sábado, 14 de março de 2020

Faz parte dos pensamentos que você considerava inofensivos, até passar a tê-los. Aliás, agora você não somente os tem, como também sente
E então você entende que eles são destrutivos porque deixam a sensação da realidade crua, da falta de esperança, da aceitação sobre coisas que julga nunca poder mudar ou melhorar. Em resumo: nada, nenhuma sensação, momento ou experiência parecem tão reais quanto isso e você se assusta a princípio... Mas se entrega. Como pode não haver razão em algo tão real, tão convicto? Só há uma explicação: o resto é ilusão e a verdade é essa, apenas. Não há possibilidade de que isso seja mentira, pois você sentiu, você esteve lá, você se permitiu acolher essas sensações com toda atenção e carinho necessários e agora não há a possibilidade do caminho de volta. Ele não existe! 
 A convicção da verdade não te permite pedir ajuda.  Além do mais, você tem a certeza de que ninguém entenderia, ninguém alcançaria. Pelo simples motivo de que eles não são você, e eles já emitiram outros sinais em outras situações. Comentários destrutivos que você preferia ter esquecido. Eles não dão a atenção necessária que isso merece.
Você não os culpa. Apenas os poupa, e tenta evitar os julgamentos e as pressões de outrora. Além de tudo, você tem o entendimento de que a cada um basta carregar seu próprio mal. 
Mas ainda assim você quer uma forma de se expressar, você quer registar ao menos em algum lugar sobre essa batalha vencida.
Então você vem aqui. Supondo que tem certa habilidade com as palavras para esconder e expor o suficiente para que não preocupe nada nem ninguém realmente. É um grito que já sai mudo, calado. Ele é interno. Insuficiente. Você quer ser ouvida, mas não quer perguntas. Quer falar e expor, porém com a garantia de receber a compreensão que julga merecida. 

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pega leve.
sou sensível.