quinta-feira, 2 de abril de 2026

 depois de quase uma hora de choro ininterrupto

 sobrou o vazio.

e então o peso.

como um espírito sentado em meu peito, deitei virada pra cima esperando o que quer que quisesse me possuir vir logo

nada veio. além da própria tristeza.

a vermelhidão dos olhos ressequidos me fez buscar um alívio na escuridão

por que o escuro não me abraça e não me traz mais emoção?

estou crescendo? ou perdendo a noção?

o sono não veio. ele nunca vem.

foi substituído por um cansaço e um aturdimento quase cômicos

precisei tanto do sono e fui enganada 

como se corpo e mente entrassem em guerra sobre quem manda mais, sobre quem precisa ceder mais

outra crise de choro por antecipação

meu deus eu não quero me colocar para ouvir o sofrimento alheio

tampouco quero continuar presa aqui, no meu

eu não sei o que fazer, sequer tenho com quem conversar

correção

não tenho quem me ouça sem ter suas energias sugadas

não tenho quem me ouça sem me fazer sentir exposta e vulnerável a ponto de querer tossir os próprios órgãos no dia seguinte de arrependimento