Eu sei. Já deveria estar dormindo. Me despedi há bastante tempo das pessoas nas redes sociais e vou levantar em menos de três horas pra mais um dia de trabalho maçante. Ainda assim não consigo dormir. Não consegui. Tô naqueles dias em que a minha mente resolve passear por cantos e fotos que incomodam. Fazem pensar mais que o necessário. Despertam um misto de saudade e arrependimento, por cada coisa que olhei, que recordei.
Veja bem, eu que odeio touchscreem vim escrever pelo celular, tamanha necessidade que sinto nesse momento. Não quero conversar com ninguém. Quero falar de uma forma que não precise ouvir minha própria voz. Quero apenas abrir um pouco a janela e deixar o ar circular... O céu ta nublado, nem vi a lua hoje. Minha mente não pára de arrumar desculpas pra pensar acelerado, como as coisas que só vou poder resolver na sexta ou mesmo o ônibus que pegarei em algumas horas. As contas que preciso pagar, os estudos que preciso adiantar. E agora estas benditas fotos, desta bendita rede social (realmente bendita, minha favorita até então), me fazendo pensar em ausências e perdas. Me fazendo mais uma vez esquecer dos ganhos e do presente.
Há quem diga que as coisas se vão porque este não era o seu lugar. Porque elas fariam mal em permanecer. Uma parte minha crê nisso. Outra parte mais ingênua diz que se elas ficassem seria melhor... Seria tudo novo. Seria como uma peça de quebra-cabeças perdida que, enfim, encontramos após tantos anos debaixo de um sofá. Tudo muito bonito na teoria e nos sonhos, mas a realidade crua é essa: há coisas que nunca nunca vão voltar.
E eu não sei até que ponto consigo aceitar isso direitinho, aqui dentro. Pois em cada foto antiga o coração aperta de saudade e de um sentimento que posso traduzir em "deveria ter aproveitado mais esse tempo, ah como passou rápido!". Isso esmaga o peito, vem pelo nó da garganta e transborda nos olhos.
Saudade da escola, época em que fui tão covarde e retraída, saudade da faculdade, das amigas que eu via muito mais e do sentimento de utilidade. Saudade daquele show com uma pessoa que, eu jurava, era a certa pra mim (e foi, naquela hora, naquele dia). Saudade daquela viagem de avião, com o coração batendo forte contra as costelas, ansiando o pouso no outro estado. Saudade de amigos que não vejo mais, nem um pouquinho, sequer uma vez no ano.
Saudades do pai que faleceu sem ter uma despedida decente, saudade de ter algum lugar da mente seguro em que eu podia pensar sobre nosso relacionamento conturbado e pedir a Deus por uma melhora. Essa saudade dói mais que qualquer outra, e é como um buraco que, eu sei, por mais que o tempo passe, nunca, nunca vai se fechar. Essa saudade faz todas as outras parecerem birra de menina/mulher mimada. E às vezes eu não sei mais o que faço com ela.
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pega leve.
sou sensível.