Sem textos novos. Não que eu não ande rabiscando uma ou outra coisa em meu caderno de anotações durante meu intervalo no trabalho... Mas nada que valha realmente a pena guardar aqui. Eu até arranco a folha, levo para casa sã e salva, dobro e coloco dentro de um caderno que eu venho negligenciando há meses. Nada daquilo soa tão brilhantemente escrito a ponto de eu querer externalizar para o mundo... Pensando bem, boa parte de meus textos não foram feitos com essa intenção, muito menos despertaram esse desejo. Porém, antes, o próprio ato de escrever costumava bastar.
domingo, 18 de setembro de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
Seria errado pedir pra ir embora?
Quão perigoso seria tentar saltar desse trem? Desconheço a velocidade, desconheço o meu destino... Estas são as principais dúvidas responsáveis por me deixar quieta, no banco. Há dias em que eu não suporto nem olhar pela janela, parece ter sempre um nevoeiro lá fora... Nada me parece familiar mas, ao mesmo tempo, eu quase que sinto a sensação de desconforto palpável, que me acompanha desde que eu passei a ter a consciência de minha existência. Não há mais expectativas quanto ao destino... Não há mais ânimo para conversar com aos companheiros de viagem ou para conhecer o maquinista. Quanto a este há sim uma espécie de curiosidade... Seguida da sensação de que ele acha que de alguma forma eu poderei atrapalhar o processo. E nada mais.
Eu deveria ser muito grata por estar a bordo desse trem, é o que me diz a razão. Mas não posso ignorar os enjôos e aquela sensação de sufoco que estão me acompanhando nessa viagem. São eles que dirigem meus pensamentos agora. E eu não tenho mais como evitar essas vozes. Só me resta pedir que elas nunca assumam o comando (ou será que, no fundo, seria esse o meu maior desejo?).
Quão perigoso seria tentar saltar desse trem? Desconheço a velocidade, desconheço o meu destino... Estas são as principais dúvidas responsáveis por me deixar quieta, no banco. Há dias em que eu não suporto nem olhar pela janela, parece ter sempre um nevoeiro lá fora... Nada me parece familiar mas, ao mesmo tempo, eu quase que sinto a sensação de desconforto palpável, que me acompanha desde que eu passei a ter a consciência de minha existência. Não há mais expectativas quanto ao destino... Não há mais ânimo para conversar com aos companheiros de viagem ou para conhecer o maquinista. Quanto a este há sim uma espécie de curiosidade... Seguida da sensação de que ele acha que de alguma forma eu poderei atrapalhar o processo. E nada mais.
Eu deveria ser muito grata por estar a bordo desse trem, é o que me diz a razão. Mas não posso ignorar os enjôos e aquela sensação de sufoco que estão me acompanhando nessa viagem. São eles que dirigem meus pensamentos agora. E eu não tenho mais como evitar essas vozes. Só me resta pedir que elas nunca assumam o comando (ou será que, no fundo, seria esse o meu maior desejo?).
segunda-feira, 14 de março de 2016
Respira fundo que uma hora passa, eles disseram. Disseram também pra eu me acostumar, que é uma coisa que todo mundo sente de vez em quando. Disseram que era normal, mas eu não conseguia aceitar como comum. Não parecia certo aquilo ser normal, entende? Não parecia certo ter que engolir tanta coisa. Pediram pra eu falar baixo, pois não queriam preocupar ninguém. Quando eu estava quase sussurrando, então pediram para eu parar de falar. Fiz uma última pergunta, já não suportando tantas reprimendas, então me mandaram fingir. Não responderam. Me mandaram fingir. E sabe qual o pior? Eu tentei... E consegui. E me acostumei a falar sobre coisas de uma maneira que eu não acreditava. Depois percebi que era exatamente o que as pessoas queriam ouvir. Me perguntaram qual o segredo e eu não soube responder. Disse apenas que era o certo, cabeças acenaram concordando. Por dentro continuei a negar tudo e depois pensei bastante sobre o dia, antes de dormir. Mas não tive nenhuma resposta. Nem sono.
domingo, 31 de janeiro de 2016
Eu carrego culpas que não deveriam ser minhas. Mas elas estão aqui. Elas nunca se vão de verdade, ficam adormecidas pra depois acordar como uma besta sangrenta, perigosa, faminta, disposta a levar tudo e todos que vê pela frente. A minha sorte é que é no silêncio das minhas madrugadas que a besta acorda na maioria das vezes. É quando eu paro pra prestar atenção ao que estou sentindo, sobretudo as faltas, os anseios, os pedaços de meu coração que foram remendados mas de vez em quando arrebentam. E lá vou eu costurar de novo antes que alguém veja.
A culpa é um monstro que eu não deveria criar. Mas não sei como faz pra abrir a porta, colocar ele na rua e ignorar sua existência. Eu não consigo esquecer. Todos os dias quando acordo e fico dividida entre agradecer a Deus por mais um dia ou resmungar sob o efeito depressivo da manhã sobre como eu odeio fazer isso, percebo que a culpa ela está secretamente regendo minhas ações. A culpa me faz pensar cada vez mais que eu me estimo cada vez menos. Estou sempre me culpando por coisas que não fiz, pessoas que não salvei, projetos que abandonei, quando na verdade deveria estar enxergando as vezes em que eu fui abandonada. Estou sempre me cobrando as melhores posturas, as atitudes mais sóbrias, e me sinto cada vez mais só quando percebo que ninguém percebe o meu esforço. Eu faço isso pra os outros ou pra mim mesma, afinal? Se fosse pra mim, eu não deveria estar com a consciência livre de culpas desnecessárias? Quando eu começarei a fazer as coisas por mim, em primeiro lugar? Sim, a culpa disso é toda minha também.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Já teve um tempo em que considerei Sixpence None The Richer minha banda favorita. Hoje eu enchi os olhos de lágrimas só de pensar que fazia tempo que não ouvia, e isso não foi uma hipérbole. Não vamos considerar os hormônios que atacam uma vez por mês, vamos apenas pensar no sentimento de ternura que eu tive na hora quando começou a tocar aquelas melodias conhecidas na rádio. Lembrei de tanta coisa. Lembrei de como por acaso descobri essa banda. Lembrei das vezes em que eu fiquei sozinha com meu notebook no quarto, ouvindo até dormir. Lembrei de como fiquei feliz em descobrir que as letras das músicas eram lindas e algumas confusas, do tipo que eu sempre escrevi em meus cadernos. Era uma coisa que parecia tão linda e tão minha, eu mostrava pra um amigo ou outro, mas nunca parecia tocá-los da mesma forma. E eu só conseguia achar que essa banda era uma das coisas mais preciosas que eu tinha descoberto. Mas não via com olhos cegos de idolatria, era mais como um conforto, uma oração. Algo pessoal mesmo. Inofensivo a minha fé e à vida religiosa que eu levava. Vim pensando no que mudou em minha vida daquele tempo pra cá. Quanto tempo faz que eu não reservo uns minutos de meu dia pra me conectar. A Deus. A mim mesma. À paz. Quanto tempo eu não me tranco em meu mundo somente para perguntar, em meio às agonias: como você realmente está? E em seguida começar a escrever... Sem saber como comecei, sem ter ideia de onde pararei, só aquela velha terapia de pôr todas as coisas necessárias num papel que pode ser que não faça nenhum sentido futuramente. Que saudades de ouvir Sixpence. Que saudades de chorar ouvindo música. Me sentir vulnerável nem que seja um pouquinho na presença de ninguém mais e ninguém menos que eu mesma. E Ele. Sempre Ele.
Eu não me dei conta do quanto senti falta desses momentos até um dia desses acordar com as mágoas transbordando pelos olhos no meio da noite. Um desespero aparentemente inexplicável e silencioso. Eram tantas coisas em minha mente naquele momento, mas eu sentia como se não fossem nada, de verdade. Como se fosse um choro sem motivo, em minha cama, e enquanto gasto tempo escrevendo estas palavras eu penso que talvez, apenas talvez, fosse minha alma silenciosamente me implorando por atenção. Na hora quis culpar meu emprego, ou as grandes perdas da vida, as frustrações, o juntar de coisas que teimosamente sempre faço aqui dentro. Mas não. Não era isso. Pelo menos, não somente isso. O que eu preciso é voltar àqueles momentos ouvindo "I'm Here" ou "Too far gone", no silêncio acolhedor de meu quarto. Não aquele silêncio frio, no qual muito se tem a dizer, mas pouco se solta devido a um acordo maquiavélico das palavras em não se deixarem perceber nem por mim mesma. Me escondendo de mim mesma... A que ponto eu cheguei.
domingo, 22 de novembro de 2015
Existir não basta.
Mas o que é viver, afinal?
Só sei de histórias, estórias, registros de um mero mortal que não vão alterar em nada o futuro do planeta... Por que eu deveria me apegar a minha própria vida desta maneira? É uma falta de foco e de sentido, se a gente olha o mundo daqui de dentro. Através dessas janelas que estão cada vez mais cinzentas. Não sei se de poeira ou da tempestade que se aproxima a cada dia que se passa. Sinto ela chegando enquanto sobrevivo como uma mera mortal em sua vida medíocre de pedir e agradecer a Deus por estar respirando.
Respirar não basta.
Mas o que eu deveria fazer?
Tem dias em que nada faz sentido.
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