Escrevendo pra tentar uma reconexão. Comigo, com meu eu. Não o velho,mas esse, de agora, que quase não teve atenção dessas linhas tortas outrora tão eficazes. Eu preciso me cuidar melhor. Eu preciso ser a minha melhor amiga e de uma vez por todas trabalhar em prol somente de meus sonhos, não de terceiros. Esses sentimentos quase concretos que por vezes me cercam são como mãos em volta desse pescoço, como facas prestes a cortar esses pulsos, me ferem, me cegam, me cercam e eu não sei qual a escapatória mais racional para o "não sentir". Então me dei conta que talvez a escapatória não seja "não sentir" mas sim aprender com os sentimentos. A primeira lição que consigo extrair disso é a de que eu tenho me negligenciado. As pessoas, os deveres, os vícios, as rotinas, meus demônios internos, todos me empurram no precipício da negligência e isso tem sido uma espécia de câncer à minha autoestima, a minha sanidade mental. Eu preciso muito de mim pra fazer as coisas darem certo. Eu não preciso da aprovação alheia, eu não preciso de pessoas que se afastam e não voltam, eu não preciso ganhar na loteria, eu não preciso de um evento mágico. Eu preciso de mim. Da minha força. Da minha capacidade, da minha inteligência emocional. Eu preciso constantemente me lembrar de que eu me basto, eu existo e me basto. E esse entendimento é uma espécie de milagre. Eu preciso me curar das velhas feridas, e dar espaço pras novas, dar a cara tapa, ralar o joelho no chão mais vezes, espirrar merthiolate e levantar de novo. Eu preciso viver como não tenho feito, priorizar as coisas que me fazem bem e ter coragem de me afastar daquilo que faz mal. Eu não preciso de coisas e pessoas que me fazem mal me cercando.
Tudo isso me é lúcido, mas como prosseguir quando as sensações ruins tem sido o que me regem? É necessário equilíbrio e força de vontade. Só se consegue isso vivendo e se arriscando. Mas e até lá? Quem é que pode me ajudar a descolar a ferida desse lençol no qual me envolvi, e expor tudo? O lençol está apodrecendo e trazendo bactérias.. A ferida precisa "respirar" e criar as casquinhas depois de se expor ao mundo. Nada está me ajudando hoje, nem mesmo as palavras.