Ah, o Natal, que época maravilhosa!
Hora de gastar, hora de se encantar com aquelas propagandas cheias de brilho e musiquinhas encantadoras ao fundo, hora de comprar presentes até para aquela menina boazinha que fica no caixa do supermercado... Ela é tão legal, sabe? Mesmo que nem me dê bom dia, um dia me deixou ficar com 10 centavos a mais no troco, merece um presente também! Presente para todos! Presente até para aquele insuportável do meu chefe, mas como é Natal, né, a gente não pode guardar mágoas, pelo menos fingir que se importa! Ah, também é hora de ajudar na campanha do “Natal sem fome”... Ou seria melhor a “Campanha do agasalho”? Hum... Talvez seja melhor presentear uma criança carente com um brinquedo, não é? Ainda bem que eles só se sentem carentes no Natal, imagine se fosse o ano todo? E sentir frio e fome, então? Ainda bem que é só no Natal, justamente quando essas campanhas vêm à tona, ufa. É o espírito natalino, gente! O espírito natalino que desperta a vontade de ajudar ao próximo! Nem todos podem gastar em dinheiro, comida e roupas, não sabem o que estão perdendo, é uma das melhores coisas dessa época! Sempre é bom se reunir com a família pra brincar de “amigo secreto”, rir, contar piadas, encher a cara de bebidas, se empanturrar de comidas... As crianças correndo pela casa estreando seus presentes novos que o Papai Noel deu, apesar de o pai estar atolado em dívidas no cartão de crédito até o Natal do ano que vem foi o Papai Noel quem deu, hein? Ah, aquele velhinho bonzinho é o encanto do Natal para os pequeninos! E para uns grandões também, hein? Aliás, hoje e dia ele é mesmo a figura mais importante do Natal, que Jesus Cristo que nada. O Noel está muito mais na moda que o Filho de Deus. Aliás... Quem fala de Jesus no Natal?
25 de dezembro é a data que escolheram para comemorar a vinda de Jesus ao mundo, mas estão mais ocupados com as futilidades ao seu redor e um velho gordo mítico de roupas vermelhas descendo de uma chaminé, além das hipocrisias das campanhas de ação social expostas pela Rede Globo. Não que isso seja ruim, ao menos em alguma data os pobres terão algo para comer e um cobertor para se aquecer, continuem doando sim. Mas continuem com esse mesmo “espírito natalino” o resto do ano, que custa? Que custa fazer o bem ao próximo 365 dias ao ano? Tem certeza que você está em paz quando olha para a mesa da sua família repleta de comidas deliciosas e o mundo entrando em colapso, inclusive milhares de pessoas no mesmo instante morrendo por não ter sequer o que comer? Parabéns, se você consegue comemorar seu Natal do mesmo jeito. Eu não.