Ser o protagonista de sua própria história é tão difícil. Digo, nem quero adentrar muito na questão de príncipes e princesas, mulheres que decidem ser resgatadas em vez de suas próprias heroínas. A questão aqui é: e se você de repente decide que a sua história não tem heróis? Se sua vida for apenas um espetáculo no qual a sua participação foi limitada a assistir várias cenas, porém não atuar em nada importante? Seria isso possível? Será que há pessoas destinadas a serem super heroínas e pessoas destinadas a serem simplesmente algo comum e sem importância no espetáculo da vida? Por que eu sempre sinto que estou nesse segundo? O que de incrível teria em minha história?
Pessoas religiosas quiseram me fazer acreditar que grandes coisas estariam guardadas para mim, desde que eu seguisse assumindo condutas esperadas. Do ponto de vista bíblico e espiritual, eu não deveria estar querendo qualquer protagonismo ou hhologotes. E eu não sou essa pessoa. Porém quase que frequentemente, sigo buscando um tal reconhecimento. Coisa que me deixa preocupada com algo fútil como a opinião alheia. É tenso coexistir com esse peso sobre si. É injusto, sabe? Porque eu não me trato com gentileza. É triste e revoltante, mas eu sou costumada a colocar metas e padrões muito grandes sobre mim. Não sei quando comecei, de fato. Porém, gostaria de parar. Ninguém nasce assim. Então, deve ter alguma forma de parar esse trem (ou saltar dele, se for o único jeito).
Grandes responsabilidades me dão medo, mudanças de plano me deixam receosa, dias inesperados acabam me esgotando no fim das contas, críticas me deixam apreensiva. Quero alcançar aquele estado de coragem em que a pessoa não se deixa paralisar pelo medo, o abraça, e vai. Vai tremendo. Vai chorando. Vai com vontade de correr. Porém, passo a passo, vai ganhando um pouco de confiança. E não se arrepende. Eu ainda sou aquela que está estudando as cores e o material da porta... Passo por aqui o bastante pra saber quando alguém mexeu e destrancou. A maçaneta é um convite que ainda cogito aceitar. Por que eu sou tão covarde? Nas mínimas coisas me falta coragem. Eu não sei sequer verbalizar o que sinto, sigo perdendo preciosidades pelo caminho e acrescentando "e se?'s" às minhas torturas mentais.
Será que uma heroína pensaria dessa forma? Essa analogia não está soando mais tão boa, agora. Coloquei uma playlist para tentar me animar e concluir tarefas, porém me peguei reflexiva e perdida em lembranças boas. Então percebi que eu preciso me afastar. Sim. Sinto que necessito de um tempo reclusa. Hoje pensei diversas vezes sobre isso, sobre como as minhas melhores emoções tem andado sempre tão entrelaçadas a outras pessoas, e isso não é bom. Em nenhum contexto existe um final feliz para a seguinte situação: pessoa demasiadamente triste encontra pessoa extremamente feliz e vê nela uma das poucas fontes de felicidade. Obviamente é preciso um pouco de maturidade emocional para entender e identificar esse tipo de situação, antes que aconteca, mas estou numa fase em que, qualquer pessoa que se proponha a permanecer, ganha mais apreciação do que a considerada saudável. Em resumo, tenho feito tudo errado. Tenho exagerado nos cuidados e sentimentos terceirizados, e falhado ao máximo com os assuntos relacionados a mim e somente a mim.
Solitude é uma palavra que eu usei por bastante tempo, até perceber que o que eu estava vivendo era uma solidão escolhida. Foi sofrido. Não produziu bons resultados. Eu havia escolhido a solidão por me sentir inadequada, por não saber como interagir, por ter vontades de desabafar e não querer ninguém julgando minhas fraquezas. Não queria passar por isso de novo. Porém ainda não sei se eu queria ficar reclusa por uma necessidade de buscar real estado de solitude ou se tenho me sentido bastante sufocada para, estupidamente, abraçar a solidão de novo. Tenho tido vergonha de expor as minhas lutas diárias, de desabafar meus maiores medos, anseios, sentimentos, eu encontro segurança somente numa folha de papel. O cenário é o mais adequado possível para que eu retorne aquele isolamento horrível. Preciso muito focar na solitude. Eu preciso de mim, mas não me acho, não me tenho. Parece conversa de louco, mas eu lamento se você consegue entender a minha agonia.
Apenas sinto que, no momento, não tenho condições de assumir qualquer manto de heroína. Não excluindo as possibilidades futuras, apenas sinalizo cansaço e vontade de me aposentar sem nem mesmo ter começado. Isso vai dar bastante trabalho, sinto decepcionar.
Apenas sinto que, no momento, não tenho condições de assumir qualquer manto de heroína. Não excluindo as possibilidades futuras, apenas sinalizo cansaço e vontade de me aposentar sem nem mesmo ter começado. Isso vai dar bastante trabalho, sinto decepcionar.