Era pior que o silêncio, de fato. Depois de algum tempo discutindo sobre coisas desnecessárias que foram ouvidas e suas inevitáveis consequências, ela aprendeu que o pior não era o tal silêncio que sempre a deixava se sentindo ignorada.... O pior mesmo, eram as palavras erradas. Inadequadas. Gentis. Ditas de maneira calma, racional, sem deixar equívocos. Sem deixar esperanças. Quase sujas, pervertidas aos seus sentimentos, desejava nesta hora ouvir os piores palavrões do mundo em lugar das palavras erradas tão bem pensadas e colocadas pelo outro. Após tantas brigas ela aprendeu de verdade que o silêncio oportuno é uma dádiva...
Teve medo de conversar. Desejou possuir alguma deficiência, de repente, pra não ter que ouvir e guardar mais amarguras. Eram palavras que despertavam em si tudo o que tinha de pior, seu lado mesquinho queria sair e responder à altura da baixeza, mesmo que isto não valesse a pena. Seria golpe baixo, baixíssimo. Rasteira total em suas convicções. Mas dane-se, uma hora isso passou a não importar mais.
Ela disse sim, querendo dizer não.
E ele gritou um não, silenciando seu sim.
Seus olhos dialogaram inesperadamente e algumas lágrimas foram contidas.
Ninguém se entendeu.
Novamente.
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pega leve.
sou sensível.