terça-feira, 19 de março de 2019

Divagações da madrugada de um coração inquieto

Hoje consegui ouvir aquela música de The Smiths sem chorar. Completei uma marca de seis dias sem ir atrás de coisas indevidas nas redes sociais. Porém ouvir essa música sempre traz um reboliço de emoções. Mais como uma nostalgia, lembranças de um tempo que passou rápido demais. Sempre vai ser sobre como eu me sentia ouvindo isso, associando a uma pessoa. Cantar cada parte da música como se fosse eu a autora, absorver cada verso e melodia com propriedade. Isso não acontece facilmente comigo. Essa música vai sempre ser especial pra mim de uma forma inexplicável.

Senti vontade de escrever para ela, de novo, mas não sei se devo. Estou no processo de apenas viver a minha vida, lembra? Aos poucos estou parando de fazer coisas que não são saudáveis. Eu não espero mais o presente prometido que não vem. Eu parei de buscar coisas na internet que eventualmente me deixavam triste. Como o fato dela ter escondido algumas coisas simples de mim, ou que esteja mentindo agora sobre coisas que conheço (ou julgava conhecer). Será que eu a conheci mesmo como acho? Eu me rasguei inteira por ela, das partes bonitas às mais feias, e hoje me pego pensando se eu realmente a conheci. Hoje eu começo a entender como é que eu preciso fazer pra deixar o passado no passado.

Eu estou confusa, no momento (e quando não estou?). Há coisas que eu não quero encarar, então evito pensar sobre. Minha mente não precisa de mais labirintos pra eu me perder antes de dormir. Todos os meus eu's estão em desacordo, é simplesmente infernal quando sentam para conversar. Um quer engolir o outro. E ninguém se ouve. Sinto que preciso que cheguem a um consenso, para que eu durma em paz.

Respiro sentimentos, mas não quero falar sobre eles. Vai que eu acho algo indesejado ou complicado demais para lidar? Não estou em meu melhor momento. Não posso regredir. Quero evoluir, quero me abraçar nessa fase de vida, e não mendigar abraços e carinhos. Porém, sem afastar aqueles que tanto amo. Aqueles que cada vez mais tem ciência do quão sou complicada. É um tiro no escuro se abrir tanto assim. Mas é necessário. Há muitas feridas mal saradas debaixo desse pano. Sob ele fica difícil iniciar o processo de cura, é preciso coragem para deixar a ferida respirar. Expor ela ao sol, em seguida jogar o remédio. Não esquecer de lavar antes.

Alguém me dá um abraço e diz que vai ficar tudo bem? É que às vezes bate um medo desesperado das coisas incompreensíveis. Das incertezas da vida. Me parece que eu sou uma pessoa intensa, porém que necessita viver uma coisa de cada vez. Parece que eu sempre vou crescendo cheia de atropelos, atravessando tudo pelo caminho, indo pelas moitas que tem espinhos e somente ao fim eu desmaio de cansaço e vou olhar as feridas. Geralmente me curo sozinha (tento). Escondo a maior parte dos ferimentos, mostro aqueles superficiais para que não fiquem tão preocupados. Dos mais profundos eu cuido cada dia um pouco. 

Mas, devo admitir, tudo isso cansa. E quando eu desabar de cansada, eu queria ter onde me aninhar. Durante toda a vida tenho me comportado como se não precisasse de muita coisa. Sem pedir ajuda. E nesses momentos em que meu universo se encontra em colisão, precisando ser cuidado, eu percebo que sinto muito a falta de um abrigo. De braços ao redor, palavras acolhedoras que me prometam paz. Que me prometam que tudo ficará bem. 
Quando foi mesmo que eu tive isso? Que estive nesse papel?

quinta-feira, 14 de março de 2019

Parece que quanto mais as pessoas me conhecem, mais elas duvidam de minhas capacidades. 
Tenho a impressão que, de longe, todo mundo acha esse remendado bonito e admirável, porém de perto, analisando cruamente os remendos, as misturas de tecidos, o emaranhado das linhas, tudo é muito feio. Eu sei que quanto mais me aproximo de alguém, mais eu quero me sentir à vontade pra mostrar as multifaces aqui dentro. Mas quanto mais o faço, mais me sinto exposta e vulnerável, sujeita à julgamentos. E se eles descobrirem que eu faço mais mal que bem? Que a minha presença é tóxica, que eu só presto para relações superficiais, pois ninguém suporta essa intensidade e aproximação? Se relacionar é se arriscar. Eu tenho medo de perder pessoas. E pra isso tento ser a melhor pessoa possível pra elas. Eu preciso mesmo da aprovação delas? De que outra forma elas poderiam me amar? Se amor é profundidade, por que tanta gente se afoga aqui dentro e prefere nadar em superfícies mais rasas? Eu não sei se estou preparada pra ter essas respostas. Eu deveria me achar suficientemente boa, a ponto de me sentir segura em compartilhar as coisas mais íntimas, as dúvidas, anseios. Começo a querer filtrar tudo, para que as pessoas se contentem com a superficialidade. Para que elas não achem razão para ir embora. Da superfície é bonito, não tem rachadura.