sábado, 1 de agosto de 2009

Útil.

Talvez eu seja simplesmente como um sapato velho.


Eu sempre achei que as pessoas não podiam simplesmente se desfazer das outras, eu sempre soube que a partir do instante que eu divido um momento com você, nós trocamos um pedaço. Mas, a quantidade de pessoas 'decartáveis' que eu encontro por aí está assustadoramente me fazendo mudar de opinião. Desde quando as pessoas não se importam mais com o que causam naquelas com quem dividem o mesmo abiente? Ódio, amor, paixão, ojeriza, mágoa... Tanto faz. As relações estão ficando cada vez mais conturbadas e cada vez mais secundárias. Desde quando eu posso invadir o seu mundo e sair do mesmo querendo não causar nenhum transtorno? Desde quando um beijo virou um gesto comum e o 'eu te amo' é o novo 'bom dia' ? Desde quando você chama 'amigo' até aquele que não perde uma oportunidade de ridicularizá-lo?
As pessoas te guardam em caixinhas, como se fosse um presente antigo, com o qual já se divertiram muito. Hoje elas te escondem para não causar constrangimento, e muitas vezes esquecem até de sua existência. Esquecem de sua utilidade. Se adaptam a este século e trocam de relacionamentos sem parar.

Mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar e eu aqueço o frio dos seus pés.

Mágoa? Não. Eu não consigo esquecer das gargalhadas e dos momentos mágicos que compartilhamos. Eu não os guardei numa caixinha. Eu os coloquei em minha estante... Onde eu posso aprecia-los e lembrar de tudo. Eu nunca quis que eles saíssem de meu mundo, eu sempre os deixei perto... Perto até demais. Eu sempre quis que eles fossem mais que lembranças e quem sabe percebessem que isso pode ser real. Depende deles, não apenas de mim. Eu ainda me importo, embora tenha a desilusão de que eles jamais poderão me reaceitar em seu mundo. Mas, eu estou aqui. E garanto que jamais saíram de meu mundo.

sábado, 4 de julho de 2009

Men! I feel like a woman!


- pensamentos/rotina de uma mulher do século XXI.


Hoje eu acordei me sentindo linda. Olhei no espelho, minha pele estava limpa, sem aparentes falhas, perfeita. Soltei os cabelos rebeldes e percebi o quão sensual eu ficava de cabelos bagunçados e lábios entreabertos. Não penteei. Hoje, decidi que era meu dia de arrasar. Aliás, toda mulher como eu precisa arrasar todos os dias. Foi a conclusão que tirei, quando me vesti ao som de Shania Twain, aquela deusa, cantando MAN! I FELL LIKE A WOMAN (Cara! Me sinto tão mulher!), nada mais sugestivo para rebolar e fazer caras e bocas na frente do espelho. Sim, eu sou sexy, preciso reconhecer.


Não podia guardar toda essa beleza só para mim, as paredes de meu quarto realmente não agüentariam. Fiz uma maquiagem digna de diva, claro. Coloquei um vestido avassalador, realçando minhas curvas e meus belos seios, com um decote bastante convidativo, que provocava todos os olhares masculinos e bastante inveja feminina. Ah, eu sou a melhor. Eu sei que sou. E quando entrei naquele bar todos olharam para mim. Claro que olhariam. Uma musa pefeita e linda, mais que qualquer outra modelo deste país, entra desfilando sensualmente. De parar o trânsito. Com um belo sorriso e uma piscadinha no olhar, eu consigo o que quero. Não acha?


O garçom parece cada vez mais desconcertado por ter tal mulher tão estonteante à sua frente, dá pra perceber pela tremedeira em suas mãos ao colocar meu drinque num copo. É, isso é compreensível, supondo com quase certeza que sou praticamente o avesso daquilo que ele tem em casa, na cama. Tenho que conter um sorriso, o que será que esses marmanjos acham que têm para merecer alguém como eu? Digo, todos esses cães olham pra mim me devorando, me despindo ali mesmo, falando coisas obscenas e até piscando um olho... Pobres coitados. Às vezes me sinto uma boa alma em poder dar esperança a esses seres. Mas só esperança. O resto... Bem, eu posso guardar para o meu futuro marido.


Quem não quer se casar? Eu quero. Eu necessito. Eu anseio. Meu aristocrata será o mais perfeito de todos e eu não precisarei mais trabalhar. Guardei meu melhor lingerie para o dia em que eu o conhecer, ele não vai resistir. E eu finalmente vou subir na vida, antes tarde do que nunca. Sempre soube que meu lugar não era numa universidade, visando sempre o saber e esses blá blá blás todos que inventam por aí, tentando justificar suas frustrações e falta de conforto. Eu posso ter o que quero sem ter que passar por essa jaula que é a escola. Eu posso ter o meu dinheiro sem ter que trabalhar num emprego medíocre.


Agora, nesse exato momento, um cavalheiro entra no estabelecimento... Parece ser um jovem executivo, gravata Armani. Hm... Interessante. Lanço-lhe um olhar convidativo somado a um sorriso misterioso e... Bingo. Mais um drinque garantido. Ele não é bonito. Oh, sócio de uma multinacional. Agora ele parece mais bonito. E eu, claro, sou a mulher mais apaixonada do mundo. Viu? Eu tenho futuro. Eu nasci com isso em mim.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Inadequação.

Como saber quem realmente sou,se as situações me mostram que eu jamais soube quem fui algum dia? Por pura ironia me atrevo a dizer que já fui sozinha. Abri os olhos,mas não completamente... Pois em meu inconsciente ainda há uma parte que sofre e sente.
Em busca de uma identidade,permiti-me questionar...Vale a pena ser realmente alguém? O alguém que eu quero e espero é igual ao alguém que a sociedade tanto anseia em conhecer? Penso que é melhor eu continuar a construir o meu ninguém. O ninguém das incoerências e das idéias estranhas,o ninguém aparentemente ignorado,mas que se permite viver como quer e como sabe que deve ser. Ser um alguém esperado é melhor que sofrer?
Talvez na falta de racionalidade ou juízo o meu 'eu' esteja perdido.Se for o mundo 'real' a porta do abismo,melhor que sem o esperado juízo seja o meu 'eu'.
E viva o anti-socialismo e as idéias excluídas,e viva o escanteio ao materialismo e a uma sociedade hipócrita e reprimida! Antes o meu 'eu' seja um 'eu' excluído que mais um, de tantos, afogados na sociedade de futilidades e mentiras.
Eu sou inadequada para a sociedade. Enfim, eu.

sábado, 6 de junho de 2009

Que haja Luz!


Sociedade hipócrita e corrompida de vidas gastas e sofridas
Sociedade sem sonhos, de amarguras e banalizações
Antes fechem os olhos que negligenciem aquilo que eles contemplam
Não sejam indiferentes perante tantos erros!
Não vos conformeis com essa realidade
Cada um deixa por fazer a sua parte...
Ou nem sabem que há algo por fazer
Despertem!
Ainda não é tarde,
Ainda não chegaram os dias em que o socorro
Não estará mais lá
Ainda não chegaram os dias negros e sem esperança...
Corram!
Saiam de suas escuridões particulares
Não tenham medo de se queimar
Mais vale uma ferida em meio a lutas
Que uma vida intacta e milhares de almas perdidas
Saiam desses porões
Vocês PRECISAM sentir o mais sufocante medo
Medo de que as coisas se agravem
E que do medo venha a coragem
E que o individualismo não tenha vez!
Saiam de suas trevas, não se escondam em quaisquer inseguranças
A humanidade clama por socorro...
E você já não pode mais dormir.
Não é preciso um curso para tornar-se humano
Mas sim, compaixão
Onde estão suas mãos?
Que deveriam estar estendidas?
A fé sem obras é morta
Onde está sua mobilização?
Onde está a sua disposição?
Onde está a sua COMPAIXÃO?
Morno...
Nem mesmo sabe se algum dia já conheceu o amor ao próximo
Onde está aquele sentimento pelo qual você luta
Aquele que está nos olhos de seus familiares
No abraço de seus amigos?
Onde está o seu amor?
Amor e individualismo não combinam, não se encaixam
Suplico pelo despertar de seus corações
Há almas sedentas esperando por você
Não, não sejam tão conformistas e pessimistas
Estejam dentro de um realismo motivador
Que os faça enxergar além dos fatos, além dos noticiários
Que as vendas em seus olhos sejam rompidas
Exterminadas de uma vez por todas!
Que haja luz em suas mentes...
Sobretudo em suas vidas.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Vampire.

Antes que vocês cheguem à conclusão de que eu ando lendo demais a série Crepúsculo, vou logo adiantando... Não é desse vampiro que estou falando, que tem duas presas, sugam o sangue de suas vítimas e têm a cor de um morto vivo. Eu sou o tipo de vampiro que não suga o sangue das pessoas para sobreviver... Eu sou o tipo de vampiro que suga emoções.
Sim, e como o sangue daquele predador nas telinhas fica um bom tempo em seu corpo, assim as emoções ficam em mim... E ao contrário do líquido vermelho, que logo acaba e começa a fazer falta para aquele ser, as emoções ficam por um indeterminado tempo comigo...
Sugo sem intenção as emoções de uma forma muito profunda e dentre elas estão também as de meus semelhantes. Bom, ao olhar para a cara extasiada dos vampiros após “se alimentarem” posso jurar que eles sentem num mínimo um alívio, uma satisfação. Digamos que não é assim comigo... Digamos que o “gosto” das emoções que costumo sugar são muito desagradáveis...
É, o pior de tudo é só sugar “sangue” de quinta categoria... As piores emoções.
Sorrisos, comemorações, júbilos... Até quando estas coisas vão passar despercebidas na presença da angústia, do medo e da dor?
Paciência...
Se me permitem, recolho-me ao meu caixão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

You.


Você sempre me fez ouvir suas vontades, seus sonhos, suas frustrações... E eu sempre ouvi. Muitas vezes não concordei com as coisas que você fez questão de externar, mas ainda sim fiz um esforço para compreender. Você já me fez feliz com atitudes e palavras, mas também feriu a mim e ao meu coração com frases amargas e pontiagudas como espadas rasgando a minha alma. Eu perdoei... Mas não posso esquecer. Você sempre fala que se importa, mas quando não está de acordo com algo sempre diz que está arrependida por isso. Você faz coisas por mim, se importa com um lado meu... Mas, do mais importante você não lembra.
Você nunca parou para me ouvir, você nunca me deixou falar... Você não dá importância ao que falo, quando falo. Você não se importa em como eu estou, você se importa com as coisas erradas a meu respeito... Você não se preocupa em conhecer quem sou, nem do que gosto... Você não me deixa falar sobre as coisas que gosto. Não, você não deixa. Você nunca admite quando erra, você nunca pede desculpas... Você me ensina sobre integridade, mas não me convence por conta de suas atitudes.
Você não gosta de ser um exemplo, mas ainda assim, exige que eu seja exemplar. Você fala que eu não falo e nem faço nada, mas você sequer me dá a chance de explicar. Você diz que me ama, eu não duvido. Mas, não acredita em minhas mudanças e nem acredita quando eu falo que AMO você. Por quê?
Será que um dia, algum dia, abençoado e esperado dia, vamos nos entender?
Será que algum dia você me perdoará por não ter conseguido ficar calada após tantas vezes que eu tive que 'segurar' as palavras?
Ainda que não perdoe, ainda que carregue meu erro com amargura...
Eu ainda te amo.
E não posso deixar de sentir tão imenso amor.