É inevitável, todos escrevem bobagens. Nem que seja apenas um rabisco enquanto fala com alguém ao telefone, ou enquanto ouve uma conversa muito monótona na hora da aula (tão interessante quanto!) e pega inconscientemente na caneta. Outros escrevem bobagens por querer, por não ter o que fazer, e ainda há aqueles que acham que seus textos têm um grande teor intelectual... Mas ao chegar ao fim, também constatamos que foi mais uma bobagem. Eu sei que escrevo bobagens, coisas realmente sem importância alguma, admito. Meu maior sonho (ok, um deles) é conseguir escrever algo tão útil e revoltante que quebre as correntes impostas pela mídia ou pelos filósofos, que quebre as cadeias de qualquer religiosidade ou ignorância, algo esplendoroso, que desperte a mente mais alienada. Eu realmente não entendo porque escrevo, se quase sempre ODEIO os meus textos, meus poemas (não postarei aqui), minhas músicas (ainda mais difícil ¬¬), minhas reflexões. E não importa quantos 10 eu tenha tirado em minhas redações escolares, não passam de palavras bem combinadas, gramaticalmente corretas e idéias expostas de forma geral e coerente. É muito fácil escrever. Eu ainda não entendo o porquê de muitas pessoas odiarem o gesto, em geral são sempre as mais falantes, extrovertidas e espontâneas. Ou as impacientes, mesmo. As ignorantes também estão nessa lista, claro.
Esse ato, para mim, sempre foi como uma espécie de refúgio, ou como, meu termo preferido, um “cano de escape”. Alguma hora precisamos pôr pra fora aquelas coisas que nos indignam, não é mesmo? Aquelas coisas que nos revoltam e nos deixam à beira de um ataque de nervos. Não. Eu não uso as palavras, nem os gestos e atitudes para expressar aquilo que sinto, não na maioria das vezes. Eu escrevo. Eu deixo que meus dedos sejam um canal direto de meu coração, de minha mente, ao papel... Ao pegar na caneta, muitas vezes tenho a sensação de que iniciarei um duelo de espadas. Minha caneta, minha espada, pondo o punho pra trabalhar, cada vez mais rápido, dependendo do que eu estiver em mente, ferindo aquelas linhas, marcando, escrevendo de forma tão feroz que as outras folhas que estão abaixo da que escrevo também ficam marcadas, não por tinta, é claro, mas não ficam mais planas.
Meninas normais brincavam de boneca, de médico (¬¬), de brincadeira de rua, em sua infância. Mas meu passatempo preferido era desenhar, criar histórias ou escrever em meus diários. Eu criei roteiros de filmes, fiz desenhos coloridos, inventei músicas e poemas, inventei contos infantis, contos de fadas, fiz redações por livre e espontânea vontade... O papel e a caneta, meus aliados desde sempre. E eu não pretendo deixá-los assim tão cedo. Enquanto eu tiver essas mãos aqui intactas, válidas, perfeitas, eu não abandonarei esse ato. Mesmo sem saber de onde vem essa paixão por ele, mesmo sem entender como é que essa coisa tão simples pôde se tornar parte de mim.
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pega leve.
sou sensível.