quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A hora mais escura

Eu temo a hora mais escura do dia. Sim, eu temo. Tenho tanto medo da solidão que vem de repente, como uma mão que aperta, espreme o coração até conseguir trazer lágrimas consigo.
Eu temo porque sei que todos os dias ela sempre vem, eu tenho um medo desesperador de ser arrebentada mais que o normal, mais que o necessário estando assim, tão vulnerável.
Tenho medo mais ainda porque sei que no meu dia há a probabilidade de ter várias horas escuras... Esse céu nublado ameaçando de vem em quando a luz de meus dias, até quando?
A hora mais escura é aquela onde tenho uma falsa certeza de que ninguém pode me ver... A hora em que eu perco o foco, a vista, o ar, e só me entrego ao choro silencioso das noites, pois não há mais forças para soluços, o desgaste antes emocional afeta o físico e assim me permito morrer imóvel em minha cama, meu travesseiro, meu quarto escuro e quente...
Na manhã seguinte, renasço. Sou forte, sou dura. Sou de aço. Nunca chorei, nunca me entreguei à dor, e me sinto quase pronta para cair em mais uma batalha diária. Quase. À noite, eu sei, um pouco mais de dor e precipício. 
A hora mais escura chega. E me mostra o quanto de fraqueza e covardia tenho. Passada a autocomiseração, estou prontíssima para me juntar à multidão dos incontentes que ignoram suas incoerências e escondem o desespero medonho que suas dores lhes trazem.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Palavras perigosas

Era pior que o silêncio, de fato. Depois de algum tempo discutindo sobre coisas desnecessárias que foram ouvidas e suas inevitáveis consequências, ela aprendeu que o pior não era o tal silêncio que sempre a deixava se sentindo ignorada.... O pior mesmo, eram as palavras erradas. Inadequadas. Gentis. Ditas de maneira calma, racional, sem deixar equívocos. Sem deixar esperanças. Quase sujas, pervertidas aos seus sentimentos, desejava nesta hora ouvir os piores palavrões do mundo em lugar das palavras erradas tão bem pensadas e colocadas pelo outro. Após tantas brigas ela aprendeu de verdade que o silêncio oportuno é uma dádiva...
Teve medo de conversar. Desejou possuir alguma deficiência, de repente, pra não ter que ouvir e guardar mais amarguras. Eram palavras que despertavam em si tudo o que tinha de pior, seu lado mesquinho queria sair e responder à altura da baixeza, mesmo que isto não valesse a pena. Seria golpe baixo, baixíssimo. Rasteira total em suas convicções. Mas dane-se, uma hora isso passou a não importar mais.

Ela disse sim, querendo dizer não.
E ele gritou um não, silenciando seu sim.
Seus olhos dialogaram inesperadamente e algumas lágrimas foram contidas.
Ninguém se entendeu.
Novamente.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 

De repente da calma fez-se o vento 
Que dos olhos desfez a última chama 
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama. 

De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante 
E de sozinho o que se fez contente. 

Fez-se do amigo próximo o distante 
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes



quinta-feira, 27 de junho de 2013

- Palavreando

Escrevendo pra não enlouquecer de tanto ter que escrever!
Escrevendo dessa vez para lembrar que as palavras que vão ficar, são aquelas canalizadas diretamente do coração, aquelas que deixo sair pelos olhos, pelos soluços, pelo tremor da risada, pela quietude dos olhos, essas palavras me imploram para serem escritas. Reescritas. Editadas. Externadas de alguma maneira.
É que preciso lembrar todos os dias que nem mesmo estas são eternas e minha agonia diária vai passar. Tudo é passageiro, por que eu, logo eu, quero ser motorista? É barra. Das forte. Todos os dias um bolo se forma em minha garganta, e eu não sei discernir as vontades. Grito? Choro? Tanto faz. TCC? Apenas uma parte muito, muito pequena dessa colcha de retalhos meio tristes, meio rasgados. Atualmente, poderia tranquilamente estar embrulhando um mendigo qualquer no chão frio do centro da cidade.
Olá, mundo. Você continua assustador como sempre.
Oi, gente. Eu preciso de vocês, como sempre. E sempre, sempre, sempre do mesmo jeitinho calmo e confortante. Ando apavorada com palavras, com a necessidade de ter que escrevê-las, na verdade. E o pouco intervalo de tempo entre uma e outra para respirar. Porém ouvi-las de vocês continua tendo o mesmo efeito terapêutico. Da mesma forma que escrever aqui, acolá, em uma folha separada do caderno, em uma das milhares de agenda.
Oi, Deus. Estou devendo milhares de coisas, mas principalmente palavras. No silêncio eu também aprendo, mas sei que precisamos conversar.
Tô chegando...

sábado, 4 de maio de 2013



"De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha
De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque a sua loucura parece um pouco com a minha..."

Se fôssemos normais, teríamos tanto tempo a perder com coisas tão banais? ♥



terça-feira, 30 de abril de 2013

Repentina

Queria ser como ela. Errada e certa.
Sempre segura do que dizer ou de quem é... Segura de si! Segura daquilo em quê acredita, madura pra saber mudar de idéia e ficar de bem. Queria ser ela...
Queria entender um pouco a mente dela e perceber quando acontece a fraqueza, se ela se mostra fraca nas vezes que eu suponho ou se é só sensibilidade feminina transbordando quando ela menos espera.
Quem dera ter a cabeça boa como a dela... Cada coisa em seu lugar, cada trauma esclarecido, cada luta enraizada. Eu odeio decepcioná-la. E não ter coragem de conversar sobre as coisas que percebo dela, nela, pra ela. Odeio ainda ser superficial quando estamos perto. Mas você sabe, não se pode forçar relações, muito menos profundidades. Às vezes acontece... Mas às vezes não.
A gente não força. A gente se parece em alguns pareceres... Dentre eles o de não se forçar quando não acontece. Que pena. Eu acho que até poderia ensiná-la algumas coisas, de repente até surpreender. Mostrar que fazer expectativas não é legal, e que é necessário um pouco de paciência e inspiração, comigo. Mas enfim, poderia não me importar com essas coisas. Ela é somente ela, e eu sou apenas eu, os interesses vêm e vão, e o que sobra só o futuro nos diz.
Será que ela sabe? Que ela é incrível nestas e outras coisas? Será que ela tem idéia do carinho e da admiração? Tenho quase certeza que não, pelo menos sobre esses últimos. Tenho o hábito horrível de não transparecer as melhores coisas, por uma questão de auto-controle, proteção, ou sei lá o que, no final das contas, não passa de tolice. Que mal que pode fazer dizer o quanto queremos bem? O medo da reação e as cores misturadas em volta me distorcem a visão, eu sempre acabo por guardar essas contemplações.
Um dia, espero que ela saiba o quão eu a admiro e quero bem. Quem sabe nas esquinas de um destino distante a gente não tome um café e jogue idéias fora, deste tempo meu tão perdido, ou de uma realidade, se Deus quiser, agradável e satisfatória? Ninguém sabe, a não ser Ele mesmo. Por enquanto, vou fazendo quase tudo... Tentando me juntar aos pouquinhos. Pensando que primeiramente tenho que agradar a mim que a ela, ou qualquer outro. Me amar e querer bem. Principalmente neste momento de vida. Mas o interessante é ver que, mesmo que não saiba, ela me inspira a dar o melhor de mim, e consequentemente ser. Queria que o inverso também funcionasse. Mas por hoje, chega de lamentos. Deveria ter sido apenas sobre admiração não compreendida.
Tudo bem, admito, enfim. Ela é especial. Mesmo com tantos porquês e tantas frescurites de minha parte, ela é. E também admito, amei essa inspiração inesperada...