quinta-feira, 21 de março de 2013

Duas...

Há uma mulher, neste exato momento, sorrindo para mim. Mas em seus braços, está segurando uma garotinha meiga, dessas com aspecto bem frágil, muito, muito chorosa. A cena chega a ser melancólica, pois uma parece não perceber o temperamento da outra e ambas sustentam um olhar muito intenso.
Há pessoas andando, correndo, dançando, conversando, gritando, brigando, se amando na rua, portanto ninguém pareceu notar quaisquer uma das duas... Muito menos suas feições. Mas não era como se uma estivesse zombando da outra ou lhe causando sofrimento, era como se a conexão, a afinidade mais forte entre elas fosse apenas aquele toque, aquelas mãos seguras da mulher na garota. A garotinha às vezes olhava feio para a mulher, em seguida para o chão, como quem diz me deixe descer, eu sei andar... Mas a mulher não mostrou qualquer sinal de querer largar a garotinha. Pelo contrário. Do jeito que ela a segura, parece que vai  levá-la consigo pelo resto de sua vida. Seja por proteção, medo, ou admiração, vai saber, pode até ser apenas carinho. Carinho por uma menininha meio boba, meiga, curiosa, enfezada, mas assustada e cheia de traumas, dá pra ver.
A mulher de vez em quando a contempla meio triste, quase decepcionada e parece afrouxar um pouco os baços... É nesse momento que consigo ver o sorriso mais faceiro da garota. Só que em seguida, o improvável acontece, a mulher praticamente enlaça a menina com um abraço tão sufocante, tão desesperado e carregado de significados que ambas só conseguem se expressar naquele aperto por lágrimas silenciosas. E ainda assim, não houveram expectadores. A garotinha percebeu que para onde fosse a mulher, ela também iria, e mais... Que esse era seu desejo, de verdade.

quarta-feira, 13 de março de 2013

13...

De verdade, eu sempre tive um bloqueio com o número 13. Pode ser coisa de menina que cresceu assistindo muito desenho animado ou filme de terror, mas é um número que sempre julguei "estranho", ou "azarento", entenda como quiser. Coisa boba, é verdade, números são apenas números... E eu nunca tive motivos de verdade para odiar um em específico. Mas hoje tenho para amar... Para direcionar uma boa lembrança, ao menos.

Hoje tenho alguém para ser eu mesma, hoje tenho a possibilidade de compartilhar coisas livremente e fazer planos sem receios. Hoje tenho alguém que, eu sei, não desiste na primeira tempestade. Hoje te tenho. E hoje quero te dar todo o meu amor, por perto ou de longe, todos os abraços e beijinhos dos quais somos feitos, numa amplitude infinita! Hoje tô meio assim, de palavras tão bonitas, quero ser um pouco mais específica e te desejar um feliz seu dia. Seja um dia especial, seja um dia sorridente... Se não for, deixa que na volta a gente se vê e vê um jeito de melhorar seu dia. Você que é tão especial e diferenciado, que tem uma facilidade incrível de formar amigos de infância e ter conversas de alma, que você amplifique essa capacidade de cuidar, de ser e estar presente, que você encha os olhos com as coisas boas do caminho sem se desviar.  Muito amor a você! Sinta o meu amor, sinta o amor Dele, te guardando por onde for...
Feliz aniversário, amor! Todos os dias são especiais, com você.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O mundo anda tão complicado


"Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor..."

Eu sou mais uma que ama quando uma música fala tudo aquilo que anda/andou acontecendo dentro de si, principalmente por nunca mais ter tido tempo e/ou inspiração para combinar palavras coerentes num caderno, numa tela ou num pedaço de papel qualquer. Infelizmente. Felizmente tenho ouvido muitas coisas boas, não em seu sentido puro, mas em seu sentido real, quase palpável.
Tenho ouvido coisas de quem vive muito diferente de mim, sabendo apreciar a diferença de almas, me compadecendo dos desvios de percurso alheios, olhando e me encontrando nestas realidades paralelas... Mas aqui dentro, como de praxe, está aquela bagunça comunal. Como não? Como não estar, desde o dia em que ele me encontrou? Como não estar confrontada desde o dia em que ele me envolveu e eu o segui? Impossível conhecê-lo em sua verdade e continuar a mesma. Mas é tão bom poder olhá-lo e consegui se ver. Desse jeito perde até o sentido sofrer tanto por amores falhos.
Hoje eu bem queria ouvir mais uma música, daquelas que falam de, por e para mim. Só pra mim. Quero me sentir filha única mimada, ao menos uma vez, e saber que alguém um dia já me pensou dessa maneira. Já me escreveu, ouviu, poetizou e musicalizou como numa tentativa confortante que, tenho certeza, funcionaria muito bem em momentos como esse. Hoje é uma data especial, como eu gostaria de me sentir. Como as coisas que eu gostaria de fazer.
O que há é um pouco de Renato Russo e os poemas de outra pessoa... Melancolia chega, faz morada, e demora a sair. Chocolate, solidão e música...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Passado...

Hoje eu pensei um pouco sobre os meus pensamentos, depois não consegui mais parar de pensar. Se pareceu complexo, eu juro que não foi para dar ao texto uma aparência mais culta e filosófica, às vezes tenho dificuldade em substituir palavra para dar o sentido desejado mesmo.

Hoje eu achei antigos cadernos, repleto de corações, figurinhas adesivas, e declarações de amor a pessoas inexistentes. Me deparei com palavras tão simples, porém desesperadoras, sombrias, melancólicas, transbordando desejos e medos. Elas demoraram, mas chegaram. E com força. As perguntas. Como pude desenvolver assim, essa habilidade de mastigar e engolir veneno, sem deixar com que ninguém desconfie? Como pude me "acostumar" a sufocar com as substâncias tóxicas da vida, como pude ser tão covarde a ponto de me "desacostumar" a pedir socorro? E mais, por que, mesmo após ter passado tanto tempo, por que diabos eu ainda me apego a essas habilidades malignas antigas e não consigo simplesmente me desfazer e dar espaço a algo novo, leve, especial, BOM? É por isso que, em muitas vezes, odeio olhar para o passado. 

Odeio olhar para o passado porque, primeiramente, há todos os fantasmas dos mais profundos arrependimentos que resolvem ressurgir e azucrinar o pouco de sanidade que me resta. Primeiro, sou do tipo que trabalho a minha mente em aceitar tudo o que houve, como numa tentativa de esquematizar os conhecimentos adquiridos e revertê-los em bônus, não concentrando nas perdas. Porém com o surgimento dos benditos fantasmas todo esse esforço parece ser jogado pela janela assim, em vão. Outra coisa também que irrita e deprime, depende do dia, profundamente, é o progresso. Olhar pro ontem e ver que ele parece tão distante de hoje, e então perceber que você não terá muitas mudanças em alguns aspectos específicos para levar ao amanhã é uma das sensações mais desanimadoras que acontece nessa atividade de querer avaliar o passado.

Olhar esse passado das palavras melancólicas, da mente perdida, do desconforto dos dias, das moradias em guerra, das lágrimas mal derramadas, dos risos presos, das alegrias contidas, das tristezas escondidas, das amizades superficiais, dos amores e necessidades inventadas, das frustrações mal aceitas, acaba por se tornar um ato insensato e deprimente, não recomendado aos dias frios e solitários. Dias em que não posso sequer parar para pensar em como essas coisas mexem comigo! Dias em que eu sequer consigo escrever um pouco das minhas dores e decepções, dias que não me permitem nem essa tentativa desesperada de desabafar inutilmente com as palavras e assim conseguir obrigar o alfabeto inteiro a me consolar, tentando amenizar essas coisas soltas aqui dentro, após uma faxina em minha antiga estante de livros e cadernos.

Ufa... Poderiam ser só cadernos e livros antigos. Poderiam ser só fotos, poemas, músicas, histórias, estórias, tudo coisa velha, tudo poderia ter perdido o sentido, o sentimento, certas palavras poderiam tr sido queimadas na fogueira do esquecimento e assim não restar nem cinzas! Eu não sei vocês... Mas acredito estar pronta para acender o fogo e seguir em frente. Deixá-lo livre para queimar até onde quiser e então conviver com apenas cinzas e restos, daqui então. É nessas vezes que eu olho pro meu coração, e o vejo claramente me pedindo para puxar uma cadeira e bater um papo comigo. Legal, construtivo, sem pressa. Sobre cinzas, sobre passado, presente, futuro... E de alguma maneira, o tema principal será "como é que eu tenho essa capacidade infinita de enfiá-lo em tudo e tornar coisas que poderiam ser mais simples para nós, tão complicadas"? Conversaremos. Quem sabe quando eu obtiver essa resposta... Assim terei ao menos o direito de me defender.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Confissões de amor

Faz tanto tempo que não te vejo, que tenho medo de esquecer teu rosto... Que bobagem! Como se você fosse assim tão fácil de esquecer. Eu te vejo falar com tantos, distantes, próximos, e parece estar a me esperar. O que quer que eu faça? É, eu sei... Todas as perguntas que eu faça tem respostas, e eu quero somente saber conviver em paz com elas. E quero ainda mais! Quero ultrapassar essa barreira chata do saber conformista, quero chegar até a parte do fazer, e quero mais! Quero chegar ao ponto do gostar, do se abrir, do descansar e do sorrir...
Como pôde tanto tempo em silêncio, como pude escolher a surdez? Como pudemos ficar tanto tempo brigados, magoados, como pude tanto tempo esquecer de respirar meu ar purinho, longe da poluição comum a tantos, como pude ousar tentar me acostumar a isso? Quanto tempo "perdido"... Mas você esteve lá. Quantas coisas mal vividas, quantas experiências mal administradas, quantas coisas fora do lugar... Mas você estava lá. Por que escolher as vendas? Quando  tenho a opção de ver a beleza de seu olhar em mim? Talvez o medo, o receio e a vergonha tenham me deixado tão estática, tão infeliz. E não é tarde... Você está me chamando. Você quer me mostrar algo que eu nunca vi, algo novo, posso sentir. Algo conhecido e novo, algo que eu nem sei como chamar. São as velhas boas-novas, o que mais pode ter de melhor? Sinto que passei muito tempo alisando a cobertura do bolo, com a faca na mão... Pena que fui perdendo a prática de cortar os pedaços e degustar.  Me ensina de novo...
Não sinto falta das velhas e tristes inspirações... Consegui boas combinações de palavras, porém o que colhi não me deu água na boca. Eu quero você agora, mais que das outras vezes. Será que isso é mesmo tão real? Eu posso ver as coisas acontecendo ao meu redor, pessoas indo e vindo, mas somente você parece ser o mesmo. Confiarei. Deixarei que você me guie e segure minha mão com aquela delicadeza constrangedora. E de agora em diante, me certificarei de estar cercada somente de você... E daquelas pessoas especiais. Eu terei o cuidado de não desprezar as jóias raras de meu caminho. Elas são realmente únicas, e eu não as perderei. Preciso de sua ajuda para cuidar de todas elas. Preciso de você em todos os momentos... Porque por mais que as coisas sejam difíceis entre você e eu, a importância desse conflito já vivifica a existência de teu amor e tua importância por mim! Sentir que você existe, e poder conversar sem barreiras, são coisas das quais não quero me desprender nunca! Nosso relacionamento será o maior investimento de minha vida... e todas as consequências.
Te quero por perto enquanto estiver triste. Te quero perto para me ensinar as coisas doces e amargas da vida, mas fique aqui, por favor. Não quero mais negligenciar sua presença. Usarei todas as ferramentas que for preciso... Usarei toda humilhação que me restar. Abrirei meu coração como um ato de fraqueza e reconhecimento, não sou nada sem você. Nada. Eu te amo. Da maneira que permite, sim, eu amo você, espero ansiosamente o dia em que o alcançarei o amor ideal e poderei retribuir de igual para igual.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Remando. Re-amando. Amando.

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."