quarta-feira, 22 de março de 2017

Inspiração, melancolia, TPM... Seja lá o que tenha sido: passou. Infelizmente.
Assisti a um musical e a um filme/documentário, ambos sobre as vidas de pessoas que possuem sonhos e acabei me iludindo por um momento de que eu sou igual a essas pessoas: possuo talento e sonhos.
Estou um pouco aflita em me colocar no mesmo patamar que elas. Não pela dos sonhos... Creio que não é preciso grandes dotes para ser um sonhador, e acredito que boa parte das pessoas são ou já foram sonhadoras em certo ponto de suas vidas. Meu receio é mais pela parte do talento, eu não me julgo capaz ou ousada o suficiente nesse aspecto. Acho que eu tenho somente uma paixão por escrever, nada demais. Eu não consigo crer que algum dia eu terei alguma ideia brilhante, e que serei capaz de desenvolvê-la através de meus talentos. Eu não quero ser famosa, eu queria somente influenciar vidas e ter o poder de transportá-las através das palavras, para universos fantásticos, acolhedores e mágicos. Universos que tenham o poder de abstraí-las da realidade crua, porém não as deixem satisfeitas em apenas mergulhar numa ficção. Queria que esse universo trouxesse reflexões e mensagens de força e fé a essas pessoas, que lhes tragam verdades e ensinamentos para serem aplicados ao mundo real.
Mas, quem sou eu para tamanha vocação? 

terça-feira, 21 de março de 2017

Às vezes eu fico triste por coisas que eu nem sei por quê. Depois quando analiso o motivo da tristeza, percebo o quão inútil e sem sentido é. E então me sinto mal. Por todos os pensamentos gastos naquilo. Por toda angústia não merecida. Então me sinto fraca. Porque deixei mais uma vez maus pensamentos me dominarem.
Discipline sua mente, eles dizem.
Não é como apertar um botão ou fazer uma lista de coisas que eu preciso parar de pensar. Não há fórmulas. Na maioria das vezes me sinto fazendo tudo errado, de novo e de novo. Um ciclo sem fim. Minha mente insiste em passear por lugares perigosos, lugares nada saudáveis, lugares que têm o poder de acabar com o meu dia inteiro.
Sinto como se eu mesma buscasse aquilo que mais me desespera, aquilo que mais me mata. Sinto que sou a única a alimentar meus medos e angústias, as situações e os terceiros são meros detalhes. Como se eu tivesse me acostumado a viver assim, com todos esses pesos. Como se eu tivesse aceitado que essa é a única forma de viver cabível em mim.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia das Mulheres

Nunca fiz questão de ganhar flores, nunca entendi muito qual a do simbolismo e a utilidade do gesto. Não sei nem que cara fazer quando vi que o presente foi flor em vez de comida, ou livro, ou algo "a minha cara". Mas, nada contra quem gosta e se sente amado dessa forma no dia de hoje. Isso não me incomoda, vai da visão e da delicadeza de cada um. A questão é que a data de hoje é muito mais reflexiva, muito mais sobre luta e igualdade de direitos que um dia pra mimar as mulheres e postar foto com legenda enaltecendo-as como um "artigo de luxo". O reconhecimento, o carinho e o respeito têm que ser diários. Assim como a nossa luta tem sido. Porque sim, ser mulher é uma luta diária. Ser mulher é ter que (sobre)viver nessa jaula que a gente chama sociedade machista, requer muita força e resiliência. Hoje meu maior incômodo é perceber que há muitos homens usando esse dia pra destilar ódio e machismo em suas "homenagens". Exaltam mulheres com certos tipos de características, usam a nossa data pra diminuir aquelas que não se encaixam em seus padrões. Homens que não entendem que nem toda mulher é uma "flor". Se você assim se vê, tudo bem, mas esse texto parte de alguém que nunca se sentiu contemplada por isso. Nem toda mulher se encaixa nesse estereótipo bonito, delicado, meigo, cheiroso e disponível que eles criaram na cabeça deles. Nem toda mulher quer casar e ter filhos, nem toda mulher é romântica, nem dada ao sexo, nem toda mulher espera cavalheirismo dos homens ou a aprovação deles. "Feliz dia das mulheres para aquelas que sabem ser mulher" "Feliz dia das mulheres para aquelas que se dão o devido valor" OU SEJA, mulheres são somente aquelas que se encaixam em certas expectativas comportamentais? Aquelas que se encaixam nesses padrões "femininos"? São esses mesmos homens que em seu dia a dia não dividem as atividades domésticas, jogam tudo pra sua mãe, irmã, esposa, filha fazerem. Homens que riem de piadas machistas que denigrem a imagem das mulheres. Homens que acham que assédio é frescura, e que a vítima sempre deve ter provocado o agressor de alguma forma. Homens que traem as suas esposas ou namoradas combinando seus esquemas com outras mulheres no whatsapp ou vêem pornografia escrota escondido delas. Homens que não respeitam os limites das mulheres, que não sabem ouvir "não". Homens que não entendem que o corpo da mulher é somente dela e ela faz dele o que bem entender. Esse tipo de homem hoje tá lavando a consciência (supondo que ainda exista um resíduo disso) comprando flor, chocolate, pra suas mulheres, levando-nas pra jantar fora nesse dia especial. Esse tipo de homem que tá se achando no direito de escolher quem deve ou não deve ser homenageada hoje. Em NOSSO dia. Entendo que há mulheres sendo felizes hoje e sempre com homens que as respeitam e as homenageiam de milhares de formas. A questão não é essa. A questão é a camuflagem. A camuflagem bonita e comercial que evita um discurso mais aprofundado sobre direito da mulher e igualdade de gênero. Camuflagem essa que cobre relacionamentos abusivos, companheiros violentos, colegas de trabalho assediadores. Desconfio da gentileza de quem reproduz machismo em seus discursos. Em nada contribui pra minha concepção de respeito, nem pro ambiente seguro que eu almejo a todas nós. Por fim, já cansada, queria somente desejar um feliz dia das mulheres. E lembrar que sim, estamos todas de parabéns. Porque somos todas sobreviventes. Todas. Principalmente aquelas que não se encaixam nos padrões de beleza, comportamento e moralidade deles. Acaba que, no fim do dia, as flores murcham, os chocolates acabam, e só a gente sabe e sente que a luta continua. As coisas erradas ainda estão todas ali. E, na maioria das vezes, a gente só tem umas às outras.