Por incrível que pareça, eu estou me sentindo leve em meio a uma situação que por muito tempo julguei improvável ( e com potencial catastrófico). Talvez eu esteja exagerando quanto a este segundo, mas isso é sempre justificável para uma mente ansiosa e pessimista. A questão é que tenho me comportado com cautela, desde o começo, venho caminhando a passos lentos e calmos, porém firmes. Às vezes sinto que meus pés querem vacilar e tremer, às vezes me pego querendo fazer coisas um pouco arriscadas. Quando passo por um meio-fio por exemplo, quero subir na ponta e testar o equilíbrio enquanto caminho até o fim da calçada. Mas a prudência me chama, então, conhecendo minha falta de inteligência corporal, eu desço e caminho tranquilamente pelo chão plano. Nada de correr riscos desnecessários durante o caminho. O "essencial" já me custa a energia e concentração necessárias.
Estar com ele tem sido... Bom. Não direi que é sempre fácil. Mas é sempre certo. Digamos que, na maior parte do tempo, o coração sorri. Eu sei. Se parece tanto com as outras vezes... mas em cada uma delas eu aprendi algo. E agora é diferente, por razões que pertencem somente a mim. Confesso que o meu coração surrado não me permite fazer expectativas muito altas, o que é bom pois, geralmente isso traz um peso desnecessário às ações e sentimentos. Passear pelo passado é inevitável, são situações semelhantes devido à natureza da relação, mas agora o presente me parece irresistivelmente bom. Suficiente. Não tenho perdido mais tanto tempo e energia em lembranças de tempos que se foram. Revisito as lições aprendidas, tento aplicá-las à atualidade, e isso é tudo. Não há olhares contemplativos para um passado que se foi e não volta, não há o desejo de retornar a sensações antigas. Ele tem sido suficientemente bom pra mim.
Escrever sobre ele ainda é difícil, me pego sendo repetitiva demais, até para os meus padrões. Também não quero soar exagerada, intensa, desesperada, embora neste exato momento meu coração dê alguns saltos protestando tal comedimento. De modo geral, não tenho conseguido escrever como antes. Porém não posso dizer que há bloqueios. Há agitação. Há borboletas. Há correntes elétricas. Há ansiedades. Há medo. Há felicidade. Há planos. Por um momento eu havia me esquecido de como era viver com tantos sentimentos contraditórios dentro de si, os tons escuros e coloridos coabitando esses espaços aqui dentro e me mostrando que eu tenho mais poder de ótica do que eu pensava. Ainda há velhos vícios, é verdade. Os defeitos e qualidades latentes ainda existem. A mania pessimista de querer compará-los também. Às vezes consigo me enxergar com mais gentileza que das outras vezes, é um desafio constante e diário. Eu estou longe de ser como almejo, mas consigo ver que sou muito melhor do que já fui. E que não fui tão ruim quanto acreditava ser. Culpo a melancolia e todo o poder que a ela tenho dado.
Ele não imagina, mas a sua presença constante, o seu jeito, me ajudam a dosar as sensações melancólicas. Ele me dá consistência para me ocupar com o mundo real. Quantos já não tentaram me arrastar para esse caminho de forma prematura e, por vezes, violenta? Hoje me vejo num lugar em que durante muito tempo quis estar, porém não sabia como chegar. Mas de uma coisa eu sabia: certos processos não podem ser forçados. Certas relações funcionam como catalisadoras, mas é o tipo da coisa que acontece naturalmente, sem planejamento ou controle por parte de ninguém. Hoje me pego sendo alguém que, outrora, seria amado e admirado por aqueles que tanto expuseram dificuldades para lidar comigo. Com minha forma de ser e gostar. Aqueles que quiseram me fazer ser como eram, e que, hoje percebo, eram incapazes de entender meus processos. Consequentemente, de me amar. Há menos culpa do que eu pensava. Essa compreensão me recai somente hoje, trazendo um tipo de libertação inesperada.
Inesperado. É assim que posso definir todo o tempo que tenho passado com ele. Não que eu não acreditasse em sua capacidade de me fazer feliz, é só que, tenho me surpreendido positivamente com as versões de nós mesmos que tenho encontrado. A gente tem se conhecido em vários níveis, tem se experimentado, tem se testado, nem sempre pacificamente. Todo período de ajustes traz estranhamento mas, curiosamente, o nosso encaixe imperfeito tem sido prazeroso de ajustar. Hoje, ele tem a melhor versão de mim. E eu o disse. É como se até aqui eu tivesse sido uma versão modificada de mim mesma, pronta para agradar quem quer que estivesse ao meu lado. A versão cinematográfica cheia de cortes do diretor para agradar a um público específico e conseguir um bom desempenho nas salas de cinema. Hoje ele tem minha versão sem cortes. Se será o suficiente, só o tempo dirá. É perceptível que ele tem se dedicado a assistir essa versão com cuidado e carinho. Talvez ele até a ame e queira adicioná-la a seus favoritos. Talvez já o tenha feito e não me dei conta. Não sei se ele sabe, mas é o meu espectador favorito de todos. Aquele que faço sempre questão de ter por perto em cada cena.
Ele não imagina, mas a sua presença constante, o seu jeito, me ajudam a dosar as sensações melancólicas. Ele me dá consistência para me ocupar com o mundo real. Quantos já não tentaram me arrastar para esse caminho de forma prematura e, por vezes, violenta? Hoje me vejo num lugar em que durante muito tempo quis estar, porém não sabia como chegar. Mas de uma coisa eu sabia: certos processos não podem ser forçados. Certas relações funcionam como catalisadoras, mas é o tipo da coisa que acontece naturalmente, sem planejamento ou controle por parte de ninguém. Hoje me pego sendo alguém que, outrora, seria amado e admirado por aqueles que tanto expuseram dificuldades para lidar comigo. Com minha forma de ser e gostar. Aqueles que quiseram me fazer ser como eram, e que, hoje percebo, eram incapazes de entender meus processos. Consequentemente, de me amar. Há menos culpa do que eu pensava. Essa compreensão me recai somente hoje, trazendo um tipo de libertação inesperada.
Inesperado. É assim que posso definir todo o tempo que tenho passado com ele. Não que eu não acreditasse em sua capacidade de me fazer feliz, é só que, tenho me surpreendido positivamente com as versões de nós mesmos que tenho encontrado. A gente tem se conhecido em vários níveis, tem se experimentado, tem se testado, nem sempre pacificamente. Todo período de ajustes traz estranhamento mas, curiosamente, o nosso encaixe imperfeito tem sido prazeroso de ajustar. Hoje, ele tem a melhor versão de mim. E eu o disse. É como se até aqui eu tivesse sido uma versão modificada de mim mesma, pronta para agradar quem quer que estivesse ao meu lado. A versão cinematográfica cheia de cortes do diretor para agradar a um público específico e conseguir um bom desempenho nas salas de cinema. Hoje ele tem minha versão sem cortes. Se será o suficiente, só o tempo dirá. É perceptível que ele tem se dedicado a assistir essa versão com cuidado e carinho. Talvez ele até a ame e queira adicioná-la a seus favoritos. Talvez já o tenha feito e não me dei conta. Não sei se ele sabe, mas é o meu espectador favorito de todos. Aquele que faço sempre questão de ter por perto em cada cena.
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pega leve.
sou sensível.