Talvez eu seja simplesmente como um sapato velho.
Eu sempre achei que as pessoas não podiam simplesmente se desfazer das outras, eu sempre soube que a partir do instante que eu divido um momento com você, nós trocamos um pedaço. Mas, a quantidade de pessoas 'decartáveis' que eu encontro por aí está assustadoramente me fazendo mudar de opinião. Desde quando as pessoas não se importam mais com o que causam naquelas com quem dividem o mesmo abiente? Ódio, amor, paixão, ojeriza, mágoa... Tanto faz. As relações estão ficando cada vez mais conturbadas e cada vez mais secundárias. Desde quando eu posso invadir o seu mundo e sair do mesmo querendo não causar nenhum transtorno? Desde quando um beijo virou um gesto comum e o 'eu te amo' é o novo 'bom dia' ? Desde quando você chama 'amigo' até aquele que não perde uma oportunidade de ridicularizá-lo?As pessoas te guardam em caixinhas, como se fosse um presente antigo, com o qual já se divertiram muito. Hoje elas te escondem para não causar constrangimento, e muitas vezes esquecem até de sua existência. Esquecem de sua utilidade. Se adaptam a este século e trocam de relacionamentos sem parar.
Mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar e eu aqueço o frio dos seus pés.
Mágoa? Não. Eu não consigo esquecer das gargalhadas e dos momentos mágicos que compartilhamos. Eu não os guardei numa caixinha. Eu os coloquei em minha estante... Onde eu posso aprecia-los e lembrar de tudo. Eu nunca quis que eles saíssem de meu mundo, eu sempre os deixei perto... Perto até demais. Eu sempre quis que eles fossem mais que lembranças e quem sabe percebessem que isso pode ser real. Depende deles, não apenas de mim. Eu ainda me importo, embora tenha a desilusão de que eles jamais poderão me reaceitar em seu mundo. Mas, eu estou aqui. E garanto que jamais saíram de meu mundo.

