seu respeito. O fato era que eu estava no 3º ano de meu emprego ali e nunca um artefato tinha me chamado tanto a atenção. Ela era mesmo a melhor. E eu demorei a perceber que poderia tê-la para sempre. Não era preciso escondê-la.

Um dia, certo alguém resolveu conhecer a loja de canto a canto e a levou, antes que eu pudesse cair em si. Parecia ser o tipo de dono que ela merecia, um cavalheiro nobre e colecionador, com certeza cuidaria bem dela. Mas, e eu? Não a merecia? Eu o alertei de seus probleminhas internos, mas mesmo assim os olhos dele não pararam de brilhar. Porém meus olhos brilharam primeiro... E, de alguma maneira, ela não estaria ali, se não fosse meus cuidados. Ela era minha, de algum jeito, eu sentia que sim.

No fim do ano fui transferido para outra loja, uma filial. Distante da antiga achava que seria mais fácil esquecer toda aquela história que, em meus pensamentos, já havia nomeado como boba. Acontece que o sentimento de perda ainda era grande, mesmo que fizesse um pouco de tempo, era como se ela ainda estivesse ali, a precisar de meus cuidados. Mesmo que a loja fosse outra... Loja de bonecas eram muito parecidas. Muito.

Eu queria mesmo encontrar aquele cavalheiro novamente. Quem dera. Pediria para segurá-la e contemplar seus detalhes pelo menos uma última vez. E quem sabe me convencer de que ela nunca me pertenceu, realmente... Mas poderia. 
Ela estava em minhas mãos.

domingo, 13 de junho de 2010

O nome disso é fé

Numa hora tudo está bem, e de repente tudo desmonrona. As lágrimas caem e você sabe que não é por um motivo específico. Você está sobrecarregado, na verdade, de tantas coisas pequenas, e isso torna-se um GRANDE problema. Você se vê cansado em meio a tantas lutas e frente a ainda mais provações. Então você suspira e olha para os lados... As pessoas parecem não compreender o seu momento, por mais amigos dispostos a te ajudar, não vai adiantar, pois é algo particular SEU. Você olha para baixo e só o que vê é algo amargo e indesejável, parecido com derrota, mas em estado momentâneo, que te faz querer jogar tudo pro alto e assumir de vez sua incapacidade mortal. Então você esquece do mais importante...
Olhar pra cima.
Sim, em meio a tanta confusão e a tantas derrotas, a gente se sente extremamente só, pois ninguém parece passar pela mesma luta que nós. Nos esquecemos de que existe sim alguém que sabe até melhor que nós mesmos sobre a nossa dor, sua intensidade, e é o único que pode nos ajudar em momentos assim. Deus.
E se não fosse Ele, meus amados, eu não teria mais motivos para prosseguir. O que seria de mim sem a Sua mão protetora? É uma pergunta que tenho medo até da resposta.

Ele nunca nos faz passar por provas que nos destruirão por completo... Ele dá apenas o que cada um suporta, segundo seus limites. E quando não houver mais limites? NELE encontraremos a chave para o IMPOSSÍVEL. E, quer saber? Ele é mesmo o autor de meus momentos, todos eles, até do críticos... Mas nada que Ele faz é em vão. Às vezes só o amor não basta para crescermos, é necessário sentir a dor, nos puxando pra realidade e nos preparando para suportar cada vez mais. A vida não é realmente fácil, e não é privada de dor pra ninguém. A diferença está em suas fontes de conforto...
Ainda bem que a minha é eterna. =)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ausência

Adoro avaliar as situações. Simplesmente amo ficar um pouco fora da conversa, do ambiente e do clima, pra ficar a sós com meus pensamentos e minhas análises. Eu não me conformo com o tédio que sinto ao observar as pessoas, é incrível e frustrante. Por que têm de ser tão iguais e previsíveis? São como aqueles filmes que você saca o final somente ao ler a sinopse. Sem grandes surpresas, sem coisas diferentes... Sempre, sempre e sempre os mesmos clichês. As mesmas reações frente a uma situação e a mesma ausência de... Brilho. Para mim.
Acima de tudo, eu gosto de auto-avaliação. E qual não é minha decepção ao contemplar o quão sem-graça eu consigo ser, também. Meus amigos reclamam que eu sou imprevisível, um livro difícil de ler, tudo nas entrelinhas e nada óbvio... Quem dera eu fosse. De minha parte, penso que é apenas uma reação frente a alguém que costuma gostar do diferente, do misterioso e intrigante. É, essa sou eu. E isso parece contrariar pessoas o bastante, ao perguntarem minhas preferências e gostos. Mas isso não importa.
Odeio o óbvio, e tenho pavor de rotinas.  Tenho muito mais fases que a lua, e essa parte de mim, aprecio. 
Quem sabe o problema esteja na minha incessante busca da ficção em minha realidade, eu gostaria mesmo de fundi-las em muitas situações. As pessoas, com certeza, seriam mais interessantes, tão intrigantes quanto um mistério policial escrito com umas pitadas de romance e sarcasmo. Ah, meu sonho.
Com um pouco de prática, até que é fácil suportar a ausência de brilho e encanto em personalidades distintas, e até que um sorriso pode ser mais cativante quando você não espera muita subjetividade dele. É muito óbvio, e ausente de significados, mas ainda assim um sorriso. E você tem que aprender a lidar com isso.

sábado, 5 de junho de 2010

Sinestesia

Goste de mim não por causa das coisas que gosto. Goste de mim não por conta da cor de meu cabelo, nem do meu estilo ou minhas habilidades (nesse caso, ausência...). Goste de mim não por meus sonhos,  meus planos,  minhas idéias ausentes ou repletas de sentido. Não goste de mim por minhas fotos do orkut ou  pelo modo como me expresso. Não goste de mim pela forma que eu lido com você, ou que já lidei. Não goste de mim por minha concepção de realidade, nem por não ligar simplesmente pra tantas coisas... Sério, não goste de mim por quem JÁ FUI algum dia, ou pelo que JÁ FIZ. Também não pelo que faço, simplesmente. 
Você consegue ver? Ouvir? Tocar eu sei que não... 
Sentir?
Me confunde e me alivia, vê que estranho... 
Essa tal sinestesia. 
Mas, enfim, goste de mim.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sobre ciúmes

Corrói, destrói, rói, rói, rói...
Buraco no peito, angústia pequena em constante crescimento.
Situações desmerecidas, vividas, a aparência do medo travestida no bom visual e no falar,
Instinto de não querer compartilhar o doce olhar.
Admirar... Que seja de longe.
E que o falar seja frio.
Somente a aproximação de um outro coração vazio,
provoca de novo a erupção nesse terreno baldio...
Emoção forte, vento de sul e norte,
seguido de súbito arrepio.
Qual a fórmula, qual o segredo?
Ignorar já não resolve mais.
Boa resposta, saber lidar com o medo,
e quem sabe assim, ter de volta a paz...

Uma saudação apenas e toda a calmaria interna vai pelos ares.

(...)