Sabe aqueles testes bobos da internet, sobre que tipo de pessoa somos, do que gostamos e o lugares onde deveremos morar? São fúteis e eu adoro. Mas nunca parei pra me perguntar o porquê de eu gostar dessas coisas que, equivocadamente ou não, tentam definir as pessoas. A gente responde a uma série de perguntas e, em muitas vezes já sabe qual será o resultado, então: qual a necessidade de continuar? De fazer outros semelhantes? Qual a necessidade de me definir?
"Quem se define, se limita" - uma frasezinha que tenho certeza que já vi em pelo menos umas 5 redes sociais, em centenas de definições naquela partezinha do perfil, o "quem sou eu". E eu discordo. Discordo porque, observando minha compulsão por testes, percebo que é mais que um resquício do anseio adolescente por se encaixar em uma categoria proposta por site, revista, ou quaisquer outros meios. É uma necessidade real de saber "quem sou eu?". E se definir, se derramar em palavras com a segurança de não ter medo em se descrever. Quem sou eu? Sou protetora, amiga, explosiva, calma, ansiosa, discreta? E por que esse não querer olhar para si e, quando consegui-lo, não conseguir discernir? Por que é tão fácil observar e dizer seguramente que o meu melhor amigo é alguém inteligente e introspectivo, e ter medo de atribuir a mim mesma essas qualidades? Por que essa ilusão de que, a cada pergunta respondida e a cada resultado definido, eu sei um pouco mais de mim?
No fundo eu queria me definir inteira. Quem sabe me escrever, compor, musicalizar, poetizar, encenar, de maneira a não deixar dúvidas e a deixar os testes somente divertidos, perante a segurança de saber quem ou o que sou, assumindo riscos! Ai que vontade de me conhecer em outra pele, pra saber como vejo o exterior desse edifício. É um prédio de duas décadas, com uma fachada tradicional e por dentro, milhares de andares e salas cuidadosamente separados, porém sempre em obras, divididos entre chefes que querem somente restaurar as salas e uns poucos revolucionários que querem tentar cores e texturas diferentes, uma verdadeira bagunça! E, pensando bem, nem sei se é uma bagunça tão bonita assim. Começo a sentir um real desejo de organizar, definir, limitar.
"Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam." - não sei se é Drummond ou Fernando Pessoa em seus heterônimos, a única coisa que sei é que ando meio míope para enxergar, e muito insensível para perceber tais coisas.
Diante de tudo, não posso deixar de me sentir Alice, perante os questionamentos da Lagarta. (como não?)
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"Quem é você?", perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: "Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então."(...)
Então fez-se um silêncio por alguns minutos.
A Lagarta foi a primeira a falar.
"De que tamanho você quer ser?", ela perguntou.
"Oh, eu não ligo para qual tamanho", respondeu Alice apressadamente, "apenas um que não fique mudando sempre, a senhora sabe."
Alice no País das Maravilhas, Cap. 5: Conselho de Uma Lagarta
(Lewis Carrol)
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pega leve.
sou sensível.