
De médico e de louco todo mundo tem um pouco. Mais de um que de outro, mas é sempre assim. Considere-me hipocondríaca, médica, louca, sensata, psicopata, mal-humorada, inteligente, lenta, engraçada, azeda, simpática (?), racional, depressiva, falante, animada, retardada, excluída, relaxada, anti-social, impulsiva, preguiçosa, sonhadora, cética, enjoada, largada, intolerante, solidária, estúpida, submissa, revoltada, grossa, disposta, tímida, encorajadora, excêntrica, idiota [...]
Entre vícios e manias, entre cheiros, gostos, comidas, livros e músicas, se esconde uma personalidade um tanto inominável, se é que essa palavra existe. Sem denominação, inconstante e imprevisível. Há tempos que tento nomear alguém que gosta de coisas muito alternadas. Concluí que não dá. Eu gosto muito do que não existe, que direi do que existe?!
Você é bobo e idiota, você fala sozinho, mesmo que em mente, você cria personagens inconscientemente... Você é tão louco que tem manias e medos que apenas você entende, você ri sem motivos, se permite, e em seguida se repreende. Você vive e isto por si só já é uma loucura.
Vivemos numa sociedade onde as pessoas costumam se privar de pequenas coisas que as fazem felizes, por considerá-las tolas e sem sentido. "Gosto, mas tenho vergonha, sabe..." Quem disse que elas não têm sentido? Para mim faz todo o sentido. Não se prive de suas tolices, elas fazem parte de você. Mas não as deixe tomarem conta de si por completo, tampouco abandone seu infinito particular.