sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A gente precisa expelir também aquilo que foi bom, aquilo que passou.
Tive vontade de escrever uma carta... E assim o fiz. Coloquei o que tanto me agoniava finalmente no papel, dando nome aos bois, revelando aquilo que me custava até admitir. Dei nomes, renomeei sentimentos, lembranças, etc, tentei ao máximo ser fiel ao que eu estava sentindo. E acho que consegui, sabe? Percebi uma coisa muito importante: há coisas que precisam ser deixadas no passado, não importa o quão boas tenham sido até determinado ponto, não importa suas nuances, seus pontos multicores. É preciso parar de querer viajar com tanto peso sobre as costas, as mochilas não foram feitas pra carregar tanta coisa de vez.
Claro que no auge de meu sofrimento, no auge das confusões, eu somente me entreguei às lembranças, à caneta e ao papel. E dessa forma terapêutica tentei entender o que se passa aqui dentro. Terminei a carta satisfeita, mesmo sabendo que é uma carta feita para não ser lida. Talvez apenas uma conversa de ego, id e superego. Li e reli com olhos mais sóbrios, e então eu percebi: tenho carregado coisas desnecessárias na mala. A gente acha que somente aquilo que fez doer merece ser superado, somente aquilo onde em sua totalidade prevaleceu a dor e o sofrimento. Acontece que muito de passado no presente traz somente ansiedade e compromete o futuro. As coisas se vem e vão, e isso não é prerrogativa minha, a história de todo mundo é assim. Eu mereço virar essa página por mais que esse seja um capítulo favorito.
Carregar certas lembranças cheias de mágoas faz com que você não consiga viajar para novos lugares. Te prende no aeroporto, você não consegue custear esse excesso de bagagem, e fica esperando que te permitam seguir em frente mesmo assim. Nunca vai acontecer. Você tem que abrir essa mochila e tirar de dentro pelo menos a metade. E confiar que em seu caminho, em sua nova viagem, virão coisas novas, interessantes, e elas precisarão de espaço, sabe? Seja grata pelo seu passado, seja grata sobretudo pelas pessoas que estiveram entrelaçadas sendo protagonistas ou coadjuvantes. O sentimento de gratidão é a única coisa que você tem que carregar, às vezes, em relação a histórias que já encerraram. E assim espero sentir as costas, os ombros, infinitamente mais leves. E o peito aberto e livre de pesos desnecessários. Do jeito que tem que ser. Do jeito que eu mereço. 
Em breve escreverei mais cartas, pois preciso me organizar emocionalmente. E espero ter cada vez mais dessa sensação que estou sentindo agora, como se fosse cedo demais pra comemorar mas, no fundo eu soubesse, estou crescendo milímetros em direção a estabilidade emocional de novo. E quem sabe me preparando pra uma nova jornada. Veremos os próximos capítulos.

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pega leve.
sou sensível.