terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tudo em seu lugar


Quero dizer que estou sem tempo para escrever porque ando muito bem. Não que seja um ato única e exclusivamente de meus momentos mais conflituosos, além de cano de escape, escrever envolve juntar uma porção de motivações e lembranças que, por um acaso, são o que tenho de sobra, nesses tempos. Então, o que falta para escrever, meu Deus do céu? Falta tempo. Isso mesmo. Porque cada frase me rouba o tempo de um beijo, cada parágrafo se foi um abraço e cada letrinha é uma das vezes que eu sinto dois pares de olhos ternos nos meus, roubada. Mas estou conciliando, tudo precisa de um equilíbrio. Principalmente as coisas de amor

Mas se você me perguntar se ando 100% bem eu não tenho resposta. Ou melhor, a resposta é tão óbvia e necessitada de justificativas que eu prefiro não dá-las e apenas fechar os olhos nesse dia tão claro. Ah, como é bom poder acordar de um pesadelo e perceber uma realidade tão diferente. Poder respirar ar puro em meio a uma atmosfera tão imunda e contaminadora. Como é bom poder movimentar-se de novo e, dessa vez, sentir que a intensidade é de fato correspondida. Eu não estou sozinha. Eu não sou apenas uma. Me sinto duas partes, duas fases da lua, não um ser humano com a sua outra metade, mas sim duas completudes somadas. Dois universos formados de maneira que as borboletas jamais viram.

E por falar em borboletas, como anda lindo o meu jardim! É tudo uma questão de colocar em mãos certas, experientes, e totalmente convictas o trabalho pesado. Ele que se dispôs a limpar tudo, consertar, plantar novamente e regar, regar, regar... Alguém uma vez me disse que conversar com as plantas faz elas crescerem mais rápido e saudáveis. E não é que isso também funciona com as borboletas?  Agora elas se sentem mais seguras. Aliás, mais seguras não. Agora elas se sentem, pela primeira vez, finalmente seguras. E eu não posso negar do quanto eu aprecio seus vôos e acrobacias, agora.

É de uma coreografia leve, limpa, sorridente, quase como uma brincadeira de criança. A música que toca é nova e ao mesmo tempo familiar, é nova de um jeito que traz uma curiosidade boa, e é familiar de modo que traga segurança. E graças a Deus eu consigo enfim apreciar. Como é lindo essa coisa de possuir borboletas pacíficas... 

São muitas coisas, momentos, intensidades, tempos vividos, todos de uma só vez, num curto espaço de tempo! Sinto como se tivesse vivido várias vidas em minha vida, pois a sensação é a de que somente uma vida toda seria suficiente para que eu pudesse aprender tanto assim. Não é ruim, às vezes assusta, mas sempre que olho pro lado eu vejo que só tenho, realmente, motivos de sobra para agradecer e sorrir. A cura. 
Sem querer achei a palavra que mais se encaixa: cura. E eu sei que isso envolve muito mais gente e processos que tudo o que já foi dito, mas as pessoas têm o seu tempo e eu tenho o meu.

Meu tempo é o de amar. E não me preocupar com o dia de amanhã. Nunca pensei que isso pudesse ser verdade na vida de alguém, agora, pois, a minha vida é um testemunho. Quase que posso ver o meu Pai sorrindo para mim, e gesticulando com a boca Just let it be, sweetheart...
Sim, estou deixando.
Meu jardim? Bem, obrigada. Novinho em folha, cheio de novidades maravilhosas.
As borboletas? Amigas como nunca. 
E minha paz? Não é mais circunstancial. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

pega leve.
sou sensível.