quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sixpence None The Richer



Eu preciso de amor
Não de uma prisão sentimental
Eu preciso de Deus
Não de uma igreja política
Eu preciso de fogo
Para derreter o mar congelado dentro de mim
Eu preciso de amor...

Eu amo a maneira como funcionam as letras de Sixpence None The Richer. Misto de sinceridade, de coração aberto, confuso, e algumas verdades, como nessa música, por exemplo. Letras que não hesitam em afirmar quando estão confusas muito menos quando se sentem fracas e estúpidas, e pessoas são isso! Nada de maquiagem ou frases forjadas, nada de "roupagem de banda gospel", não, é bem diferente. Porque cantar Sixpence é como respirar... Você simplesmente faz, porque se encaixa, porque é natural. Os conflitos são tão parte de você e você não vê problemas em assumir isso. Ninguém te ensinou a inspirar o ar ou alguma espécie de fórmula ou quantidades exatas de oxigênio que têm que entrar em seu corpo, naturalmente, você respira.Todas as vezes que ouço essas melodias e a voz de Leigh Nash tenho a impressão de que essas letras foram escritas assim. Essencialmente humanas, abrindo a conversa para o divino... 
Questionando, confrontando, olhando para Deus e para si mesmo, reconhecendo o quão miúdos somos e o quão esse Deus é Deus das pequenas e grandes coisas. Música que traz paz, que nos faz encaixar. Música pra sentir, música pra pensar... Música pra louvar. É, pena que a banda acabou. Sinto falta de sinceridade no diálogo com Deus, sinto falta da transparência da admissão de fraquezas e conflitos, coisas do tipo, "Senhor, eu não quero querer, mas quero... Estou fraco, me ajuda..." Meu amigo Deus sorri cada vez que nosso diálogo aumenta o nível de intimidade. Então, a gente passa a entender/encarar as coisas numa posição muito mais confortante que antes: ao lado Dele. Se as pessoas entendessem de uma vez que Deus tem mais de sinceridade e amizade que fórmulas opressoras de cultuar presas em caixinhas... Mais amor e menos religião, por favor. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Das coisas que não falo

Eu lamento. Mas ninguém pode perder tanto tempo assim comigo, a não ser eu. Talvez a história dos gatos, cachorros e apartamento solitário seja mesmo real. Meu maior sonho é que eu leia essa frase, ache uma grande asneira e sorria ao lado de alguém. Não consegui dormir, mas o motivo ao certo se funde com os filmes de terror e os horrores da vida real. A carne ainda está viva, à flor da pele, ardendo, sem qualquer remédio. Pelo contrário. Sentiu um pontapé na ferida, e se contorceu, ganiu, assim como aquele cãozinho débil que se deita no meio do asfalto e sente as pontadas bicudas em suas costelas tão aparentes. Não há explicação para a dor, não há dor que se explique. Tudo está gasto, tudo está morrendo... E agora mesmo não consigo ver um feixe sequer de luz. Uma dose de lucidez, acompanhada de amor-próprio, por favor. 

domingo, 21 de agosto de 2011

Sabe, ouvi que a ansiedade é o veneno que mata a fé. Por isso tenho me perguntado tanto sobre o quão debilitada anda a minha. Não vejo a hora de me livrar das pontas dos dedos em carne viva, da maldita gastrite, das caspas... Que ódio. Que patético. A vida está dentro de um certo controle e eu não consigo simplesmente tirar os limites de meu horizonte. Minha felicidade não é circunstancial, ando agindo como se fosse. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011


"Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez."



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Carne viva




Bem à flor da pele. Em carne viva. Intensidade que reflete, despela, me despe de toda auto-proteção e a realidade penetra como um sal, na ferida. Dói. Arde. Fere. E como fere. Tente convencer que o sol vai raiar outra vez, e ganhe uma agressão gratuita. É assim que funciona. Não exatamente como teria que ser, mas é assim que é. Há uma criatura deitada na cama da noite, envolta pelo lençol da solidão e parece haver uma grande ferida sobre ela. Ela treme de frio, segura as próprias pernas e os dentes, sente-se despelar. E a pele que vai é suja e velha, feia mesmo. E a nova ainda não está madura o suficiente para aparecer, sangra, o próprio oxigênio funciona como uma agressão. Alguém puxou rápido demais essa pele.
Hoje não queria falar de mim. Não pretendia cair nas frases e clichês baratos, no fim das contas eu sempre suplico por coisas que sequer fazem sentido. Meu coração será invadido pela mais genuína gratidão quando souber direcionar as petições, as súplicas, ao lugar correto. Por enquanto me enquadro nesse retrato mágico, se movendo lentamente, aos que conseguem enxergar, mudando de cenário e voltando à mesma cama. Respirando o que me resta de ar, escondendo as fraquezas com a mesma habilidade de sempre, com a diferença de um manifesto silencioso nas pequenas coisas. A velha falta de sentido nas pequeninas, a revolta das borboletas.
Nunca esperei uma revolta silenciosa, talvez devesse ter me preparado para tal. Um grande erro de cálculo esperar uma explosão barulhenta e doida, coisa de fazer voar os pedaços e as peles. Melhor seria ter preparado as pomadas para um despelar lento... Doloroso... Como se alguém tivesse cortado o casulo querendo apressar a metamorfose, e assim conseguir aleijar de vez a borboleta. 
Carne viva. Graças a Deus, viva. Até demais. Viva em pequenas feridas que doem, ardem, em arranhões recém-feitos, em cicatrizes passadas e que foram levadas de mau jeito. A gente não pode mais colocar remédio e esperar que elas sarem de maneira diferente, a única coisa que desejo é levá-las sem incômodo e um sorriso no rosto cada vez que as lembranças vierem à tona, pois ainda conseguirei ver o grande agir e ensinar em tudo isso. 
Recorro a este espaço como num desabafo, necessidade de olhar para mim mesma, alimentar o egocentrismo, querer julgar algumas coisas ilícitas. No mundo real não há espaço para egocentrismo, em meu lugar, sempre. Mas não pense que isso é o que me direciona a agir como ajo, é o que você não consegue entender. Nada é tão institucionalizado e simples como parece, meu manual de instruções em braile e num idioma desconhecido. Deixo essa parte pra o dono da máquina fazer, minha função é apenas agir e saber em qual parafuso devo folgar ou apertar. Difícil. Louco. Essa coisa de intensidade um dia vai acabar me matando. (se assim eu deixar)
Inveja dos que não sentem, dos que não vêem. Dos que nunca se confrontam. Num momento insano, às vezes teorizo que os tolos sofrem menos. Afinal, tudo é tolice. (e essa é uma das minhas).

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

About life

Uma das piores sensações do universo: querer consertar os outros, estando tudo quebrado aqui dentro. 

Soa como hipocrisia, um leve toque de incapacidade e uma necessidade extrema de fuga. Pode até funcionar, mas aos trancos e barrancos não é a melhor maneira de cuidar de ninguém. Sinto a ausência. A ausência de batidas, a ausência do antigo sentimentalismo barato, ao menos havia um. Agora só resta mágoa, decepção e uma vontade enorme de fazer pedidos dos quais vá me arrepender futuramente, a meu Amigo. Ainda bem que ele sabe que se deve passar uma borracha no que escrevi em ápice de raiva. 
Só queria que soubesse que estou com raiva. E esse sentimento está se metamorfoseando em algo ainda indefinido, longe de ser coisa boa. E esse raiva somada a tantos maus momentos, culpa, dor decepção, algo relacionado a mim e à vida para além da concha, está se firmando. Algo que talvez queira chamar com amargor. Pode ser, quem sabe? Meu destino não seja escrever, escrever, escrever... Até que não haja mais motivos ou possibilidades. 
Não sei mais o que sentir, tampouco como fazer. O que sinto na verdade é uma vontade enorme de trocar de mundo, procurar ar puro em outros. Mas, como estamos falando de coisas reais (até demais), que venha o próximo round. Nocaute. Por favor, por favor... Uma dose de lucidez e desapego. As minhas coisas são minhas demais pra deixar ir embora assim. 

♫ Tudo foi embora, só tenho você... Havia um silêncio que mostrou meus vícios, me agarro contigo, vem, me socorra agora...

Crescer significa mudar e mudar envolve riscos, uma passagem do conhecido para o desconhecido. 
Autor Desconhecido