Hoje eu pensei um pouco sobre os meus pensamentos, depois não consegui mais parar de pensar. Se pareceu complexo, eu juro que não foi para dar ao texto uma aparência mais culta e filosófica, às vezes tenho dificuldade em substituir palavra para dar o sentido desejado mesmo.
Hoje eu achei antigos cadernos, repleto de corações, figurinhas adesivas, e declarações de amor a pessoas inexistentes. Me deparei com palavras tão simples, porém desesperadoras, sombrias, melancólicas, transbordando desejos e medos. Elas demoraram, mas chegaram. E com força. As perguntas. Como pude desenvolver assim, essa habilidade de mastigar e engolir veneno, sem deixar com que ninguém desconfie? Como pude me "acostumar" a sufocar com as substâncias tóxicas da vida, como pude ser tão covarde a ponto de me "desacostumar" a pedir socorro? E mais, por que, mesmo após ter passado tanto tempo, por que diabos eu ainda me apego a essas habilidades malignas antigas e não consigo simplesmente me desfazer e dar espaço a algo novo, leve, especial, BOM? É por isso que, em muitas vezes, odeio olhar para o passado.
Odeio olhar para o passado porque, primeiramente, há todos os fantasmas dos mais profundos arrependimentos que resolvem ressurgir e azucrinar o pouco de sanidade que me resta. Primeiro, sou do tipo que trabalho a minha mente em aceitar tudo o que houve, como numa tentativa de esquematizar os conhecimentos adquiridos e revertê-los em bônus, não concentrando nas perdas. Porém com o surgimento dos benditos fantasmas todo esse esforço parece ser jogado pela janela assim, em vão. Outra coisa também que irrita e deprime, depende do dia, profundamente, é o progresso. Olhar pro ontem e ver que ele parece tão distante de hoje, e então perceber que você não terá muitas mudanças em alguns aspectos específicos para levar ao amanhã é uma das sensações mais desanimadoras que acontece nessa atividade de querer avaliar o passado.
Olhar esse passado das palavras melancólicas, da mente perdida, do desconforto dos dias, das moradias em guerra, das lágrimas mal derramadas, dos risos presos, das alegrias contidas, das tristezas escondidas, das amizades superficiais, dos amores e necessidades inventadas, das frustrações mal aceitas, acaba por se tornar um ato insensato e deprimente, não recomendado aos dias frios e solitários. Dias em que não posso sequer parar para pensar em como essas coisas mexem comigo! Dias em que eu sequer consigo escrever um pouco das minhas dores e decepções, dias que não me permitem nem essa tentativa desesperada de desabafar inutilmente com as palavras e assim conseguir obrigar o alfabeto inteiro a me consolar, tentando amenizar essas coisas soltas aqui dentro, após uma faxina em minha antiga estante de livros e cadernos.
Ufa... Poderiam ser só cadernos e livros antigos. Poderiam ser só fotos, poemas, músicas, histórias, estórias, tudo coisa velha, tudo poderia ter perdido o sentido, o sentimento, certas palavras poderiam tr sido queimadas na fogueira do esquecimento e assim não restar nem cinzas! Eu não sei vocês... Mas acredito estar pronta para acender o fogo e seguir em frente. Deixá-lo livre para queimar até onde quiser e então conviver com apenas cinzas e restos, daqui então. É nessas vezes que eu olho pro meu coração, e o vejo claramente me pedindo para puxar uma cadeira e bater um papo comigo. Legal, construtivo, sem pressa. Sobre cinzas, sobre passado, presente, futuro... E de alguma maneira, o tema principal será "como é que eu tenho essa capacidade infinita de enfiá-lo em tudo e tornar coisas que poderiam ser mais simples para nós, tão complicadas"? Conversaremos. Quem sabe quando eu obtiver essa resposta... Assim terei ao menos o direito de me defender.
Ufa... Poderiam ser só cadernos e livros antigos. Poderiam ser só fotos, poemas, músicas, histórias, estórias, tudo coisa velha, tudo poderia ter perdido o sentido, o sentimento, certas palavras poderiam tr sido queimadas na fogueira do esquecimento e assim não restar nem cinzas! Eu não sei vocês... Mas acredito estar pronta para acender o fogo e seguir em frente. Deixá-lo livre para queimar até onde quiser e então conviver com apenas cinzas e restos, daqui então. É nessas vezes que eu olho pro meu coração, e o vejo claramente me pedindo para puxar uma cadeira e bater um papo comigo. Legal, construtivo, sem pressa. Sobre cinzas, sobre passado, presente, futuro... E de alguma maneira, o tema principal será "como é que eu tenho essa capacidade infinita de enfiá-lo em tudo e tornar coisas que poderiam ser mais simples para nós, tão complicadas"? Conversaremos. Quem sabe quando eu obtiver essa resposta... Assim terei ao menos o direito de me defender.
