quarta-feira, 27 de setembro de 2017

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O que é lar?
Sempre achei que fosse um sinônimo pra residência, casa, apartamento no meu caso (morei a maior parte da vida neles). Pesquisando e lendo descobri que tem mais a ver com a construção de valores e princípios que a construção física do lugar. Nem toda casa (ou apartamento) é um lar. Eu sempre tive uma casa, um apartamento. Mas não me lembro muito bem de ter tido um lar. Um lugar acolhedor, seguro, com princípios, que independe de onde se aloja. Nem sempre estar em casa significou estar em paz. Nem sempre estar com a família foi o mesmo se sentir seguro, aliviado. Não me lembro da ultima vez que senti que tinha um lar. Nem de quando começou a minha forma afobada de ver a vida. O medo das coisas, das pessoas. A vontade de me esconder e passar desapercebida pra nada dar errado. Não me lembro exatamente quando, mas aposto que o meu "lar" influenciou e muito minha forma de ver e sentir as coisas.
Durante muito tempo achei que meu lar fosse eu, minha mãe, minha irmã. Meu pai se tornou um problema que fora resolvido então nós três seríamos felizes. Não foi bem assim.  Nós passamos por poucas e boas, moramos com outras pessoas, moramos com gente da família, demoramos um pouco para voltarmos a ser apenas nós três. E quando assim fomos, finalmente, eu percebo o quão conturbadas as coisas se tornaram. Nossa vida nunca foi um mar de rosas, mas as relações, as complicadas relações chegaram a um emaranhado desajustado que me faz ter pena de quem se dispor a ajeitar. Não sei como resolver. Nem sei se quero. Eu quero somente ir embora e construir em algum lugar o meu próprio lar. Um lugar para o qual vou ansiar voltar no fim do dia, um lugar que me propõe segurança, conforto. Sensação parecida com a ideia de lar dos gregos, vide a deusa da lareira, Hestia. Acolhimento, fogo, amor, família. Aquela sensação de proteção que eu nunca senti, e passei a vida inteira procurando sem saber.
Talvez o grande desajuste aqui seja que eu preciso construir o meu lar dentro de mim. Me aquecer de dentro pra fora, passar a cuidar dessa fogueira sem medo ou receio. E então, onde estiver, serei lar. E isso será suficiente, posso apenas imaginar esse tremendo alívio. Eu torço para que algum dia eu me sinta como a Mathilda se sentiu (e não soube se expressar direito, tadinha) ao encontrar o Léon (filme "O Profissional"). A sensação do desatar dos nós, do descontrair do estômago deve ser mesmo incrível.

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"Mathilda: Leon, I think I'm kinda falling in love with you. 
[Leon chokes on his milk]
Mathilda: It's the first time for me, you know?
Léon: [wiping himself off] How do you know it's love if you've never been in love before? 
Mathilda: 'Cause I feel it.
Léon: Where? 
Mathilda: [stoking her stomach] In my stomach. It's all warm. I always had a knot there and now... it's gone. 
Léon: Mathilda, I'm glad you don't have a stomach ache any more. I don't think it means anything."

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tem uma fase da vida em que você pensa: preciso parar de sentir pena de mim mesma. E, de fato, você precisa. Porque após tantos pensamentos amargos, você se depara com dois caminhos: continuar se lamentando pelas experiências de merda que teve e pelo que perdeu até se reprimir; ou pode escolher ser feliz e mais dona de si daqui pra frente, deixando o passado em seu devido lugar e se abrindo pras oportunidades do futuro. A grande questão aqui não é parar de sentir. É administrar as dores e deixar cada uma em seu lugar. As dores do passado não podem te incomodar a ponto de te paralisarem e comprometer o teu futuro. Outra coisa que não funciona é tentar "superar" seus próprios traumas comparando-se aos outros. Cada cabeça um mundo, cada pessoa tem uma alma diferente. Cada um sabe onde a sensibilidade aflora e onde a frieza incomoda. Comparar-se aos outros não é justo, é desleal. Parto do princípio de que, primeiramente, é preciso aceitar as dores, sem vergonha, sem medo, e só então administrá-las. Pro seu próprio bem.
Você sente a necessidade real de ser legal consigo mesma. Parar de esperar que os outros notem suas necessidades e venham te ajudar. Percebe que não faz mal se mimar um pouco, e que nada nem ninguém tem o direito de te fazer desistir do que te faz feliz. Esse poder é, e tem de ser, exclusivamente seu. Você percebe que o seu passado diz respeito somente a você, seu mundo, suas escolhas, estão fechadas para palpites de quem não entende sobre a sua dor. Quando você se deixa dominar por esse sentimento de autonomia sobre a sua própria vida, só então decide de fato fazer algo mais por si. Por seus sonhos. Deixa de lamentar o que era ou o que perdeu, e entende que em suas mãos há o maravilhoso poder do agora, que o passado não tem o poder de te dominar e que o presente não tem esse nome por acaso.
Ter pena de si mesma nunca te levou longe. Nunca te levou a lugar nenhum. Murmúrios e lamentos só te levaram a uma linha limítrofe entre a depressão e o desânimo corriqueiro. Melancolia às vezes é um saco. Não é bonita nem poética. Acaba sendo uma merda, em sua melhor definição.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Escrevendo pra tentar uma reconexão. Comigo, com meu eu. Não o velho,mas esse, de agora, que quase não teve atenção dessas linhas tortas outrora tão eficazes. Eu preciso me cuidar melhor. Eu preciso ser a minha melhor amiga e de uma vez por todas trabalhar em prol somente de meus sonhos, não de terceiros. Esses sentimentos quase concretos que por vezes me cercam são como mãos em volta desse pescoço, como facas prestes a cortar esses pulsos, me ferem, me cegam, me cercam e eu não sei qual a escapatória mais racional para o "não sentir". Então me dei conta que talvez a escapatória não seja "não sentir" mas sim aprender com os sentimentos. A primeira lição que consigo extrair disso é a de que eu tenho me negligenciado. As pessoas, os deveres, os vícios, as rotinas, meus demônios internos, todos me empurram no precipício da negligência e isso tem sido uma espécia de câncer à minha autoestima, a minha sanidade mental. Eu preciso muito de mim pra fazer as coisas darem certo. Eu não preciso da aprovação alheia, eu não preciso de pessoas que se afastam e não voltam, eu não preciso ganhar na loteria, eu não preciso de um evento mágico. Eu preciso de mim. Da minha força. Da minha capacidade, da minha inteligência emocional. Eu preciso constantemente me lembrar de que eu me basto, eu existo e me basto. E esse entendimento é uma espécie de milagre. Eu preciso me curar das velhas feridas, e dar espaço pras novas, dar a cara tapa, ralar o joelho no chão mais vezes, espirrar merthiolate e levantar de novo. Eu preciso viver como não tenho feito, priorizar as coisas que me fazem bem e ter coragem de me afastar daquilo que faz mal. Eu não preciso de coisas e pessoas que me fazem mal me cercando. 
Tudo isso me é lúcido, mas como prosseguir quando as sensações ruins tem sido o que me regem? É necessário equilíbrio e força de vontade. Só se consegue isso vivendo e se arriscando. Mas e até lá? Quem é que pode me ajudar a descolar a ferida desse lençol no qual me envolvi, e expor tudo? O lençol está apodrecendo e trazendo bactérias.. A ferida precisa "respirar" e criar as casquinhas depois de se expor ao mundo. Nada está me ajudando hoje, nem mesmo as palavras. 

terça-feira, 25 de julho de 2017


Talvez seja um problema de alma, essa minha falta de escrita. Talvez eu ainda não esteja disposta a desnudar minha alma. Estou em transição. Em processo de amor próprio. Com dores e amores de sobra pra me manter ocupada, lambendo as feridas e esperando o tempo certo de sarar sem expor a germes e bactérias. Mas não poderia deixar passar esse dia, sem ao menos pensar nesses profissionais que me deixam tão felizes... O lugar de vocês em minha vida é o mais honrado. Feliz dia do escritor especialmente a todos os que me ajudaram a visitar outras terras, pois, foram e são um bálsamo à agonia de meus dias. Minha escapatória. Meu cano de escape mais presente e mais fiel <3

domingo, 2 de julho de 2017

Aquela sensação de estar vivendo uma realidade da qual apenas você tem consciência. Familiares, amigos, colegas de trabalho, todos parecem ter um conhecimento superficial sobre mim, sequer posso culpá-los. Porque parte dessa falta de conhecimento vem da minha falta de coragem em me expôr, em abrir meus desejos, em assumir meus pecados e minhas realizações. Primeiramente: estou mesmo disposta a atingir esse grau de exposição? Em segundo lugar: isso é mesmo importante pra mim?
Parece estúpido quando começo a pensar nas coisas separadamente. Isso não é mais uma coisa a ver com a minha necessidade de querer aprovação alheia. Não. O buraco é mais embaixo. Agora as coisas parecem ter ficado mais sérias e sufocantes... Eu percebo que as minhas relações não têm sido tão verdadeiras quanto eu achava. Pois, se elas eram tão sinceras e maravilhosas, por que eu não consigo me sentir à vontade para discutir minhas questões? Por que eu penso primeiro no julgamento desnecessário e doloroso que receberei ao invés de acolhimento e aceitação? Por que eu não consigo olhar para o meu círculo de amizades e pensar: Tudo bem, eu confio em você o bastante para isso? Por que? Onde, exatamente, está o problema? Na minha falta de aceitação? Na superficialidade das relações que construí? Se for este, então, devo distribuir igualmente as culpas, em vez de tomá-las para mim? Ou isso é apenas uma questão que parte de mim? Mas se isso for recíproco, ah, se for... Então a minha realidade é mais desesperadora que eu cheguei a julgar. É duro dizer, compartilhar, chegar a certas conclusões. É duro admitir pra mim mesma que eu não aguento ser sozinha, embora seja assim que eu me sinta na maior parte do tempo. 
Ser eu mesma dói... Me custa bastante o meu ser, e todas as coisas que isso envolve. Vou te dizer, o mundo é um lugar cão. Você pode dizer que não é só pra mim, eu te digo apenas que me falta resiliencia e muitas vezes vontade de continuar. Pode me chamar de fraca. Em nada combino com meu nome, meus significados (os verdadeiros e os espalhados por aí). Mas vou dizer uma coisa que me dói ainda mais: não poder ser eu mesma, sempre. A dor se espalha de dentro pra fora, minhas entranhas se contorcem numa dança sinistra aqui dentro, cada vez que preciso engolir o choro, fingir saber, fingir não me importar tanto, ter que agir quando quero apenas chutar o balde e correr pra minha cama. Dói muito não poder expôr tudo o que quero, ou melhor, poder mas escolher não o fazer por medo. Dói não ter com quem dividir minhas dores reais.
Inevitavelmente, um dia isso terá que mudar. Só espero que não seja tarde o bastante, só espero que ao menos um de meus amigos insista, fique comigo, e diga que nao se importa com o quão filha da mãe estúpida e confusa seja a minha forma de lidar com os problemas. Eu não conto com a minha família desde que aprendi que o lar é onde você deve se sentir seguro, não pisando em ovos, não andando sobre um campo minado. Família devem ser pessoas com as quais você não sente qualquer tipo de dívida, a não ser ser você mesma, amar e ser amada em troca, incondicionalmente. Família não deve ser algo que te provoca dores no estômago e vontade de sair porta afora sem voltar. Família não é viajar e vir chorando no caminho de volta por não querer chegar em casa. Eu costumava pensar em meus amigos como família, mas eu também suponho que família sejam pessoas nas quais você costuma confiar pra compartilhar qualquer coisa, sem medo de julgamentos. Eu acho que eu ainda não vivi o significado de família em minha vida. Espero não ser tarde demais para abrir os olhos e desfrutar disso.

domingo, 11 de junho de 2017

Já disse isso outras vezes, mas sempre gosto de reforçar: a tristeza é mais inspiradora que a alegria. Já senti alegrias arrebatadoras, que me fizeram querer proclamá-las através da escrita, mas foram poucas as vezes. Posso até contar nos dedos de uma mão só. Alegria é coisa fácil de viver, de digerir... Poucas, repito, foram bem poucas vezes que senti a necessidade de colocar a alegria pra fora ou ela iria me corroer. Já a tristeza...

Ela sempre chega num ponto em que, ou eu a coloco pra fora, ou sinto que vou enlouquecer. Eu não sou de conversar e desabafar como qualquer pessoa normal, eu mesma julgo as minhas dores, trato de coisas novas e repetidas sem ninguém ao menos saber. Gosto de pensar que ao menos às vezes eu me basto... Embora bem no fundo saiba que isso não é verdade. Outra coisa a se considerar aqui é que, para abrir o coração a alguém, é necessário confiar e acreditar que algum tipo de ajuda virá. Não é meu caso. Geralmente eu consigo me virar com minhas próprias demandas. Porém, como prova de minha fragilidade, de minha condição humana, tem horas que tudo o que eu queria era tomar pílulas mágicas que me fizessem parar de doer. De chorar. Que ao menos me mostrassem como resolver aquilo que tanto me aflige. Que me dissessem se tem jeito, e se eu deveria parar por aqui caso a resposta seja “não”. Acho que todos os seres humanos, no auge de suas dores, pensaram nisso ao menos uma vez, não?

No auge de minha agonia fica fácil entender pessoas que cometem erros estúpidos, pessoas que fazem más escolhas cujas consequências às vezes são irreversíveis, é verdade. Só me resta lamentar... Nem todo mundo tem um cano de escape. Nem todo mundo descobre que precisa ter um cano de escape. Às vezes até eu mesma esqueço ou não consigo me concentrar o bastante. Até eu falo e faço coisas em momento errado, por causa da bagunça que fica aqui dentro. A pior bagunça é aquela que provoca dor e te obriga a pensar em saídas... Geralmente geram também reflexões que não trazem bons resultados, não satisfazem os planos, os ideais. Então em meio a tantos conflitos, o corpo resolve que você está muito cheia e precisa vazar pelos olhos. Mais uma medida inútil. Você canaliza sua agonia pras palavras através da caneta, do papel, do computador...Mas nunca é o suficiente.

Eu ia comentar que crescer dói, que ser adulto é uma merda... Mas a quem estou querendo enganar? Tenho funcionado através do mesmo manual por anos. Ao menos nessas questões emocionais. Não é coisa de agora, esses meus confitos.