Eu não tenho um nome pra isso que eu tô sentindo. Eu nem mesmo tentei uma nomenclatura satisfatória. Faz tempo que eu não tento nada. Mas as sensações estão aqui. Os mínimos movimentos me custam, mesmo agora quando estou sentada e seguro essa caneta, sinto precisar do máximo de atenção possível e esforço. Enquanto escrevo sinto uma força contrária me puxando pra dentro, tentando me fazer desistir de fazer qualquer coisa.
Não é só o calor, eu me sinto quente por dentro, como se houvesse um líquido estranho querendo derreter tudo... Enfraquecer os fios...
Imagine que nós somos como uma máquina suspensa/ligada por fios internos. Cada fio representa a nossa vontade de viver. Cada um deles se move motivado por alguma coisa, seja família, carreira, amor, Deus, o que quer que seja, ou qualquer que seja a espessura deles, estão lá. Então alguns deles encontram-se fracos, num emaranhado estão prestes a se arrebentar. Você sente a força contrária querendo simplesmente desestabilizar todos os fios, ou imobilizá-los, o que dá no mesmo,na verdade, pois, se um fio desses pára, compromete o mecanismo, o movimento de todos, e tudo vai se arrebentar.
Eu sinto como se pouco a pouco os meus fios estivessem arrebentando. Nunca a expressão "por um fio" fez tanto sentido para mim. Eu não sei qual é o fio responsável pela escrita, por exemplo, mas sinto que ele está fraco, perto de partir. A minha mão pesa, apesar da mente afiada e do desejo de escrever, o resto do corpo parece não querer reagir a isso.
Todos os dias o meu corpo sai às ruas empurrado... Seria possível "enferrujar" essas cordas? O medo de que alguém corte algum fio é absurdo, não sei o que é andar despreocupadamente, apenas aceitando que o destino já escolheu a hora e o dia dessa máquina parar de funcionar.
Eu me pergunto se com essa idade eu deveria me preocupar com essas coisas... Ou me sentir assim. Tão quebrada e desgastada por dentro. Tão frágil e exausta de manter meus fios a salvo (aqueles que restaram) todos os dias. Diariamente sempre vem aquele desejo que soa como uma pergunta: não seria melhor cortar todos os fios de vez?
Mas o restinho de razão (ou medo) paralisa e descarta quaisquer atitudes de corte. Mas nada disso me faz sentir menos em frangalhos... Somente um pouco medrosa e estúpida. Inútil. Dentro da concha, como sempre. Mas agora sei que sou feita de fios. (e eles estão se partindo)
(Deus sabe que eu gostaria de ter deixado tudo isso em 2016)
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pega leve.
sou sensível.