quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A hora mais escura

Eu temo a hora mais escura do dia. Sim, eu temo. Tenho tanto medo da solidão que vem de repente, como uma mão que aperta, espreme o coração até conseguir trazer lágrimas consigo.
Eu temo porque sei que todos os dias ela sempre vem, eu tenho um medo desesperador de ser arrebentada mais que o normal, mais que o necessário estando assim, tão vulnerável.
Tenho medo mais ainda porque sei que no meu dia há a probabilidade de ter várias horas escuras... Esse céu nublado ameaçando de vem em quando a luz de meus dias, até quando?
A hora mais escura é aquela onde tenho uma falsa certeza de que ninguém pode me ver... A hora em que eu perco o foco, a vista, o ar, e só me entrego ao choro silencioso das noites, pois não há mais forças para soluços, o desgaste antes emocional afeta o físico e assim me permito morrer imóvel em minha cama, meu travesseiro, meu quarto escuro e quente...
Na manhã seguinte, renasço. Sou forte, sou dura. Sou de aço. Nunca chorei, nunca me entreguei à dor, e me sinto quase pronta para cair em mais uma batalha diária. Quase. À noite, eu sei, um pouco mais de dor e precipício. 
A hora mais escura chega. E me mostra o quanto de fraqueza e covardia tenho. Passada a autocomiseração, estou prontíssima para me juntar à multidão dos incontentes que ignoram suas incoerências e escondem o desespero medonho que suas dores lhes trazem.


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pega leve.
sou sensível.