quinta-feira, 28 de abril de 2011

Awake

Eu te olhei nos olhos por tantas vezes, toquei seu rosto querendo guardar cada sensação, beijei seus lábios com ternura e carinho, em cada gesto, em cada passo, quis poder fotografar seu cheiro, seu toque, seu gosto...
Porque as fotos trazem muitas lembranças boas, porém também fazem chorar. Ausência...

Despertar.

O sonho estava em seu auge e eu já podia sentir o mundo real se aproximando, eu já podia ouvir o despertador ao longe anunciando que era hora de acordar. Saudades de ser criança... Não era assim tão caro sonhar. A gente sonhava sem ter medo de acordar.

E sabe quando a gente dorme pra fugir de alguma dor, fecha os olhos e espera o sono vir e então se perde em sonhos doces, mas quando acorda tem aquela sensação de que de algum modo o mundo real ficou pior?! É o despertar. A realidade é a mesma, nem mais nem menos amarga, é que apenas você está trazendo a doçura de seus sonhos, tentando preservá-la em meio a tanto azedume e amargor. E então você tenta se apegar aos sonhos com uma força inimaginável, de uma maneira incrível, quase palpável. Você tenta se agarrar a ela de todas as maneiras e fazer ser parte completa de sua realidade e assim poder dormir com um sorriso nos lábios de novo.

E as borboletas? Vão bem, obrigada.
Acho que estão ficando velhas... Bater de asas fraquinho, fraquinho... Vacilante.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O vôo das borboletas

Elas estão anestesiadas. Antes, extasiadas.
O fato é que eu apliquei uma espécie de anestesia para mantê-las calmas e preparadas para o grande momento.
Vez ou outra o efeito passa, e tome mais uma dose, e todas ficam "grogues" de novo.
Tem sido assim.

Desde que elas não se agitem e comecem sua dança louca e frenética de sempre, qualquer coisa vale. Até droga. Mas droga mesmo é ter que esperar tanto tempo, poxa. Não poderia ser simples quanto desaparatar? Não, não poderia.
Me sinto feliz em poder domá-las, prestes a deixá-las soltas e livres por pelo menos 5 dias, e depois voltarem a seu habitat natural. Sentem sede de liberdade e eu de quietude.
Minhas pequeninas merecem um passeio. E eu mereço sua ausência. E todos ficarão felizes. 


Soltas, livres, belas... 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Crises

É como se eu parasse de escrever pra viver um pouco mais... E então voltasse a escrever, porque a minha vida depende disso. Escrevo com a necessidade de quem respira e vivo como se não precisasse escrever. Não tenho mais paciência para achar palavras que transpareçam minhas confusões, porém eu preciso disso para me iludir de que irá solucionar alguma coisa. Bobagem. Bobagem necessária. 
É que puramente me encontro no auge do desgaste, da mesmisse, das dores de cabeça por estar cercada de textos meramente acadêmicos. Assombrada pela falta de interesse, pelo súbito ímpeto de querer jogar tudo pro ar e viver um dia na vida de alguém. Apenas um dia longe de meu "eu". Querendo conquistar um DPM temporário, porém consciente de meus álter-egos e totalmente capaz de controlá-los.
Ironias e idiotices à parte... Sobretudo, eu quero/preciso de luz e calma, aquela paz que só eu sei onde encontrar, e não é esse estado de quietude passageiro.

Não é sono, não é falta de tempo, não é dor física, muito menos depressão. Só vontade de me desligar do mundo por alguns segundos. - Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Frustração

Você queria comer um bolo com seus amigos. Porque soube de uma receita muito boa, e como todos eles adoram bolos... Fez todo mundo se interessar pela receita, comprar cada um um ingrediente, preparar, pôr no forno, já pode sentir o cheirinho bom tomando conta da cozinha, e a hora de comer está chegando!
...Mas então você fica sabendo que quando ele ficar pronto, você não poderá comer uma fatia sequer, uma dieta tosca que a sua mãe inventou para você. ISSO é o que chamo de frustração. 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

The law

Quero soltar um grito desumano, este que está preso há tempos, me fazendo perder as forças e outras vontades. Quero chorar um choro contido, incomum, um choro de vários anos, que deixou-se revelar a camuflagem e agora também urge para se libertar. Eu quero ouvir palavras que não sejam conformistas, ouvir de alguém que lhe interessa a minha dor, em seus detalhes, que de repente eu sinta que o mundo todo parou para prestar atenção no choro de meu coração, e ainda que não tenha a solução, ela faça questão de soluçar comigo. 
Eu quero ver em meu arco-íris cores vibrantes, e que seja resgatada a pureza e inocência de traços infantis, riscos malfeitos, ausente de simbolismos e repletos de ternura. Nada de duendes ou potes de ouro, porque ele não terá começo nem fim. No ápice da fantasia, já basta uma princesa nem tão inocente assim, que dá bastante trabalho.
Não pode sequer correr atrás das borboletas sem ouvi-las gritarem: Isso não é real! Isso não é real!
Acorda! E dessa vez não ignora o despertador! Reage a essas lutas, isso é real! Isso está dentro de você!
Queira encarar tua realidade, livrando-se de quaisquer traços quixotescos, queira morder essa bala de menta e sentir o ácido recheio inundar sua boca. Depois você escova os dentes. Mas agora, o foco é mastigar bem a bala e engolir o líquido ácido, provocador de arrepios e aflição, já esperando pela próxima. Já viu quantas ainda tem na caixinha?
As borboletas nunca te deixam esquecer... Estão fazendo aquela dança involuntária, como que torturadas por uma magia oculta de fazê-las voarem inconstantes e incessantes, fazendo o ambiente sangrar.
Acorda, menina, e não ignora aquela voz que zomba, corta, morde teu ouvido, numa maciez gélida:
"Você pediu por isso, queridinha..." - E então assim mais um choro se prende na garganta e mais um grito morre dentro de si.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Melancolia

Sim, pode estar tudo na mais perfeita paz e o universo conspirando a meu favor, pode as borboletas estarem num vôo sossegado, alegre, cantante, pode as flores alcançarem seu auge de beleza e perfume, os raios de sol fazendo a grama cintilar sem necessariamente violentar a minha pele, pode o meu coração estar sorrindo com tudo isso ao redor, dançando num ritmo decente...
Porém essas coisas parecem não intimidá-la.
Ela sempre vem.
Se faz companheira de quase todos os momentos, inspiração das palavras escritas, aquela que rege quase todos os meus dias e me faz mergulhar fundo, sem saber quando voltarei à superfície... Me faz achar que não vem, mas sim que sempre está lá. Ou aqui. E dentro, bem dentro de mim.
Ela vem, passeia, se demora, e então vai, e volta saudosa, com uma ânsia de me prender em sonhos, análises, críticas e reflexões. Vem para trazer lembranças do velho ostracismo, mesmo que agora seja  pequeno, mesmo que não me domine. Aparentemente sem motivos, ela sempre vem. E faz companhia à minha solidão... Aquela velha solidão acompanhada.
Talvez seja o dia chuvoso, sei lá... Sei lá. É um mistério o modo como ela vem, e vai. Na mesma rapidez. Será que vai? Ou sempre está aqui? É como uma visita indesejável, não porque fala muito, mas pelo fato de seu pouco diálogo ser desmotivador, desagradável como ela consegue ser. Também porque ela sai cutucando em todos os objetos, fazendo perguntas sobre a decoração, dando palpites pessimistas.
Tomara que dessa vez a conversa seja mais curta, e ela não deixe a casa muito bagunçada. E, por favor, avise com antecedência a próxima visita. É preciso ter ritos.
(Ou quem sabe uma boa terapia...)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ela, quem?

De sonhos ocultos e sabor agridoce, soft-rock, blues, cores, cinzas e muita confusão, assim era como uma brisa no fim de tarde... Leve e intensa, acorrentando pelo olhar, desafiando, mesmo que sem querer, mesmo não fazendo a menor idéia de como fazia isso, provocando qualquer um a uma queda livre.
Numa luta incessante contra a garota do espelho, buscando uma identidade que não lhe tirasse tanto as esperanças e os passos firmes, a mil gritos abafados e pequenas lâminas cortantes no estômago. Sem achar motivos para mostrar, perdendo a oportunidade de crescer, ocultando tudo aquilo que teria o potencial de ser bom, avassalador. Auto-bullying. Proposital. Incoerente. Um dia aprendeu que a dor era importante para o crescimento, porém o amor se mostrou igualmente importante em seu processo. Mas ela ainda não aprendera que não era possível priorizar apenas um. Defenestradora da impetuosidade, do estímulo, do agir sem se preocupar, abraçando uma falsa idéia de segurança. Mas essa não era ela. Não sabia se valia a pena continuar nessa busca. Uma vez que sabia apenas que era feita de elos partidos e medo de se doar, era boa e simples, porém covarde e insegura. Algum dia, um lado da corda teria que arrebentar para sempre. Qual seria o tamanho da tragédia?!