segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O ar é gelado, eu sinto os meus lábios querendo rachar... Mas as lágrimas são quentes. Lágrimas que jurei não derramar por esses tão esperados dias, eu não aprendo a lição mesmo. Essas coisas a gente não escolhe sabe? Principalmente se somos pessoas tão desordenadas por dentro. Viver assim é como caminhar a beira de um precipício. A gente só vai, e pede a Deus equilíbrio e livramento. Pede que Ele nos proteja sempre daquele mesmo mal. Já te passou pela mente não andar mais por esse caminho? Não. Porque você não conhece outra forma de viver. 

Os barulhos da madrugada, antes acolhedores, passam a te assustar. Só não te assustam mais que o teu próprio pensamento. Que o teu próprio corpo. A mente está quase que desconectada, você sente que precisa sair de seu corpo para ir buscá-la. Me pergunto quem nunca se sentiu assim. Me pergunto se vocês respeitam tanto a morte quanto eu?

Prefiro não pensar no por que eu resolvi trazê-la a tona. A verdade é que ela nunca vai embora, não de verdade. Ela faz parte dessa colcha de retalhos cheia de buracos, ela é quem vai receber esse presente do fim do caminho.

Será que se eu chorar mais, consigo congelar as lágrimas? Meu peito dói. Me vem a cena de um filme a cabeça, de final trágico, como de praxe. Eu quero muito sair dessas espirais malditas, mas não sei como. Eu sinto que podia começar a verbalizar meus desejos funestos para que eu pudesse enfim ter o fim que mereço. Eu preciso mesmo estar bem para amanhã, e não consigo. Estou caindo caindo caindo caindo.... Quando menos poderia. Estou estragando tudo, de novo. 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Às vezes parece que há alguma espécie de lei no universo que determina que as coisas ruins em certo aspecto de sua vida nunca podem acontecer isoladamente. Quero dizer, quando um aspecto seu não vai bem, em vez de as demais coisas trabalharem perfeitamente para que você se concentre na resolução daquele problema específico, tudo começa a desmoronar ao mesmo tempo. E você tem duas escolhas: tentar salvar o máximo de pedaços possíveis ou focar em apenas um problema e trabalhar em seu conserto com excelência, ignorando os demais. Há também uma terceira escolha que não me agrada,e é a que parece mais tentadora: você simplesmente desiste de tudo. Se entrega ao caos. Deita no chão, espera as paredes caírem em cima de você, o teto despencar em sua cabeça... Uma hora o chão vai parar de tremer e as coisas vão parar de cair, e é a hora que você levanta e, ferido como nunca, vai recolher o que restou para recomeçar algo.  

domingo, 21 de julho de 2019

Se eu pudesse fazer um pedido para se realizar até o fim desse ano, seria: viver no presente. Sim, focar no presente, não mais perder tempo visitando o passado ou gastando energia com o futuro. Não, não tem a ver com viagem no tempo (quem dera). É mais sobre uma prisão chamada "ansiedade". Reconhecendo-me como uma pessoa ansiosa percebo que tenho dificuldades de viver e permanecer no tempo que me convém. Cansei de dar voltas improdutivas por lugares onde já estive, revisitar pessoas que não merecem atenção, reviver situações que já não posso mais interferir. Também não suporto mais projetar medos do passado no futuro, a imaginação pode ser uma professora realmente cruel se não conseguimos equilibrar excitação e medo. 

As convicções sobre tudo me permitem, principalmente, não paralisar. Eu já disse tantos "não's" querendo dizer "sim", ainda o faço, admito, tenho receio do desconhecido ou do conhecido que me tira da zona de conforto. Porém, não posso parar. Não enquanto houver pulsação. Não enquanto houverem sonhos a se realizar. Não enquanto houverem borboletas aqui dentro (nem tudo é ansiedade e medo). As questões do passado e futuro querem comprometer o meu presente, deixando minha existência pesada, difícil de carregar. Não vou desistir agora. Não enquanto eu souber que posso abrir a mochila e ir descarregando as coisas inúteis pelo caminho.

O caminho a se trilhar é longo, vejo placas que pouco sinalizam. Respiro fundo e escolho num misto de razão e intuição, será que esse desvio pode me dar um atalho? Ou será que estou me insinuando para uma via perigosa? Seja o que for, tenho uma sensação familiar na boca do estômago... E ela me pede para arriscar. A sua familiaridade vem de outras viagens, porém, não posso dizer que estou caminhando para algo já visto. É.. novo. É excitante. Preciso ter cautela, pois, quero correr em frente sem nem mesmo saber sobre as pedras do caminho. Respiro fundo, tento sentir o ambiente, o clima. Isso me conecta com o presente. Sinto vontade de sorrir assim, sem um motivo específico, apenas porque estou aqui. Apenas porque estou caminhando. É bom quando consigo somente respirar e sentir/estar. Não é necessário ter todos os saberes agora, mas estou satisfeita com tudo o que venho observando dessa estrada até o momento.

Se eu disser que não espero nada quando chegar ao fim, estarei mentindo. Mesmo quando minha mente se atém ao presente, eu tenho sonhos e esperanças. Porém, se esse caminho não me levar até isso, sinceramente? Não posso dizer que foi perda de tempo. Às vezes o destino final não é tudo, mas a experiência de caminhar vale a pena. Hoje acordei com essa convicção. Será que estou deixando de lado as "viagens no tempo" para me focar nas viagens do "mundo real"? 

domingo, 30 de junho de 2019

Sexta-feira à noite, ela veio de novo. E eu estava desprevenida, como sempre. Fui atingida em cheio. Comecei a sentir seu toque à noite, nem tão tarde. Sutil. Quente. Se espalhou pelo corpo e deixou a cabeça pesada no travesseiro, se meus pensamentos fossem líquidos, escorreriam pelas orelhas, olhos, ouvidos, até me afogar por dentro. Quando chega na boca, o gosto é ruim e quase permanente. Sexta-feira ela me abraçou, me cobriu inteira, me dominou pouco a pouco, até ficar cheia e sufocada, os olhos vazando antes mesmo que eu entendesse o porquê. O quarto de repente tinha a metade do tamanho, e o coração... O coração era como uma caixinha comprimida dentro do peito, cheia, pesada, prestes a estourar sabe-se lá quando. Não havia limites visíveis, isso ainda me apavora.

Se eu dormi, não sonhei. Nem descansei. Acordei com ela ainda ali, ao meu lado, querendo me oferecer coisas que eu sabia, embora lá no fundo, mas ainda assim sabia, eram ilusórias. As imagens passando pelos meus olhos antes mesmo de meu corpo querer acordar. Pensando bem, essa vontade não existiu. Senti-me letárgica com todo aquele peso em cima de mim. Me encolhi várias vezes e não senti passar, pois ela simplesmente decidiu ficar ali. Como um cobertor fofo e quente num dia frio, eu passei a não querer que ela fosse embora. Eu com ela sabia quem era, onde queria estar, sem ela eu não sabia de nada, estava jogada ao frio, vulnerável, em ambiente estranho. É curiosa essa familiaridade, quase mascara a angústia que existe por trás de tudo.

Veja bem, não é de todo ruim ficar com ela. É ruim ter de se explicar. À vida, ao mundo, às pessoas, nada disso muda em virtude da existência dela. E essa talvez seja uma das coisas que mais doem, durante a sua visita. Ela está aqui, mas tudo ao redor parece acontecer numa frequência que não faz sentido. A falta de lógica nas afirmações não importa mais, ser e estar é um peso, e a melhor forma de lidar com ele é deitar na cama, e esperar que algumas pedras rolem para o lado. Fechar os olhos dentro do abraço dela e torcer para que ela aperte de uma única vez, sem te dar tempo de refletir ou desistir.

segunda-feira, 24 de junho de 2019


Aquela sensação de que é preciso cuidar mais de sua própria estrutura para então permitir a visita de outrem. Vai que essa visita resolve ficar um pouco mais, e acaba fugindo após ver a bagunça? Também há quem diga que não se pode cuidar do outro quando se está em pedaços... Mas, o que tenho sido ultimamente senão uma alma dedicada àqueles que considero, guardando a dor no bolso pra ir juntar cacos? Eu tenho vivido uma farsa, uma mentira? Tenho então fingido ser feliz para poder segurar pessoas e relacionamentos? A solidão que eu sinto é uma mentira plantada bem fundo nessa mente, não se sabe quando foi semeada, só se sabe das raízes que crescem por dentro, se apossando órgão por órgão. 

Eu não sou uma boa morada, logo se percebe as falhas da estrutura. Como uma corretora que tenta anunciar bem um imóvel cheio de problemas, eu tentei escrever a uns dias atrás, sobre como eu mereço amor e transparência, segurança, coisas boas. Falhei. Tudo que consigo é falar sobre/perceber as falhas, as partes rachadas dessa casa, que para mim são gritantes. A voz que argumenta sobre o que está fora de lugar é muito forte e convincente. Ela sabe como me fazer sentir incapaz até de oferecer abrigo para mim mesma, de prover alimento, sobrevivência básica. Me faz sentir uma completa inútil, quem de si não cuida, não deve se julgar capaz de prover nada a terceiros. 

Eu queria dizer que uma parte de mim sente desesperadamente falta de amor. E quer coisas que não sei nomear. Sofre por não ter respostas. Sofre até por não saber formular as perguntas. Essa parte se sente indigna de coisas bonitas, simples, fáceis, leves. Pois, como posso ser merecedora de tantos antônimos? Luz só atrai luz, o mesmo vale para as trevas. Quem dera descobrir o X da questão, quem dera repousar a cabeça no travesseiro e dormir tranquila, respirar tranquila, pensar tranquila, ser tranquila.

Quando eu começo a me aproximar de alguém, e nutrir sentimentos profundos, eu me vejo envolvida por várias questões antagônicas. Uma delas é a vontade de me expor, ferida por ferida, cicatriz por cicatriz, para ver se a pessoa vai fugir ou ser capaz de ficar, enquanto que ao mesmo tempo sou atacada pelo desejo de me esconder por trás de uma fachada que diz respeito ao que eu imagino que este alguém gostará de ver em mim. Seria incrível se eu fosse apenas eu mesma, sem pensar coisas estranhas ou pesadas, sem imaginar situações trágicas o tempo todo, que sempre acabam comigo levando a pior. São tantas coisas para lidar ao mesmo tempo, que eu acabo supervalorizando qualquer pessoa que se sinta bem em minha companhia, que goste de estar comigo. Que saiba das minhas lutas e decida ficar. Não são muitas, é verdade, mas eu quero canonizar todas aquelas que decidiram estar. 

Sabe, a verdade é que é delicioso e estressante se abrir pras pessoas. Delicioso porque, quando acontece a reciprocidade, do riso, do afeto, do abraço, da conversa, da confidência, é uma das melhores sensações do mundo, sensação quase que de pertencimento. Estressante porque, até chegar a esse ponto, eu já passei por uma penca de situações complicadas em minha cabeça, por medos sem fundamentos, que vão sugando todas as minhas energias, ao ponto de muitas vezes restarem poucas para me relacionar. Eu sinto inveja das pessoas simples. 

Tenho quereres que se resumem a grandes falhas de autoestima e de amor próprio. Quero me sentir boa o suficiente. Amada. Desejada. Adorada. Quero me sentir competente. Quero gostar de mim. Parece coisa simples de se pedir, mas é quase impossível em meu universo subjetivo. Quero ser minha amiga.Em vez de pensar "quem me amaria?" eu deveria permanecer no "Se eu não me amar e respeitar, quem mais deveria?" E bem no fundo eu acho que mereço amor sabe? Mereço carinho, compreensão, mereço palavras bonitas e gentis. Mereço sentir verdade em cada coisa dessas. Mas talvez, tudo deva vir da pessoa que mais importa e que eu mais negligencio: eu mesma. E sobre isso não sei muito bem o que fazer, as vezes a vontade dominante é a de jogar a toalha. E a minha falha de caráter, aquela relacionada ao meu medo, à insegurança, à supervalorização do outro, é a única coisa que finca meus pés no chão e permite que eu não faça besteiras irreversíveis. 

Então, será que Clarice tinha razão? "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro."
Talvez eu esteja condenada a conviver com isso o resto da minha vida. Quem sabe não tem a ver com as coisas que me mantém viva? Aguardando cenas dos próximos capítulos. 

domingo, 19 de maio de 2019

Os velhos vícios me dominam e me corroem pouco a pouco. Disseram que é lixo emocional acumulado. A renovação virá quando eu largar o conteúdo dessa bagagem, um por um, num abismo do qual eu mesma me perca, e nunca mais encontre. Talvez essas manias estejam me cegando pro futuro, para as novas possibilidades. Enquanto o que for "novo" me assustar, terei o hábito de adaptá-los e encaixá-los em velhos esquemas. É injusto e frustrante. Pois as borboletas mereciam nova chance de alçar voos, em vez de serem aprisionadas com a justificativa de "vocês lembram o que aconteceu da(s) última(s) vez(es)".

Cada vez é singular. Cada borboleta tem uma personalidade diferente, embora sejam feitas do mesmo núcleo. Cada bater de asas difere do outro, apesar das semelhanças, cada história tem as suas próprias peculiaridades. Como se não bastasse a energia gasta com preocupações fúteis e inúteis sobre a superfície, tenho dispendido um esforço tremendo para disfarçar as explosões daqui de dentro. A falta de clareza sobre o que sinto e gosto, por outro lado, deveria eu ter tantas convicções assim? Sigo preocupada com as pistas, os sinais. Cada gesto pode ser revelador, você sabe, é como estar treinando malabarismo em um circo pela primeira vez, eles te jogam objetos cada vez mais difíceis e uma hora a farsa acaba, eles descobrem, você não tem a habilidade.

Estar navegando em novas águas traz aquele tremor do frio na barriga, a ansiedade, ao mesmo tempo em que aquece tudo por dentro e te traz uma urgência de saltar de cabeça. É contraditório e instigante. O medo está sempre ali, de mãos dadas com a excitação. Tem horas que há conflitos incessantes entre eles, e, francamente, não sei por qual lado torcer, às vezes. É tudo (m)eu. 

Não deveria eu estar preocupada com o excesso de metáforas e simbolismos aqui enquanto que há textos fresquinhos, crus e abertos, bem ao alcance de meus dedos, através da ponta da caneta? Derramei a minha alma no papel, aquilo que posso tocar, cheirar, corrigir, riscar, circular, alisar, como numa tentativa de concretizar coisas abstratas da mente (e do coração). Tem dias que eu gosto do que leio ali, tem dias que eu prefiro não me encarar. Meus textos escritos são autorretratos dos quais poucos terão o privilégio e capacidade de tocar e entender. Esse espaço aqui? É somente uma brecha no muro. E eu não tenho a menor vontade de tapá-la. Quem sabe um dia eu não tiro uns tijolos e facilito a vista? Deve ser medo de que julguem mal a minha paisagem.