Ninguém está isento das dores e agonias da vida. Todo mundo sofre, isso já é o bastante para que todo mundo respeite a dor do outro, correto? Errado. A empatia surge somente quando o outro reflete parte de sua própria agonia interna, então você se reconhece e se aproxima. Pois, caso contrário, como poderia saber tal coisa, se o que você é e sente não chega perto desse mundo? O meu erro sempre foi esperar de outras pessoas coisas o que elas não podem me dar. Pior: depositar parte de minha felicidade (ou toda ela) em coisas e pessoas alheias, que não eu, que não as minhas. Esse é um erro grave que tenho cada vez mais certeza, poderá me levar a caminhos irreparáveis.
Todo mundo sofre, todo mundo sente dor. Todo mundo aprende a se reerguer, ciclo natural da vida. No momento, me sinto um ponto fora da curva, mesmo sabendo que por aí terão pessoas que provavelmente cometem os mesmos erros e se sentem da mesma forma. Mas elas não estão próximas a mim, e eu me sinto extremamente perdida com essa triste revelação. Tenho carregado comigo dores e descontroles dos quais não costumo falar, sei apenas que eles precisam ter fim. Ou não saberei mais o que fazer, como continuar. As pessoas ao redor tem a capacidade de se autossatisfazerem, como deve ser, apesar de toda tristeza, de todos os problemas que vierem em seus caminhos, elas conseguem, sozinhas, ou com algum tipo de apoio, porém, o diferencial se dá pela força individual. Eu faço parte de um time fracassado que não confia em si mesmo e que procura em forças alheias a capacidade de ser feliz, de se erguer, de se sentir completa.
É um caminho falido. É um caminho, com o perdão da palavra, fodido. Mas não pense que é uma escolha suicida, é somente a forma que eu sei ser e fazer as coisas. Eu detesto cada vez mais o amontoado de coisas que me tornei, eu simplesmente repudio essa falta de autossuficiência emocional. Eu me aproximo das pessoas e quase consigo ver sobre suas cabeças o cronômetro regressivo, anunciando o fim de nossa relação. Tudo porque não descobri ainda como ser de outro jeito, e assim, vou poluindo tudo que eu toco em meu caminho, trazendo pesos desnecessários, dramaticidade indesejada, sentimentos e decisões extremas que me fazem questionar sobre minha sanidade mental. Não é fácil lidar com isso, especialmente se você não está aqui dentro. É por isso que, fatalmente, eu vivo temendo o fim e o distanciamento daquilo que é bom, no momento.
Ser uma pessoa incompleta é saber que, por toda a sua vida, você estará sozinha. Não vive, sobrevive. Não está, não fica, não habita de verdade... Se habitua, se adapta. Se ainda não ficou claro, a verdade é que eu estou cansada de ser pela metade. De viver esperando que algo ou alguém me complete. Isso é absurdo aos meus próprios olhos e ouvidos, mas de nada adianta tentar disfarçar ou fugir. No momento eu estou sem condições de carregar e fingir mais coisas, então, o quão antes eu conseguir ajuda, melhor. Mas... Nesses tempos, e nesse contexto, de onde virá? Ou melhor colocado:... virá?
Sobre a minha própria cabeça há uma contagem regressiva, eu sei. Mas também não consigo enxergar os números. Talvez seja melhor assim... Me dá uma ínfima esperança de que o jogo pode virar.
