Tem uma fase da vida em que você pensa: preciso parar de sentir pena de mim mesma. E, de fato, você precisa. Porque após tantos pensamentos amargos, você se depara com dois caminhos: continuar se lamentando pelas experiências de merda que teve e pelo que perdeu até se reprimir; ou pode escolher ser feliz e mais dona de si daqui pra frente, deixando o passado em seu devido lugar e se abrindo pras oportunidades do futuro. A grande questão aqui não é parar de sentir. É administrar as dores e deixar cada uma em seu lugar. As dores do passado não podem te incomodar a ponto de te paralisarem e comprometer o teu futuro. Outra coisa que não funciona é tentar "superar" seus próprios traumas comparando-se aos outros. Cada cabeça um mundo, cada pessoa tem uma alma diferente. Cada um sabe onde a sensibilidade aflora e onde a frieza incomoda. Comparar-se aos outros não é justo, é desleal. Parto do princípio de que, primeiramente, é preciso aceitar as dores, sem vergonha, sem medo, e só então administrá-las. Pro seu próprio bem.
Você sente a necessidade real de ser legal consigo mesma. Parar de esperar que os outros notem suas necessidades e venham te ajudar. Percebe que não faz mal se mimar um pouco, e que nada nem ninguém tem o direito de te fazer desistir do que te faz feliz. Esse poder é, e tem de ser, exclusivamente seu. Você percebe que o seu passado diz respeito somente a você, seu mundo, suas escolhas, estão fechadas para palpites de quem não entende sobre a sua dor. Quando você se deixa dominar por esse sentimento de autonomia sobre a sua própria vida, só então decide de fato fazer algo mais por si. Por seus sonhos. Deixa de lamentar o que era ou o que perdeu, e entende que em suas mãos há o maravilhoso poder do agora, que o passado não tem o poder de te dominar e que o presente não tem esse nome por acaso.
Ter pena de si mesma nunca te levou longe. Nunca te levou a lugar nenhum. Murmúrios e lamentos só te levaram a uma linha limítrofe entre a depressão e o desânimo corriqueiro. Melancolia às vezes é um saco. Não é bonita nem poética. Acaba sendo uma merda, em sua melhor definição.
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pega leve.
sou sensível.