quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Não

Eu não costumo expressar sempre aquilo que realmente sinto, nem sei se consigo. E também não se deveria... Tenho uma bomba relógio tiquetaqueando em meu peito, esperando a hora de explodir e me entregar. Entregar os pedacinhos de tudo, tudo o que me prende aqui dentro e me sufoca, entregar sobretudo que existem pedacinhos. E que ninguém consiga juntar, pro meu próprio bem. (como se isso pudesse importar depois da explosão)





(Tomara que não seja mais um daqueles posts que eu venha a excluir, depois)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Anonimato

Tão presa nessa rotina desgastada, quase vencida pelo cansaço e desânimo... Filosofando numa janela de ônibus qualquer sobre qualquer coisa, qualquer rosto alheio. Qual seria a visão geral disso tudo? Digo, qual será a visão de quem está na sala de controles dessa máquina chamada mundo? Deve ser mesmo fantástico ter o discernimento de cada folha que cai, cada farfalhar de folhas, cada folha que seca... E eu sou apenas mais um pontinho de luz nessa imensidão, certo? Consigo ouvir as melodias de Sixpence e o cantarolar de Leigh Nash, suave, único, tranquilizante, como uma trilha sonora da mesmice, do ajeitar de óculos, do cruzar de pernas, do descer do ônibus e prosseguir caminhando anonimamente feliz... Pelo menos até que chegue em casa e chamem meu nome.

A longa espera de um minuto



O vilão em meu pulso tiquetaqueando seu respirar... E quem disse que os objetos não têm vida? A caixa de mensagens de meu celular tem as mais variadas lembranças, emoções, recordações, tão vívidas! E a cada "bipe" o pulsar de meu coração insiste em aumentar, esperando suas palavras com a ansiedade de uma criança que espera o pai no aeroporto de uma longa viagem...
Uma viagem de um minuto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eu sei que vou te amar

                
Papéis de carta no chão, canetas sem tampa, espalhadas, papéis rabiscados, amassados... E em cima da cama, a mala. As roupas impecavelmente dobradas, sapatos, bolsa, cintos, presilha, perfumes, ursos de pelúcia, tudo, tudo, tudo em seu devido lugar, esperando a hora de partir. Tudo estava pronto. Menos o seu coração. Ele estava do outro lado da rua, junto com um monte de lágrimas e um violão. Estava com o seu dono. Na escrivaninha, o  papel branco ainda estava escrito até a metade e no resto haviam duas gotas pingadas, borrando as linhas, estragando. Ela o amassou. Mais palavras em vão, mais tempo perdido... Nada que escrevesse poderia decifrar o misto de coisas que estava se passando em seu coração, em sua mente, agora. Sentia-se tola, enganada pelo destino, confusa... Perdida. Como antes. Sentia-se extremamente vazia, como sempre fora até conhecer a sua completude, em carne, osso e sorriso. E agora chegara a temida hora de dizer adeus à nova garota e olá à velha sem graça de sempre. Forçava-se a estar pronta pra isso.

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar

O pior e o melhor abraço. O abraço mais intenso e prolongado, o abraço que tinha hora pra acabar, sua mãe fez questão de lembrar, do carro. As lágrimas misturadas com o perfume, como sentiria falta daquele cheiro que chegava pelo vento com antecedência... Aquele cheiro que ficava em seu casaco e por isso mesmo o abraçava antes de dormir. Não haviam mais palavras... Nem beijos. Apenas uma última troca de olhares significativa e um leve roçar de lábios nas costas de sua mão. Ela sentiu o coração acelerar, de novo, angustiado... Virou as costas e correu, deixando pra trás toda aquela atmosfera.

Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar

Ipod no último volume e nenhuma conversa, o melhor trato que já fizera com a mãe. Novas lágrimas por vir e o nó na garganta, ardendo, queimando-lhe as entranhas, querendo fazê-la vomitar toda a amargura que vinha guardando desde sua última semana ali... Abriu o caderno e começou a escrever, ainda que tudo borrado devido ao balanço do carro, escrevia como quem tinha a necessidade de respirar, as lágrimas caíam novamente borrando as palavras, mas isso já não frustrava tanto, agora. Apenas pensava no que ele pensaria ao ler todos aqueles versos, todas aquelas reflexões, todas aquelas cartas não entregadas... Tudo aquilo era tão dele, e ele nem imaginava. Tinham que ficar com ele.

E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar

Talvez nunca soubesse o que ele acharia daquilo... Estava tão ou mais ferido que ela que poderia simplesmente ignorar sua existência a partir de agora. Só de pensar nisso lhe vinha novamente o amargor de sentimentos... Mas o que aconteceria, então? Ficariam com um vínculo apenas superficial? E quanto aos abraços, beijos e sussurros? As cartas não poderiam substituir isso... E mais uma vez vinham as lágrimas, cumprir o seu papel.
 
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
 
Não sabia se era certo dizer que cresceu muito durante aquele verão. Quando na verdade já era tão precoce que a coisa mais doce que poderia acontecer era voltar a brincar e a sorrir, como nunca pensou que faria de novo. Sentiu sorrir o coração... Dormiu sonho de menina. Brincou de ser feliz e de fato, foi. Agora temia pelas noites mal dormidas, pela ausência de graça e brilho de tudo, tudo, tudo... Tudo se embaçava de novo. E as lembranças eram sua única conexão com a luz.
 
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou

Ela não sabia pra onde estava indo. Sua mãe dizia-lhe o nome da cidade, já conhecida pelas duas, o endereço e inclusive o propósito... Mas ela ainda não sabia onde estava. Não nesse momento. Nunca soube tão bem quem era e onde estava como naqueles dias, mas agora, a verdade era que a menina tinha se perdido entre as lembranças daquele verão... E talvez ela nunca se encontre novamente. Pelo menos não enquanto não voltar àquele lugar e ter, de novo, seu coração.
 
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Maldita inclusão digital!

Não, não vou criticar os semi-analfabetos que criaram conta no orkut nem as Casas Bahia por venderem celular com câmera tão barato que qualquer um compra e grava um vídeo de qualidade deplorável pra pôr no youtube. Já virou modinha esse tipo de queixa, especialmente entre os pseudointelectuais... Só amaldiçôo essa tal inclusão digital por deixar as pessoas mais hipócritas e fazer parecer que a vida real é difícil e chata.
Duvido que 99% das meninas sejam tão descoladas, ousadas e seguras quanto se mostram no orkut, com aquelas descriçõezinhas copiadas e coladas no "quem sou eu" e poses sensuais em suas fotos, carregadas de photoshop... Duvido que os casais sejam tão felizes quanto em suas trocas de depoimentos ou declarações em perfis... Duvido que as comunidades realmente expressem aquilo que as pessoas sentem ou do que gostam, quando na verdade a maioria são um desejo do que elas gostariam de ser... Duvido que a maioria das pessoas sejam elas mesmas em suas vidas virtuais.
Orkut, Twitter, Facebook, Formspring... Todos têm suas mazelas. Especialmente a geração teen atual que costuma fazer coisas cujo contato humano é INSUBSTITUÍVEL pelo meio virtual. Namorar, discutir, conversar, rir, se declarar, se desculpar, fazer melhores amigos... Isso tem muito mais de olhar e sorriso que smile e emoticons. Abraços, conversas, beijos, sentimentos!, não podem ser substituídos nem forjados dessa maneira.
Usar a internet e sites de relacionamentos pode ser saudável, quando se sabe separar da vida real e priorizá-la... Uma lástima o ser humano tornando-se ser virtual.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre luzes e você . . .


E em uma esquina cheia de vias, de caminhos parecidos, tortos e belos, encontrei você.
Sempre tive uma luz difícil de se misturar, fraquinha, fraquinha, sem quaisquer diferenciais. Parecida demais com as outras mas que no fundo, não conseguia se encaixar por inteiro.
E quem percebe essa confusão?
Você.
Cuja luz é tão forte e reconhecível que chego a ter medo de que a minha desapareça...
Então você mostra que a sua luz pode se misturar a minha e assim as duas podem brilhar juntas, de uma maneira intensa, transcendente... E assim não há luz forte, nem fraca, apenas a nossa luz.
A melhor parte é que você sempre enxergou a minha... Ainda que eu mesma tivesse dificuldade em fazê-lo.