quinta-feira, 4 de março de 2021

 Acabei de acordar. Peguei o celular, abri as redes sociais... Graças a uma rede social semi-morta fui inundada de lembranças sobre coisas de vários anos atrás. Uma foto. Me deparei com o sorriso de uma menina que conheço muito bem... Menina não, mulher. Embora se sentisse muitas vezes como uma menina mesmo.

Fui tomada por um sentimento de nostalgia e culpa. De pena. Arrependimento. E carinho. Não me deixei dominar por nenhum deles, mas sim, observei tudo como se não fosse um narrador personagem. Olhei pra ela e lembrei do quão ela já abriu mão de si pra tentar ficar com uma pessoa. Pra se encaixar à vida de alguém, fazer dar certo. Ela não sabia que, quando chega a esse ponto, é porque não deu. Não deve dar nunca.

Ela era linda, tão novinha, tão cheia de anseios e sonhos simples... Ela não sabia que era linda e que podia sonhar muito mais.  O sorriso dela era cheio de hesitações, o estômago vivia com um nó quase crônico. As borboletas que batiam asas dentro dele, faziam de forma assassina. As paredes de dentro sangravam, e ela julgava normal.

Uma grande energia investida para se adaptar à vida do parceiro. Usava disso, dessa relação e suas ramificações como um cano de escape. Não gostava de estar em casa, era desconfortável morar com um padrasto e sua filha, era tudo estranho. Se culpava por não conseguir lidar direito com as coisas da Universidade. Por ser uma estagiária medíocre, tinha isso o tempo todo jogado na cara. Não sabia como lidar com pessoas, na maioria das vezes. Se culpou por tentar desistir de tudo...

Tive vontade de dar um abraço nela, de pedir pra chorar, começar uma terapia. Dizer pra se cuidar, antes de qualquer coisa, tantas águas ainda iriam rolar... Seria essencial fortalecer bem as defesas. Até hoje sinto um nó na garganta quando lembro das falhas na defesa. Mas tudo bem, isso também é parte de ser humano. Queria dizer a ela também para experimentar mais coisas novas, não se manter dentro as caixinhas aprisionadoras da mente, procurar os amigos, fazer novos, se encarar com mais leveza e mais respeito. Dizer que, dentro de seus limites e realidades, ela estava fazendo o melhor que podia.

Amigos, parceiros, pessoas, de uma forma geral, mudam. Transitam. Vão embora, retornam, ficam... Algumas relações se ressignificam, e tudo bem com isso. A única relação pra sempre é a que temos conosco, e ela nunca pode ser abusiva. Nunca.

Até hoje eu sinto os olhos marejando, quando lembro das coisas que essa menina mulher passou. Ela não merecia. Ela se colocou em muitos lugares ruins porque absorveu a crença de que merecia. Hoje vejo que isso pode ser fatal.

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