Os velhos vícios me dominam e me corroem pouco a pouco. Disseram que é lixo emocional acumulado. A renovação virá quando eu largar o conteúdo dessa bagagem, um por um, num abismo do qual eu mesma me perca, e nunca mais encontre. Talvez essas manias estejam me cegando pro futuro, para as novas possibilidades. Enquanto o que for "novo" me assustar, terei o hábito de adaptá-los e encaixá-los em velhos esquemas. É injusto e frustrante. Pois as borboletas mereciam nova chance de alçar voos, em vez de serem aprisionadas com a justificativa de "vocês lembram o que aconteceu da(s) última(s) vez(es)".
Cada vez é singular. Cada borboleta tem uma personalidade diferente, embora sejam feitas do mesmo núcleo. Cada bater de asas difere do outro, apesar das semelhanças, cada história tem as suas próprias peculiaridades. Como se não bastasse a energia gasta com preocupações fúteis e inúteis sobre a superfície, tenho dispendido um esforço tremendo para disfarçar as explosões daqui de dentro. A falta de clareza sobre o que sinto e gosto, por outro lado, deveria eu ter tantas convicções assim? Sigo preocupada com as pistas, os sinais. Cada gesto pode ser revelador, você sabe, é como estar treinando malabarismo em um circo pela primeira vez, eles te jogam objetos cada vez mais difíceis e uma hora a farsa acaba, eles descobrem, você não tem a habilidade.
Estar navegando em novas águas traz aquele tremor do frio na barriga, a ansiedade, ao mesmo tempo em que aquece tudo por dentro e te traz uma urgência de saltar de cabeça. É contraditório e instigante. O medo está sempre ali, de mãos dadas com a excitação. Tem horas que há conflitos incessantes entre eles, e, francamente, não sei por qual lado torcer, às vezes. É tudo (m)eu.
Não deveria eu estar preocupada com o excesso de metáforas e simbolismos aqui enquanto que há textos fresquinhos, crus e abertos, bem ao alcance de meus dedos, através da ponta da caneta? Derramei a minha alma no papel, aquilo que posso tocar, cheirar, corrigir, riscar, circular, alisar, como numa tentativa de concretizar coisas abstratas da mente (e do coração). Tem dias que eu gosto do que leio ali, tem dias que eu prefiro não me encarar. Meus textos escritos são autorretratos dos quais poucos terão o privilégio e capacidade de tocar e entender. Esse espaço aqui? É somente uma brecha no muro. E eu não tenho a menor vontade de tapá-la. Quem sabe um dia eu não tiro uns tijolos e facilito a vista? Deve ser medo de que julguem mal a minha paisagem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
pega leve.
sou sensível.