domingo, 19 de maio de 2019

Os velhos vícios me dominam e me corroem pouco a pouco. Disseram que é lixo emocional acumulado. A renovação virá quando eu largar o conteúdo dessa bagagem, um por um, num abismo do qual eu mesma me perca, e nunca mais encontre. Talvez essas manias estejam me cegando pro futuro, para as novas possibilidades. Enquanto o que for "novo" me assustar, terei o hábito de adaptá-los e encaixá-los em velhos esquemas. É injusto e frustrante. Pois as borboletas mereciam nova chance de alçar voos, em vez de serem aprisionadas com a justificativa de "vocês lembram o que aconteceu da(s) última(s) vez(es)".

Cada vez é singular. Cada borboleta tem uma personalidade diferente, embora sejam feitas do mesmo núcleo. Cada bater de asas difere do outro, apesar das semelhanças, cada história tem as suas próprias peculiaridades. Como se não bastasse a energia gasta com preocupações fúteis e inúteis sobre a superfície, tenho dispendido um esforço tremendo para disfarçar as explosões daqui de dentro. A falta de clareza sobre o que sinto e gosto, por outro lado, deveria eu ter tantas convicções assim? Sigo preocupada com as pistas, os sinais. Cada gesto pode ser revelador, você sabe, é como estar treinando malabarismo em um circo pela primeira vez, eles te jogam objetos cada vez mais difíceis e uma hora a farsa acaba, eles descobrem, você não tem a habilidade.

Estar navegando em novas águas traz aquele tremor do frio na barriga, a ansiedade, ao mesmo tempo em que aquece tudo por dentro e te traz uma urgência de saltar de cabeça. É contraditório e instigante. O medo está sempre ali, de mãos dadas com a excitação. Tem horas que há conflitos incessantes entre eles, e, francamente, não sei por qual lado torcer, às vezes. É tudo (m)eu. 

Não deveria eu estar preocupada com o excesso de metáforas e simbolismos aqui enquanto que há textos fresquinhos, crus e abertos, bem ao alcance de meus dedos, através da ponta da caneta? Derramei a minha alma no papel, aquilo que posso tocar, cheirar, corrigir, riscar, circular, alisar, como numa tentativa de concretizar coisas abstratas da mente (e do coração). Tem dias que eu gosto do que leio ali, tem dias que eu prefiro não me encarar. Meus textos escritos são autorretratos dos quais poucos terão o privilégio e capacidade de tocar e entender. Esse espaço aqui? É somente uma brecha no muro. E eu não tenho a menor vontade de tapá-la. Quem sabe um dia eu não tiro uns tijolos e facilito a vista? Deve ser medo de que julguem mal a minha paisagem.

terça-feira, 7 de maio de 2019

não desiste não, acredita que tem mais chão pra pisar
insiste em marcar o psicólogo, volta a fazer uma atividade física, sem pressão, sem agonia, só pelo prazer de se cuidar.
não desiste de estudar, tenta encontrar prazer em cada descoberta realizada. deixa de encarar os livros como obrigações e metas a cumprir.
aproveita o passeio.
não precisa vestir uma fantasia de que a vida é fácil, de que o caminho é sempre cheio de flores e perfumes, não tô te pedindo pra fingir.
só te peço pra não desistir, por favor, você é a única que pode se levar aos melhores lugares.
você é a única que pode se cuidar melhor, ninguém mais está sob essa pele, só você sabe, só você sente o gosto. só você pode se permitir continuar.
se você for embora, a vida de todo mundo vai continuar... os pés continuarão marchando, ainda que alguns estejam tristes, mas eles não vão desistir, que é o que você deve fazer agora.
sua vida é um sopro, ja te falaram isso? pode acabar num segundo, por isso você não pode mais desperdiçar essas horas deitada, sem nada fazer, desejando que alguém a apague.
você merece mais, não desiste não, por favor.
se você desistir nunca vou poder provar meu ponto de que há muito mais do que você consegue ver. se você simplesmente fechar os olhos, vai se limitar somente ao agora. é um conhecimento superficial.
não desiste não, por mais que esse corpo, esse rosto, te pareçam estranhos, eu juro, você é real, aí dentro há algo para se conectar ainda (e tudo vai fazer sentido).
você vai se redescobrir (ou quem sabe descobrir pela primeira vez) e tudo vai se encaixar. você é um encaixe, não desiste de se sentir assim, por favor... não sei mais como te pedir pra continuar.
só você sabe o peso que carrega, a respiração cansada, eu quero te garantir que todo fardo vai se dissipar quanto as coisas fizerem sentido.
não desiste de ser você, não tenta mais se desgastar pra caber em padrões que, pelo amor de deus, não fazem o menor sentido.
não desiste de ouvir quem te ama, não duvida deles, não pense que eles estão inventando, ele realmente te enxergam dessa forma incrível.
não desiste não de se encontrar, por favor. não desiste de si mesma.
vai valer a pena, vai valer. e a gente ainda vai rir muito juntas, te prometo.