quinta-feira, 29 de abril de 2021

 Há sempre um nó dentro de mim. Não sei se é possível desfazê-lo. Esse nó que me acompanha há tanto tempo, me trouxe diagnósticos clínicos e potencialmente psicológicos, é uma amarra forte, que me segura em minhas dores e agonias. Às vezes é o que sustenta toda a estrutura, quem diria que um nó dado assim tão apertado, até tirar o ar, serviria para também manter alguém de pé?

Quando penso em minha existência, não consigo lembrar dela sem ele. Não consigo lembrar se ele sempre foi do mesmo tamanho, mas acho que ele aumenta ou diminui de acordo com fatores externos. Ou melhor, de acordo com a forma como a estrutura interna absorve o externo. Eu sinto muito, muito mesmo. Sinto que sinto por demais, por coisas que fogem ao meu controle, mas não posso evitar. É a minha forma de viver e deixar uma impressão assim, ao redor. 

Parei de ansiar pelo desatar dos nós. Perdi até o desejo, por se tornar utopia. Não suporto mais o peso de carregar tantas coisas sem solução. Eu sou uma delas. Cansei faz tanto tempo de me carregar, que quando penso em minha existência, enxergo esse nó amarrado forte, me fazendo respirar baixo e pouco, me deixando presa àquilo que hoje chamo de essência, mas que há muito tempo não sei lidar ou desfazer, somente tomo como meu modo de ser, sentir, respirar. 

Se o Senhor desfizer esses nós, restará algo para se comemorar, ou será uma espécie de rendição? 

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pega leve.
sou sensível.