depois de quase uma hora de choro ininterrupto
sobrou o vazio.
e então o peso.
como um espírito sentado em meu peito, deitei virada pra cima esperando o que quer que quisesse me possuir vir logo
nada veio. além da própria tristeza.
a vermelhidão dos olhos ressequidos me fez buscar um alívio na escuridão
por que o escuro não me abraça e não me traz mais emoção?
estou crescendo? ou perdendo a noção?
o sono não veio. ele nunca vem.
foi substituído por um cansaço e um aturdimento quase cômicos
precisei tanto do sono e fui enganada
como se corpo e mente entrassem em guerra sobre quem manda mais, sobre quem precisa ceder mais
outra crise de choro por antecipação
meu deus eu não quero me colocar para ouvir o sofrimento alheio
tampouco quero continuar presa aqui, no meu
eu não sei o que fazer, sequer tenho com quem conversar
correção
não tenho quem me ouça sem ter suas energias sugadas
não tenho quem me ouça sem me fazer sentir exposta e vulnerável a ponto de querer tossir os próprios órgãos no dia seguinte de arrependimento
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pega leve.
sou sensível.