segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Droga, eu não sei lidar com isso.
A parte que está orgulhosa por eu ter tentado é menor que eu pensava. É bem insignificante, se comparada ao mar de decepções no qual me encontro. Tentar tem sido insignificante se o resultado não se mostra positivo. Tem algo de errado com a forma que eu encaro a vida e meus fracassos, o que não é surpresa alguma, na verdade é mais um lamento que uma reclamação. Reclamar implica que eu ainda espero alguma mudança. Lamentar entrega que eu desisti de mudar o que mais me aflige. 
Respirando fundo enquanto busco palavras coerentes, percebo que elas não são mais tão amigas quanto eu achava. Não estou calma o suficiente. Não consigo extrair delas o necessário pra me acalmar dessa vez. É um misto de sentimentos que me deixa pouco à vontade. Uma vontade estranha de quebrar coisas e seguir em frente, pisar em cima do que está ferindo e seguir. Ao mesmo tempo a vontade de me quebrar diante de alguém, mesmo sabendo que ninguém pode me ajudar agora, somente deixar que me segurem enquanto eu tento colocar pra fora essa coisa que me fere e incomoda. Veja bem, eu não posso pisar nessas coisas ou apenas chutá-las de meu caminho porque elas vêm de dentro. Elas estão dentro de mim. Queria explodi-las internamente de modo que ninguém saiba, ninguém precise parar suas próprias coisas pra prestar atenção. Mas parece que dessa vez eu preciso colocar pra fora essa bomba. Vai machucar alguém. Não parece justo.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Mana 🌸

Preciso falar sobre a mais nova pessoa da minha vida. Isso envolve irmandades, paixões em comum, cumplicidade e um pouco daquelas coisas inexplicáveis e únicas que eu tenho com cada um dos meus. Preciso falar dela porque me peguei pensando que talvez ela não saiba/sinta o suficiente de minha parte, e eu não quero correr esse risco.

De início, custei um pouco a acreditar nela, não vou mentir. Por ser um alguém igualmente tão propenso a brincadeiras, achei que eu podia estar exagerando, ou que seria mais uma das coisas online que dão e passam, como aconteceu muitas vezes comigo. Depois eu vi que ela foi ficando por aqui, e eu achei que ela confiou em mim muito rápido. Em mim. Logo em mim. A desconfiada número 1. Não achei que pudesse inspirar qualquer confiança a alguém, de cara. Mas então vi que ela também foi pega de surpresa por isso tudo. Conversamos bastante. O que sustenta a nossa relação é, principalmente, a conversa. A conversa e a confiança.Trocamos ideias e pontos de vista, e, mais que isso, abrimos nossos porões sujos e empoeirados. No fim das contas, percebemos que somos diferentes em tantas coisas, mas semelhantes em tantas outras e, talvez na mais importante delas: a essência.

Falamos de coisas banais e coisas desconfortáveis, trocamos farpas e declarações o tempo inteiro, e, no fim do dia, sempre nos perguntamos coisas do tipo "por que pessoas legais moram longe?". Só pode ser ironia do destino, essa coisa de termos dificuldade em nos abrir com pessoas próximas e aprendermos a amar e falar com pessoas tão distantes. Merda. É o tipo de piada cruel que a gente costuma rir. Porque não nos resta outra coisa a não ser rir e continuar confiantes de que algum de nossos planos mirabolantes dará certo. (veja aqui o emoji de coração partido) Assim, fomos alicerçando essa coisa especial que, tenho certeza, ainda tem muitos passos a caminhar. Essa coisa que tem trazido tantas coisas boas a nós duas. Uma reciprocidade estranha e rápida. Dei de bom grado minhas séries, filmes, livros, letras, bandas, deixei que ela espiasse um pouquinho das partes boas de meu mundo pra, quem sabe, um dia a gente desfrutar disso juntas. Pra quem sabe ela me conhecer um pouquinho mais.Ela me traz à memória coisas leves e gostosas e,  por que não, infantis. E, mais importante, ela sempre me faz pensar e refletir sobre coisas que não quero. Coisas que eu queria deixar trancadas e mexer nunca mais ou somente quando for tarde demais. Coisas relacionadas a minha própria personalidade e a minha forma de ver a vida. Acho que essa é uma das melhores coisas sobre ela, há doçura e farpas na medida certa. Sim, as duas coisas são importantes.

Há coisas na vida que não precisam ser muito explicadas, somente sentidas, compartilhadas, vividas. Tenho dificuldades com coisas assim, sendo eu na maioria das vezes tão cartesiana e racional. Mas, se tem uma coisa que aprendi sobre relações interpessoais, é que as melhores coisas geralmente são inesperadas e não compreendidas em sua totalidade. Tentar compreendê-las como um todo acaba por tornar-se mais como um passatempo mental que como uma possibilidade. O ano que passou foi cheio de altos e baixos, mais baixos que altos, devo confessar. Mas, ainda bem que, dentre os altos, bem ali no topo, como uma coisa colorida (na medida certa, sem doer a vista), polida, cativante, intrigante, estava ela. E eu entendi como mais um dos sinais de que Ele continua cuidando de mim através das pessoas. E de que, como ela mesma gosta de lembrar, essa é uma necessidade de todo ser humano. Infelizmente não sou um ET, felizmente consigo perceber, porém sem admitir em voz alta, que preciso de outros. Preciso dela. Ela sempre me lembra que nem sempre vulnerabilidade é ruim.

Obrigada pela vida dela, Deus. Me peguei pensando com o coração cheio de gratidão, coisa que não acontecia há tempos. Obrigada por isso, mana. Obrigada pelos "ouvidos" atentos e por toda a paciência do mundo. Isso significa o mundo para mim.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Os fios que se partem

Eu não tenho um nome pra isso que eu tô sentindo. Eu nem mesmo tentei uma nomenclatura satisfatória. Faz tempo que eu não tento nada. Mas as sensações estão aqui. Os mínimos movimentos me custam, mesmo agora quando estou sentada e seguro essa caneta, sinto precisar do máximo de atenção possível e esforço. Enquanto escrevo sinto uma força contrária me puxando pra dentro, tentando me fazer desistir de fazer qualquer coisa. 

Não é só o calor, eu me sinto quente por dentro, como se houvesse um líquido estranho querendo derreter tudo... Enfraquecer os fios...
Imagine que nós somos como uma máquina suspensa/ligada por fios internos. Cada fio representa a nossa vontade de viver. Cada um deles se move motivado por alguma coisa, seja família, carreira, amor, Deus, o que quer que seja, ou qualquer que seja a espessura deles, estão lá. Então alguns deles encontram-se fracos, num emaranhado estão prestes a se arrebentar. Você sente a força contrária querendo simplesmente desestabilizar todos os fios, ou imobilizá-los, o que dá no mesmo,na verdade, pois, se um fio desses pára, compromete o mecanismo, o movimento de todos, e tudo vai se arrebentar.

Eu sinto como se pouco a pouco os meus fios estivessem arrebentando. Nunca a expressão "por um fio" fez tanto sentido para mim. Eu não sei qual é o fio responsável pela escrita, por exemplo, mas sinto que ele está fraco, perto de partir. A minha mão pesa, apesar da mente afiada e do desejo de escrever, o resto do corpo parece não querer reagir a isso.

Todos os dias o meu corpo sai às ruas empurrado... Seria possível "enferrujar" essas cordas? O medo de que alguém corte algum fio é absurdo, não sei o que é andar despreocupadamente, apenas aceitando que o destino já escolheu a hora e o dia dessa máquina parar de funcionar.
Eu me pergunto se com essa idade eu deveria me preocupar com essas coisas... Ou me sentir assim. Tão quebrada e desgastada por dentro. Tão frágil e exausta de manter meus fios a salvo (aqueles que restaram) todos os dias. Diariamente sempre vem aquele desejo que soa como uma pergunta: não seria melhor cortar todos os fios de vez?

Mas o restinho de razão (ou medo) paralisa e descarta quaisquer atitudes de corte. Mas nada disso me faz sentir menos em frangalhos... Somente um pouco medrosa e estúpida. Inútil. Dentro da concha, como sempre. Mas agora sei que sou feita de fios. (e eles estão se partindo)



(Deus sabe que eu gostaria de ter deixado tudo isso em 2016)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Cheguei aos 24.
São mais de duas décadas vividas... Eu consegui chegar aqui. Sempre me pareceu óbvio que eu fosse conseguir, como qualquer pessoa normal, envelhecer, crescer, viver até os 90 anos. O que nunca me ficou muito claro foi o caminho que eu teria que percorrer nem onde eu estaria quando eu chegasse a essa idade. Cheguei aqui como um gato assustado que veio driblando todas as confusões da rua, colecionando marcas e cicatrizes pra lembrar de não voltar em certos lugares. Com medo de qualquer pessoa que venha e ofereça abrigo, comida, proteção. Cheguei um tanto inquieta, atrás de mudanças, mas ao mesmo tempo tão cansada. Fiquei por aqui, me escorei num canto, durmo, acordo, me alimento, e todo dia agradeço por ainda estar aqui, por estar viva, por nada ter me atingido. Estou tão ocupada sobrevivendo que não me sobra tempo pra curtir o momento ou fazer planos pra um futuro melhor. 
Parece horrível, eu sei. Mas quando eu olho pra trás, eu percebo que foi uma espécie de milagre que tenha feito esse gato assustado chegar até aqui. Sempre tive instintos de autoproteção muito fortes, mas nem isso pode impedir que a gente se machuque durante o caminho, há coisas inevitáveis. Esse gato tem tanto medo do maltrato dos seres humanos, dos carros que não vêem e passam por cima e daqueles que vêem mas passam mesmo assim, que aprendeu a atacar antes de ser atacado. Mas, se puder passar silencioso e desapercebido, ainda prefere. E foge. Pra sobreviver. Foge antes mesmo de identificar se o terreno está seguro ou não, passa correndo antes mesmo de haver motivos, para que assim possa se proteger, seja lá do que for que está por vir, seja lá se realmente algo está vindo em sua direção.
Sei que a analogia do gato assustado não é das melhores, mas é a primeira que veio à cabeça, e pensando bem, agora se encaixa perfeitamente com o misto de sensações que ficaram aqui dentro ao trazer a tona tantas coisas relacionadas a essa data.
Esse gato precisa de um lar. E com isso eu quero dizer segurança, abrigo, carinho, comida, proteção. Porém, não há coragem o suficiente para deixar de lado os traumas e os medos que ficaram dos outros lares e das ruas. Das brigas com os outros gatos, das pessoas que não sabiam o que queriam e fizeram dele, com o perdão do trocadilho pobre, de gato e sapato. No fundo ele é e sente que sempre será somente um gato medroso, que envelhece sem muitas perspectivas, e tem como objetivo principal de vida sobreviver.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Hoje eu concluí um ciclo. Ou assim deveria ter sido. Eu ainda não consegui posicionar em um lugar adequado os últimos quatro meses que passaram. Tentando não analisar pelas minhas expectativas frustradas mas sim pela lente de autoreflexão, da autoafirmação, do autodescobrimento. Ter analisado a minha bagagem durante esse tempo me fez perceber, principalmente, que:
- viver só é pesado para mim porque eu carrego mais coisas que deveria;
- todo mundo deve deixar coisas pelo caminho, sem medo de achar que precisará delas depois;
- a minha bagagem é pesada o suficiente para que eu não a ignore diante dos outros;
- é importante que eu dedique um tempo a analisar as coisas que eu venho acumulando, ninguém vai se importar com isso a não ser eu;
- eu e minha bagagem somos mais importantes do que a ideia que os outros tem sobre nós.
Eu estou disposta a começar mais um ciclo... ou seria dar continuidade? 
O que importa é que eu estou disposta. Queria começar 2017 com o coração sorrindo e a alma tranquila. Veremos o que acontece.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Bem, pra começar, eu não sei porque eu quis escrever esse texto. Quer dizer, de praxe, há várias coisas me incomodando ao mesmo tempo. Talvez seja somente uma tentativa de entendê-las. Bingo.
Primeiro eu quero dizer que eu não estou num dos melhores momentos da minha vida. Não sou realizada profissionalmente, estou sarando minhas feridas emocionais a passos de tartaruga e não consigo seguir minhas metas.Como conseguiria? Pra falar a verdade, eu não sei mesmo se eu tenho metas verdadeiras, e isso me deixa bem triste, só de pensar. 
É óbvio que eu ainda tenho sonhos grandiosos, mas quando me permito analisá-los eu percebo que a minha dificuldade em me encontrar polui a minha visão sobre o futuro. Tudo parece tão... Sem sentido. Sem cor, sem motivos fortes. Eu sinto como se durante toda a minha vida eu tivesse sido uma criança precoce, com problemas de sociabilização, porém muito focada naquilo que queria, em não abrir mão de certas coisas. Hoje me sinto mais criança como nunca. Não tenho tantos problemas de sociabilização, mas minha cabeça anda desgraçada, eu sinto menos vontades do que antes e um incômodo quase físico por estar onde estou. Por não fazer desse incômodo um ímpeto pra mudança. Eu estou fechada. A minha alma anseia por mudanças, mas o meu corpo se recusa a abrir. Dias perigosos esses nos quais não existem consenso entre alma e corpo.
Sinto que eu talvez esteja sem raízes no momento. Sem coisas com as quais me importar, sem algo que valha a pena estar vivendo. E isso tem me deixado um pouco deprimida, sim, confesso. Não nasci para ter o "espírito livre", eu nasci para "ter um plano". Talvez a culpa dessas cargas pesadas seja dessas minhas expectativas de que eu fosse uma pessoa diferente e estivesse fazendo outras coisas no momento. Como sempre, a falta da autoaceitação me trazendo desgraças.
Não posso fingir que não quero chorar enquanto escrevo agora. Pelo amor de Deus, se eu for mais sincera comigo mesma eu vou me tornar uma pessoa extremamente melodramática e digna de pena, tudo que eu não quero nesse momento.