Passo meus pés um no outro, um gesto típico meu quando acordo, e assim fico por 5 minutos até o despertador que eu adiei tocar novamente. Abro os olhos e fecho de novo. Hora de levantar. Mais um dia chega, e com ele vêm as obrigações. Lentamente sento na cama bagunçada e vou falar com meu Pai. Preciso tanto da força Dele... E de Seu perdão por cochilar tanto enquanto falo. Isso TEM que parar. Enquanto vou para o ponto do ônibus vou pedindo/implorando/suplicando (quase exigindo) que o ônibus ainda esteja por chegar e de preferência, que não esteja cheio. Estômago vazio, posição incômoda, ônibus superlotado. O que poderia ser pior? Chuva. Um verdadeiro toró! Esqueci a sombrinha! Não! Essas coisas só acontecem comigo. Já estou passando mal, sem ar. As pessoas são de açúcar ou o quê, para fecharem as janelas sem deixar uma brecha sequer aberta? 15 minutos de atraso, a chuva estia um pouco, mas ainda assim consigo me molhar. Burra, anta, distraída e demente. Se a sombrinha estivesse na bolsa... Ah, se estivesse... Abuso de todo o meu auto-controle para dar um meio sorriso e um bom dia aos conhecidos. Comprar água, urgentemente. Chovendo, mas o calor é insuportável e eu não estou só molhada da chuva, também suo. E quando meu cérebro começa a se acostumar ainda à claridade da sala e do quadro branco, eu lembro da resenha crítica que não fiz e que era para a aula de agora. Nesse exato momento o professor mais chato da Universidade entra e a aula custa como nunca a passar, que TÉDIO. Pera lá, mas não era o curso que eu sempre quis? Eu não deveria gostar mais das matérias? Ou será que eu estou tão cansada/estressada para me envolver de verdade numa aula? Opção 2, tem que ser a opção 2. 20 minutos de intervalo. NÃO DÁ PRA NADA! Aliás, dá sim... De ficar na fila da cantina e engolir um salgado quase sem mastigar e entrar na sala ainda tomando a Coca. As últimas aulas. As que fazem as pálpebras baixarem involuntariamente e eu ficar quase VESGA de tanto tentar controlá-las. Ainda bem que eu sento lá atrás... O professor poderia se assustar. Ah, que legal, liberados 10 minutos mais cedo! Pensando bem... Não faz tanta diferença assim. Mas, posso fazer o xixi que não deu tempo no intervalo. Isso, bem pensado. Agora é correr pro ponto de novo. Ao menos ele vem vazio. Chegando em casa... Ah, almoço. Faminta já passa a ser diminutivo. Agora preciso dormir uma sonequinha e depois, quem sabe, estudar melhor o assunto de hoje. Não... A louça do almoço. Bendita louça. Todos os dias me esperando. Afinal, eu não faça nada da minha vida mesmo. Minha mãe tem razão. Minha vida é muito mole, não posso ficar sem fazer nada. Droga.
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