quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Cheguei em 2019 escrevendo apenas para mim mesma, aproveitando folhas reais, canetas, me forçando a ter conexão com o ato. E tem até funcionado. Me prometi coisas que não conseguirei cumprir: ver o lado bom das coisas da vida. Das simples às complexas, cada dia tenho encontrado testes, e tenho falhado em todos. Não há novidades, a ansiedade me domina e me orienta, os sentimentos depressivos querem me consolar. Me apego ao que é incômodo, quero fugir dessa falsa segurança que eles me propõem. Quero ser e sentir coisas diferentes, sendo que tenho medo das fagulhas novas de mudança que estão surgindo em meu horizonte. Meus olhos são treinados para localizar as dores e as perspectivas de falha. Tenho tentado mudá-los sempre que possível, sempre que um amigo me lembra. Mas tenho me sabotado em várias coisas, ao ponto de no fim do dia perceber apenas meus erros e defeitos. 
Tenho desabafado empiricamente, e explicitamente, me encontro verborrágica e repetitiva. Quem sobreviver ao meu lado durante esses processos merece minha fidelidade eterna, não tenho dúvidas. Comecei o ano passando por um mês de transições, me encontro emocionada com as pequenas vitórias, porém temendo pelas derrotas em grande escala. Querendo coisas que não sei o nome, e com medo daquilo que sei nomear. Tendo dificuldades de deixar o passado onde ele deve ficar, comprometendo o presente sempre pensando no futuro. Cada dia há várias provas de fogo... E dizem que alegrias também. Por que eu sempre me apego àquilo que me agonia? É quase que um costume de viver assim, sempre vibrando, pulsando, absorvendo energias pesadas e dores quase que inventadas. Eles acham que sou eu quem escolhe ser assim, dessa forma meio dolorosa, em carne viva. Eles não sabem que eu não sei viver de outro jeito, e, às vezes, a dor dessa certeza é a que dói mais.