eu consegui me enxergar morrendo de uma forma patética e banal, com plateia, de um jeito inesperado
bem, talvez inesperado pro meu eu de hoje que acordou querendo ir para a urgência por causa de problemas aparentemente gastrointestinais e terminou tendo uma crise de ansiedade na sala de medicação da emergência
hoje eu entendi os pacientes que querem se evadir do hospital e simplesmente puxam o acesso venoso do braço, sem se importar com o depois. estando ruim o aqui e agora, é tudo o que importa. o depois é fruto de uma esperança fictícia.
eu senti que o ar me abandonou. e não só ele. uma equipe inteira. pessoas inteiras ali cada uma em sua enfermidade ou seu ofício. tirei a máscara. tirei os sapatos. reclinei a poltrona e deitei. então, em posição fetal, e com líquidos entrando na veia, lembrei de um exercício de respiração. respirei fundo. senti um pouco de sonolência, provavelmente em decorrência da medicação associada ao soro. consegui respirar de novo.
mal conseguia segurar o celular para escrever, enviei alguns áudios tentando resumir, acho que foi pior. no fim de tudo, exausta, após driblar crises invisíveis aos olhos alheios, me senti cheia de vergonha. eu não fui suficiente para mim hoje e isso me quebrou mais.
a sensação de abandono e de solidão persistiram comigo
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pega leve.
sou sensível.