Ontem a noite tive tanta vontade de escrever, mas no auge de meu desespero e de minhas turbulências, não tive coragem nem ânimo para segurar uma caneta sequer. Foram horas desesperadoras, sem razões ou justificativas, não enxerguei outra alternativa a não ser deixar o rio correr pelos olhos. Esse rio que em outros momentos já veio lavar as mágoas, afrouxar o nó da garganta e fazer o coração respirar, trouxe somente lembranças, preocupações e amarguras em suas águas. E eu quase me afoguei.
Quase que minha mente vence a batalha travada com o cansaço do corpo, porém, a considerar as horas dormidas, tenho certeza de que a ansiedade marcou mais pontos ao fim das contas. Estou enjoada. Em todos os sentidos que essa palavra possa trazer. Esses enjoos são referentes ao meu estado físico atual. Ao meu estado psicológico. Ao emocional. Estou presa num redemoinho, as águas calmas querem me enganar de que naveguei até um ponto seguro. O rio continua me levando pra essas áreas de risco. Essas áreas em que saber nadar nunca é o suficiente, é preciso contar com a sorte ou com sua fé no divino. Por que tanto medo então? Se eu julgo ter uma relação paternal com um ser sobrenatural? Talvez porque eu saiba que relações paternais não são o meu forte. Eu sou estragada e estabanada demais pra conseguir levar essas coisas tidas como normais com leveza. Dizem que todo mundo tem salvação, até mesmo gente como eu. E é por isso que eu continuo a remar, apesar das vontades de desistir.
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pega leve.
sou sensível.