segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ciclo vicioso .

*Por um olhar de cansaço e cólica mental*

Passo meus pés um no outro, um gesto típico meu quando acordo, e assim fico por 5 minutos até o despertador que eu adiei tocar novamente. Abro os olhos e fecho de novo. Hora de levantar. Mais um dia chega, e com ele vêm as obrigações. Lentamente sento na cama bagunçada e vou falar com meu Pai. Preciso tanto da força Dele... E de Seu perdão por cochilar tanto enquanto falo. Isso TEM que parar. Enquanto vou para o ponto do ônibus vou pedindo/implorando/suplicando (quase exigindo) que o ônibus ainda esteja por chegar e de preferência, que não esteja cheio. Estômago vazio, posição incômoda, ônibus superlotado. O que poderia ser pior? Chuva. Um verdadeiro toró! Esqueci a sombrinha! Não! Essas coisas só acontecem comigo. Já estou passando mal, sem ar. As pessoas são de açúcar ou o quê, para fecharem as janelas sem deixar uma brecha sequer aberta? 15 minutos de atraso, a chuva estia um pouco, mas ainda assim consigo me molhar. Burra, anta, distraída e demente. Se a sombrinha estivesse na bolsa... Ah, se estivesse...  Abuso de todo o meu auto-controle para dar um meio sorriso e um bom dia aos conhecidos. Comprar água, urgentemente. Chovendo, mas o calor é insuportável e eu não estou só molhada da chuva, também suo. E quando meu cérebro começa a se acostumar ainda à claridade da sala e do quadro branco, eu lembro da resenha crítica que não fiz e que era para a aula de agora. Nesse exato momento o professor mais chato da Universidade entra e a aula custa como nunca a passar, que TÉDIO. Pera lá, mas não era o curso que eu sempre quis? Eu não deveria gostar mais das matérias? Ou será que eu estou tão cansada/estressada para me envolver de verdade numa aula? Opção 2, tem que ser a opção 2. 20 minutos de intervalo. NÃO DÁ PRA NADA! Aliás, dá sim... De ficar na fila da cantina e engolir um salgado quase sem mastigar e entrar na sala ainda tomando a Coca. As últimas aulas. As que fazem as pálpebras baixarem involuntariamente e eu ficar quase VESGA de tanto tentar controlá-las. Ainda bem que eu sento lá atrás... O professor poderia se assustar. Ah, que legal, liberados 10 minutos mais cedo! Pensando bem... Não faz tanta diferença assim. Mas, posso fazer o xixi que não deu tempo no intervalo. Isso, bem pensado. Agora é correr pro ponto de novo. Ao menos ele vem vazio. Chegando em casa... Ah, almoço. Faminta já passa a ser diminutivo. Agora preciso dormir uma sonequinha e depois, quem sabe, estudar melhor o assunto de hoje. Não... A louça do almoço. Bendita louça. Todos os dias me esperando. Afinal, eu não faça nada da minha vida mesmo. Minha mãe tem razão. Minha vida é muito mole, não posso ficar sem fazer nada. Droga.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Às vezes eu me distraio .


Se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você. Já vi que não posso ficar tão solta e vem logo aquele cheiro que passa de você pra mim, num fluxo perfeito. (...)
Adoro essa sua cara de sono e o timbre da sua voz, que fica me dizendo coisas tão malucas. E quase me mata de rir quando tenta me convencer (...) Nós dois somos iguais. 

...

Iguais em essência.
E todo o resto de diferença funciona como um ímã, um não, dois. Cargas diferentes... Atração.
Existe uma carga negativa em mim e uma positiva em você, ou vice-versa. O fato é que não podemos negar a atração que rola tão solta quanto uma brisa corriqueira no fim de tarde, à beira-mar. Frio na barriga, coração aos saltos sem porquê nem pra quê, sorriso idiota, rosto corado, tudo isso disfarçado numa maneira inconstante de dirigir uma conversa e numa admiração quase que invisível implícita nos olhos. Não consigo fazer melhor que isso, desculpe. Palavras até poderiam nos ajudar a equalizar.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Solidariedade e hipocrisia .

É bem verdade que grande parte das pessoas só se torna solidária em situações extremas. Por exemplo, a tragédia que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro. Algumas pessoas se mobilizaram para doar donativos às famílias que perderam vários pertences ou tudo, após a chuva. Será que essas pessoas olham ao redor de si e percebem que a miséria está também bem pertinho e também clamando por um pouco de atenção? Ou é necessário que aconteça uma fatalidade, com repercussão mundial, para que passem a ajudar os necessitados? É com imensa tristeza que afirmo, a resposta certa é a segunda.
Algumas pessoas na certa devem me achar patética por sentir compaixão por aquelas pessoas cujas vidas não conheço, outras utópica por querer fazer algo, pequeno, mas fazer, e outras ainda assim comunista por criticar a lavagem cerebral e influências do capitalismo... Sou humana. E, mais que isso, sou cristã. Altruísmo. Compaixão. SOLIDARIEDADE. Tudo isso faz parte do caráter cristão. É até admissível que alguém que não siga o cristianismo, que esteja pouco se lixando para o que vivemos e praticamos, critique a minha forma de ver e querer interferir nas coisas, mas passa a ser hipocrisia se isso partir de um cristão. "Nós vamos orar por eles." Ok, ato mais que necessário. Porém a fé sem obras é morta. O que você pode fazer que não está fazendo mesmo? 
Hipocrisia também é se comover com as famílias do Rio de Janeiro e estar pouco se lixando para a criança que bate à sua porta na hora do almoço. E hipocrisia é algo que, confesso, mexe muito comigo. Negativamente, óbvio.

"Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." - Tiago 4:17 

E isto significa fazer o que está ao nosso alcance. Independentemente de as pessoas o fazerem ou não, independentemente do quanto o nosso auxílio mudará na situação geral ou não, independentemente de ser no Rio de Janeiro, Haiti ou seu bairro. Faça a sua parte. SEJA e não apenas IDEALIZE. FAÇA e não apenas RECLAME.
É só.

domingo, 11 de abril de 2010

Escrevendo pra me entender .


É inevitável, todos escrevem bobagens. Nem que seja apenas um rabisco enquanto fala com alguém ao telefone, ou enquanto ouve uma conversa muito monótona na hora da aula (tão interessante quanto!) e pega inconscientemente na caneta. Outros escrevem bobagens por querer, por não ter o que fazer, e ainda há aqueles que acham que seus textos têm um grande teor intelectual... Mas ao chegar ao fim, também constatamos que foi mais uma bobagem. Eu sei que escrevo bobagens, coisas realmente sem importância alguma, admito. Meu maior sonho (ok, um deles) é conseguir escrever algo tão útil e revoltante que quebre as correntes impostas pela mídia ou pelos filósofos, que quebre as cadeias de qualquer religiosidade ou ignorância, algo esplendoroso, que desperte a mente mais alienada.

Eu realmente não entendo porque escrevo, se quase sempre ODEIO os meus textos, meus poemas (não postarei aqui), minhas músicas (ainda mais difícil ¬¬), minhas reflexões. E não importa quantos 10 eu tenha tirado em minhas redações escolares, não passam de palavras bem combinadas, gramaticalmente corretas e idéias expostas de forma geral e coerente. É muito fácil escrever. Eu ainda não entendo o porquê de muitas pessoas odiarem o gesto, em geral são sempre as mais falantes, extrovertidas e espontâneas. Ou as impacientes, mesmo. As ignorantes também estão nessa lista, claro.

Esse ato, para mim, sempre foi como uma espécie de refúgio, ou como, meu termo preferido, um “cano de escape”. Alguma hora precisamos pôr pra fora aquelas coisas que nos indignam, não é mesmo? Aquelas coisas que nos revoltam e nos deixam à beira de um ataque de nervos. Não. Eu não uso as palavras, nem os gestos e atitudes para expressar aquilo que sinto, não na maioria das vezes. Eu escrevo. Eu deixo que meus dedos sejam um canal direto de meu coração, de minha mente, ao papel... Ao pegar na caneta, muitas vezes tenho a sensação de que iniciarei um duelo de espadas. Minha caneta, minha espada, pondo o punho pra trabalhar, cada vez mais rápido, dependendo do que eu estiver em mente, ferindo aquelas linhas, marcando, escrevendo de forma tão feroz que as outras folhas que estão abaixo da que escrevo também ficam marcadas, não por tinta, é claro, mas não ficam mais planas.

Meninas normais brincavam de boneca, de médico (¬¬), de brincadeira de rua, em sua infância. Mas meu passatempo preferido era desenhar, criar histórias ou escrever em meus diários. Eu criei roteiros de filmes, fiz desenhos coloridos, inventei músicas e poemas, inventei contos infantis, contos de fadas, fiz redações por livre e espontânea vontade... O papel e a caneta, meus aliados desde sempre. E eu não pretendo deixá-los assim tão cedo. Enquanto eu tiver essas mãos aqui intactas, válidas, perfeitas, eu não abandonarei esse ato. Mesmo sem saber de onde vem essa paixão por ele, mesmo sem entender como é que essa coisa tão simples pôde se tornar parte de mim.

sábado, 10 de abril de 2010

Silêncio oportuno .

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado
(...)
 ♪


Pensar, refletir e observar. É minha regra. Amar, amar e amar... Sem obrigatoriamente sorrir ou dizer. Concentrar-se no agir, no olhar, na veracidade do sentir. Na espontaneidade das coisas involuntárias e na graça de estar desprevinido. Deixar o silêncio intensificar a pureza do momento, sem se deixar influenciar por palavras que às vezes nada dizem. Ou desmerecem um sentimento imortal.
Há tanto para contemplar...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Palavras soltas .

Penso, reinvento e quase sempre tento.
Suspiro, respiro e retiro o que disse.
Penso, de novo, não falo, ou falo, bem pouco.
O que está havendo comigo, você não precisa ficar sabendo.
Besteira pouca é bobagem.
É melhor calar e refletir que falar e cair.
Ah, se arrependimento matasse...