quarta-feira, 6 de junho de 2012

Olhos castanhos

Nem azul, verde ou mel, simplesmente castanhos.
Não necessariamente amendoados, mais como a cor de um chocolate quente derretido, sem leite, talvez meio amargo, purinho, purinho. 
Olhos castanhos e comuns. É, foi o que sempre achei. 
E por isso mesmo talvez tivesse a obrigação de sustentar um olhar marcante, expressivo. Como uma compensação. Outra decepção: olhar de quem acabou de acordar, não importando quantas horas façam desde a que acordei.
Eu não sei... Eu sempre amei olhares, embora procure sempre evitá-los de primeira. Embora esconda o meu. Eu sempre admirei a coragem de quem encara olhares e de quem se deixa encarar. Soa como despir a alma, deixar alguém ler o segredo de um cofre que guarda um pertence seu muito valioso... Ou vergonhoso. Coisas que meus olhos castanhos não conseguem mentir, ou disfarçar. Deus do céu... Às vezes olhos poderiam ser apenas olhos. Sem olhares.
Já quis ser de um verde eletrizante para sustentar mais admiração que curiosidade, já quis ter ondas misteriosas de azuis piscina, a fim de despertar um mergulho sutil, um sorriso de satisfação, ter olhos cinzas, cor de céu em dia chuvoso... Já quis ter amarelo, mel ou âmbar (como eles ficam no sol), pra sempre. Uma vontade de ter olhos interessantes e despertar olhares interessados, por que não? Por que meus olhos têm de ser assim tão comuns e vulgares, cada vez mais perdidos numa imensidão de cores tão mais bonitas e expressivas? Por que ter um olhar causador de tédio, sono, preguiça e descaso alheio? 
Por que ter um olhar de chama recém-apagada? O olhar tipo morto que aos olhos do escritor seriam de uma ressaca sensual, oblíquos, dissimulados... Mas não. Só a ressaca basta. E o cansaço que se estende até quem observa.
Olhos pra sempre discretos, típicos de quem esconde e teme pela alma. Tolamente inquietos. Até quando?
Talvez enquanto o sorriso for amarelo.
Mas deixemos sorrisos para um outro texto, já nem sei mais se continuo falando sobre olhos...

Um comentário:

pega leve.
sou sensível.