quinta-feira, 13 de março de 2025

20 de Agosto de 2023, sobre um show e memórias eternizadas

Passando por momentos de ressignificado emocional, talvez? Não escrevo esperando pelo milagre da convicção, quero apenas registrar as últimas coisas.

Como o sonho que tive na madrugada da data que seria o aniversário da minha mãe. Um sonho no qual ela estava viva e eu pedia colo. Como se fosse meu eu criança ansiando pela mãe, como nunca fiz antes. Ontem no show de Legião Urbana pensei nesse momento de meu subconsciente, ao cantar aqueles versos já tão batidos "quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui, com vocês?" No sonho eu literalmente pedi para dormir com a minha mãe. Eu, que até os 10 anos dormia com ela e minha irmã na mesma cama.

Eu acordei para trabalhar nesse 17 de agosto me sentindo tão... Incompleta. As lacunas em mim eram o vazio da saudade. O sonho me trouxe uma mãe realista, suas feições quase palpáveis. Cheguei a me acordar antes do despertador tocar, ainda estava escuro, e fechei os olhos com medo de coisas irreais à espreita em meu quarto. As coisas das quais tinha medo, no sonho, após ver um filme de terror. E por isso pedi colo, por medo.

Meu primeiro contato com Legião Urbana foram as fitas da minha mãe. Um dia eu estava com ela no centro do Recife, ainda bem pequena, ela parou um homem que estava vendendo "tapes", provavelmente piratas. Lembro que ela comprou algumas de Legião e, posteriormente, a chegada do microsystem em casa e do CD "Mais do Mesmo" foi o passo final de meu ritual de iniciação à banda. Ontem foi um show nostálgico e incrível.

Apesar de as músicas me tocarem pela identificação pessoal com os versos, foi impossível não direcionar alguns deles para ela, a "dona do mês de agosto" em meu subconsciente.

"Tenho andado distraído, impaciente e indeciso"

"Palavras são erros, e os erros são seus

Não quero lembrar que eu erro também..."

"Sempre precisei de um pouco de atenção

Acho que não sei quem sou

Só sei do que não gosto..."

"Todos os dias antes de dormir

Lembro e esqueço como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder..."

"Tudo é dor

E toda dor vem do desejo de não sentir dor..."

Nessas partes eu tive quase que uma catarse, mas era tudo sobre mim. Apenas eu e minhas confusões. Mas então veio a já mencionada "Pais e Filhos", cujo título já é uma forma de forçar a barra por si só. Até que foi leve. Só lembrei do meu sonho. Antes disso eu já havia sido estraçalhada por "Vento no Litoral" e "Por Enquanto".

"Dos nossos planos é que tenho mais saudades

Quando olhávamos juntos, na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui, dentro de mim?"

E quando tentei respirar, foi como levantar de um mergulho e ser atingida por uma onda:

"Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo o tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua e se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer é cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano era ficarmos bem?"

E depois de me afogar bem aqui e sentir a visão embaçar pelos olhos marejados, houve o misto de sentimentos em "Por Enquanto", ainda que bem mais leve que antes. Mas não deixou de ser catártico. Se fosse o arranjo da versão de Cássia Eller talvez eu tivesse me afogado em mais memórias e lembranças. Mas, ainda assim... que merda é o luto, né? Que merda é a morte, né? Nada de "novo", nada "fantástico" ou extraordinário, que... merda. Que merda viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo. O próprio cantor da música morreu jovem. Que merda.

Queria encerrar esse texto de forma bonita, mas não vou conseguir. Ainda estou revoltada por não poder compartilhar com minha mãe a experiência do show. E não quero saber do "espiritual", foda-se, eu queria o carnal. Como não consigo deixar de lado meu azedume, vou pegar emprestadas as palavras de Renato Russo mesmo.

"Nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim, tão diferente

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar

Que tudo era pra sempre

Sem saber que o 'pra sempre' sempre acaba?

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou

Quando penso em alguém

Só penso em você..."

Te amo, mãe. Obrigada por tanto, mesmo agora. Um dia vou ficar bem.

domingo, 9 de março de 2025

Que difícil viver, às vezes.
As vezes morrer parece realmente uma opção boa... Atraente

Porque o peso de viver sem paz é demais pra carregar, você só quer desligar um pouco. Pode chamar de fraca, de covarde, de ingrata, do que for. Mas ninguém está sob minha pele.  Ninguém sabe as dores que eu sinto nem o desespero que bate quando eu sinto que não estou conseguindo. 

Talvez seja só uma questão de desequilíbrio - seria o que eu diria para qualquer pessoa, para ela continuar. 

"Busque o equilíbrio, de substâncias, de prioridades, de qualquer coisa, tente buscar o equilíbrio" 

Estou muito cansada pra seguir meus próprios conselhos, eu só queria era desistir de tudo mesmo, infelizmente. E infelizmente a opção mais atrativa é a mais dramática.

Ouso dizer que só não a coloco em prática de verdade porque eu penso nos outros que seriam afetados por isso. Ainda que os outros não tenham ideia do peso que carrego, e do quão difícil é somente levantar e seguir em frente na maior parte dos dias. 

Abrir os olhos já me coloca num lugar de cobrança, eu preciso fazer algo porque estou viva. Eu preciso viver porque eu estou, eu sou, eu nasci, dizem que quem nasceu já venceu a morte, e eu gostaria muito de abraçar esse discurso da dádiva que é a vida, o presente.

Por favor se forem me julgar, me julguem sem me deixar perceber. Infelizmente minha intuição funciona muito bem pra coisas ruins. Meu sistema nervoso está sempre em alerta, se eu não estiver sob efeitos de drogas (aceitas e/ou rejeitadas socialmente) eu estou sempre em alerta. O que significa que uma tarefa simples como interagir em público me deixa à beira do precipício só pela obrigação de interagir e lidar com meus demônios envolvidos na atividade. 

Socorro...

Depois que você morre, as pessoas sairão em busca de sinais. Bem, sempre haverão modos de culpar a negligência de alguns. A falta de cuidado, de atenção. Meu ponto é sempre: há como alguém evitar um outro alguém seguir por um caminho que ele já decidiu veementemente seguir? Há? Eu duvido. Talvez haja o milagre de você dar motivos para ele seguir o caminho oposto, mas geralmente ele já considerou tudo o que você já vai colocar como argumento. E boa sorte com isso a nós.