quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Circo

Talvez você deva se perguntar qual papel que você está fazendo nesse circo. Quer dizer, tá mais pra circo, não tá? Ainda que um circo decadente, com a lona furada, os bancos com a pintura toda descascando, o palhaço com a maquiagem borrada e fraca, a mulher barbada da barba falsa despregando e o equilibrista fajuto que colou a sapatilha na corda bamba. É tudo um circo, que dependendo da ótica pode ser decadente, macabro ou até mesmo engraçado de tanta falta. Como naquela música: era uma casa  muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada... Lembra? Pois é. Nesse circo não tem graça, não tem honestidade, não tem sequer gente de verdade.
E se você não tiver ferramentas pra consertar a lona, tinta pra pintar os bancos, maquiagem decente pro palhaço e cara-de-pau pra mandar a mulher barbada e o equilibrista oportunistas procurarem outro emprego, melhor que não apareça. Quem foi o descerebrado que disse que precisamos de sua futilidade aqui? Quem não ajuda, NÃO ATRAPALHA. E vá reencarnar num pato, da próxima vez. Ele pode ser mais útil nesse circo que você.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pra valer a pena


Que vontade de madrugar, virar o dia fazendo qualquer besteira... E acordar às 3 da tarde ao meio dia pra dar tempo de sair na rua, pegar um ônibus que nunca peguei antes pra ver onde eu irei parar... Tomara que seja um lugar que dê pra deitar na grama quando o sol estiver fraquinho e conversar com as flores ao redor. Depois ir a uma praia distante e subir nas pedras pra ver o pôr-do-sol, mergulhar no mar quando já estiver escuro, correr em seguida sentindo a brisa fria cortando o rosto... Com sorte ainda tomaria banho de chuva, sorrindo e cantando como uma criança no auge de sua travessura, sentindo a barriga doer de tanto dar gargalhadas, roubar uma bicicleta e tomar uma estrada escura num campo deserto que não vai dar em lugar algum! Chegar na beira de um penhasco e me jogar gritar até sentir que perdi a voz completamente... Contar estrelas no caminho de volta, arfando um pouco porém com um sorriso nos lábios. E então eu voltaria pra casa gripada, trêmula, agitada, enérgica, extasiada, rouca, satisfeita e talvez um pouco arrependida, pensando em como me custaria acordar às 6 da manhã no dia seguinte e ir à faculdade disposta... Muito mais inventar uma desculpa coerente pra minha mãe. :T

(mas acho que valeria a pena o risco...)

No fundo nem em meus sonhos eu me arriscaria assim.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

letargia

Misturo viagens históricas e viagens de meu passado, alheia a tudo ao redor mas absorvendo a nostalgia de poder ouvir sobre história e literatura brasileira... Passeando por um passado colegial tão recente que chego a me assustar com o passar do tempo! Saudades e mais saudades... Eu era mais feliz? Não. Daqui a 4 anos estarei escrevendo um relatório, na calmaria da noite e então pararei um pouco, olharei em volta e lembrarei disso aqui... Então farei a mesma pergunta e a resposta será a mesma (espero).
Volto às lembranças do ontem, do hoje, do antes, do agora... Respiro o ar gelado do ar-condicionado de forma calma, paciente, sorrio de leve, apática aos acontecimentos e penso: Que tranquilidade estranha! Por um minuto ficou tudo calmo aqui fora... E aqui dentro. As borboletas adormeceram. Talvez seja um sono leve, melhor se precaver.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Não

Eu não costumo expressar sempre aquilo que realmente sinto, nem sei se consigo. E também não se deveria... Tenho uma bomba relógio tiquetaqueando em meu peito, esperando a hora de explodir e me entregar. Entregar os pedacinhos de tudo, tudo o que me prende aqui dentro e me sufoca, entregar sobretudo que existem pedacinhos. E que ninguém consiga juntar, pro meu próprio bem. (como se isso pudesse importar depois da explosão)





(Tomara que não seja mais um daqueles posts que eu venha a excluir, depois)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Anonimato

Tão presa nessa rotina desgastada, quase vencida pelo cansaço e desânimo... Filosofando numa janela de ônibus qualquer sobre qualquer coisa, qualquer rosto alheio. Qual seria a visão geral disso tudo? Digo, qual será a visão de quem está na sala de controles dessa máquina chamada mundo? Deve ser mesmo fantástico ter o discernimento de cada folha que cai, cada farfalhar de folhas, cada folha que seca... E eu sou apenas mais um pontinho de luz nessa imensidão, certo? Consigo ouvir as melodias de Sixpence e o cantarolar de Leigh Nash, suave, único, tranquilizante, como uma trilha sonora da mesmice, do ajeitar de óculos, do cruzar de pernas, do descer do ônibus e prosseguir caminhando anonimamente feliz... Pelo menos até que chegue em casa e chamem meu nome.

A longa espera de um minuto



O vilão em meu pulso tiquetaqueando seu respirar... E quem disse que os objetos não têm vida? A caixa de mensagens de meu celular tem as mais variadas lembranças, emoções, recordações, tão vívidas! E a cada "bipe" o pulsar de meu coração insiste em aumentar, esperando suas palavras com a ansiedade de uma criança que espera o pai no aeroporto de uma longa viagem...
Uma viagem de um minuto.