Eu tô adquirindo novos medos. Talvez esteja perdendo alguns também, mas isso é assunto pra outro texto. Ultimamente ando alimentando raivas que surgem tão repentinamente, mas ficam... E sua presença é o bastante para que eu fique com os grilos extremamente dançantes na cabeça por um longo tempo. O que não quer dizer também que eu cheguei a algum lugar relevante por meio deles, mas ok. O foco aqui é somente falar sobre eles. Falar. Foco. Falar.
Quando eu me deparo com o título de uma matéria sobre as mulheres por exemplo, em sua grande maioria relacionadas ao sexo oposto. São sempre "coisas que as mulheres gostam" ou "coisas que os homens gostam e que as mulheres nem imaginam" ou "coisas que toda mulher não deve fazer na frente dos homens" ou "coisas que os homens nem imaginam que as mulheres gostam". A minha grande agonia é: quem são essas mulheres? Quem são esses homens? Por que ainda existe gente que ama generalizar as pessoas? Será que odiar pentear o cabelo, usar salto alto, usar maquiagem, ter que brincar de ser sexy, e verbalizar estas (e mais) coisas sem problemas me desqualifica como mulher? E um homem que não se sente verdadeiramente atraído por alguma dessas coisas é uma espécie diminuída de homem?
Parece uma reclamação clichê, eu sei. E há muitas pessoas questionando essas sandices com um senso crítico e argumentos de dar inveja.. Mas o que me incomoda são as pessoas que acreditam nisso. Que vão lá ler piamente sobre o modo mais adequado para ser, para se mostrar ao outro, e isso me corta o coração, sem exageros. Por que se anular tanto? Se você quiser parar de roer unhas porque acha que isso pode prejudicar sua saúde, eu acho super válido, mas se você começa a se questionar se deve roer ou não porque leu numa matéria que os homens acham isso nojento... Isso sim me revolta. Se um homem não gosta de pêlos e costuma raspar a perna lê numa matéria que isso o desqualifica enquanto homem... Veja o quão errado e fútil e asqueroso e tosco é determinar o que você deve ou não deve ser para agradar o outro.
Eu adquiri um certo pânico de se adequar ao outro. Porque nem sempre eu sei os limites do que é particularmente meu ou do que é uma forma de agradar o outro. Todas essas matérias babacas e repetitivas têm me feito pensar no quanto a gente perde das pessoas quando a gente não deixa elas serem ser simplesmente o que são. Não incitem mais ninguém a se violentar, por favor... Deixe as pessoas terem suas experiências. Conversem sem medo do esquisito, do diferente. Mas por favor, não incitem as pessoas a se mutilarem. Deixem elas se revelarem, construam amizades sem preconceitos. E se não gostar, respeite também. Imagine alguém querendo te vendar e amordaçar pelo simples fato de não concordar com a forma que você se veste, com a forma que você gosta de gastar o tempo, com os livros que lê? Por que existe tanta gente pra dizer como você deve ser e pouquíssimas que te dão a segurança de ser quem é? O bom senso de respeitar teu espaço? Esse mundo tá cada vez mais claustrofóbico.
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pega leve.
sou sensível.