Meu alter ego escritor me diz que ninguém se interessaria por minhas estórias.
Falta... substância. Coerência. Verossimilhança. Tenho quase certeza de que ele não usou todas essas palavras de vez, mas eu acredito que era isso mesmo que quis dizer. Faltam muitas coisas, na verdade.
Infelizmente volto àquela adolescente que sabia muito bem como escrever um texto dentro do padrão ortográfico e vivia lutando para não tocar somente o coração da professora de português quando ia corrigir uma redação "impecavelmente sem erros gramáticos". Antes fosse gramaticalmente pobre, porém repleto daquela magia que nos faz trocar até refeições por mais uns minutos lendo aquela bela estória.
Há pessoas que tem paixões por coisas impossíveis. E há pessoas que gostam somente da sensação de se sentirem apaixonadas, algo meio platônico, nunca fazem nada sobre isso. Eu estou percebendo que a minha história com a escrita tem andando por esses rumos, o que me deixa dramaticamente infeliz e desesperançosa. Quem foi que disse que eu sou uma boa contadora de histórias? - meu alter ego sempre me cutuca.
Ninguém nunca disse. Os comentários de uma professora relativamente progressista ao fim das redações escolares não são tão importantes assim. Imagine só, se ela me visse agora! A pobreza criativa que se sobressai em minhas narrativas. Parece que parte de mim se perdeu pelo caminho. Ou se danificou. Será que ainda há jeito? Será que eu ainda posso, substancialmente, dar vida aos personagens e mundos que tanto me assombraram? Eu devia ter me forçado a escrevê-los. Sem registro anteriores, minhas lembranças são apenas fumaça, é impossível segurar no agora. Talvez eu tenha que começar tudo de novo, novos personagens, novos mundos, novas perspectivas... A inspiração, antes uma velha amiga, agora parece ser uma mera conhecida. Perdemos afinidade.
Eu costumava ter um lado feroz, sempre que alguma Grande Tristeza me acometia. E ele se expressava através da escrita. Era também através do papel e da caneta que vinham as autorreflexões que eu, a todo custo, buscava evitar, em toda a minha melancolia. O mais puro ato de preencher linhas, páginas, folhas, me fazia provocar uma catarse. Saudades desses velhos tempos. Hoje eu sou ranzinza e impiedosamente crítica a tudo aquilo que costumo produzir. Nada mais me satisfaz, nada mais faz gracejo aos olhos. São simplesmente... Palavras. Em sua maioria, desabafos. Por mais tristes ou verdadeiros que sejam, não há nada poderoso, sobra mediocridade. E quanto à escrita criativa? Não há sequer o que comentar. Acho que perdi os meus mundos fantasiosos em algum lugar aqui dentro... Há alguma coisa, ainda não identificada, que deve estar fazendo tudo que tem potencial de refém. Ou talvez não haja essa coisa, e eu esteja com expectativas irreais sobre algo que eu sempre quis ser, mas nunca fui: uma escritora crível.
Eu costumava ter um lado feroz, sempre que alguma Grande Tristeza me acometia. E ele se expressava através da escrita. Era também através do papel e da caneta que vinham as autorreflexões que eu, a todo custo, buscava evitar, em toda a minha melancolia. O mais puro ato de preencher linhas, páginas, folhas, me fazia provocar uma catarse. Saudades desses velhos tempos. Hoje eu sou ranzinza e impiedosamente crítica a tudo aquilo que costumo produzir. Nada mais me satisfaz, nada mais faz gracejo aos olhos. São simplesmente... Palavras. Em sua maioria, desabafos. Por mais tristes ou verdadeiros que sejam, não há nada poderoso, sobra mediocridade. E quanto à escrita criativa? Não há sequer o que comentar. Acho que perdi os meus mundos fantasiosos em algum lugar aqui dentro... Há alguma coisa, ainda não identificada, que deve estar fazendo tudo que tem potencial de refém. Ou talvez não haja essa coisa, e eu esteja com expectativas irreais sobre algo que eu sempre quis ser, mas nunca fui: uma escritora crível.
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pega leve.
sou sensível.